Brasil

19/02/2020 | domtotal.com

Cid Gomes é atingido por disparo de arma de fogo em Sobral, no interior do Ceará

Apesar do ocorrido, o senador já teve alta da UTI, mas ainda continua internado

Cid Gomes é socorrido após ser baleado durante protesto de policiais em Sobral
Cid Gomes é socorrido após ser baleado durante protesto de policiais em Sobral (Reprodução)

O senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na tarde dessa quarta-feira (19) durante um protesto de policiais que reivindicam aumento salarial. O político dirigia uma retroescavadeira e tentou furar o bloqueio feito pelos no Batalhão da Polícia Militar do município de Sobral

A assessoria do senador afirmou que ele foi atingido por um disparo de arma de fogo, corrigindo informação inicial que apontava um tiro de bala de borracha. Cid passa por estabilização no Hospital do Coração de Sobral e deve ser transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral. O tiro a região do ombro.

Alta da UTI

Na manhã dessa quinta-feira (20) Cid Gomes teve alta hospitalar da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Coração de Sobral. Gomes foi transferido para a enfermaria.

De acordo com boletim médico, Cid Gomes deu entrada naquela unidade hospitalar, "vítima de ferimento por arma de fogo no hemitórax esquerdo" e após o atendimento inicial seu quadro clínico evoluiu sem intercorrências, mantendo-se "hemodinamicamente estável e com padrão respiratório normal, não mais necessitando de cuidados de terapia intensiva".

Reforços na segurança

Mais cedo, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT) solicitou ao governo federal o apoio de tropas para reforçar a segurança no Estado, após quatro batalhões da Polícia Militar serem atacados. Os ataques foram feitos por pessoas encapuzadas, mas há suspeita de que os responsáveis sejam policiais.

Segundo Santana, as ações foram feitas por homens mascarados que seriam "alguns policiais" e "mulheres que se apresentam como esposas de militares. O secretário de Segurança Pública do Ceará, André Costa, informou que três policiais militares foram presos em flagrante por estarem furando pneus de viaturas em Fortaleza, enquanto um oficial foi conduzido à delegacia em Juazeiro do Norte por estar com um capuz no bolso e armado.

Outros 261 policiais estão sendo investigados por suspeita de participação nas ações. "Temos, sim, grupos dentro da Polícia Militar que têm praticado crimes militares e atos de vandalismo. Com essas pessoas, o Estado vai agir com todo o rigor que a lei prevê. Não toleraremos nenhuma dessas condutas e vão responder por motins, por revolta, insubordinação. Eles serão retirados da folha salarial da polícia militar e não receberão salário daqui em diante", disse o secretário.

Os ataques teriam ocorrido por falta de um acordo entre o governo do estado e os policiais e bombeiros sobre o reajuste salarial. De acordo com o representante das categorias da segurança pública na Assembleia Legislativa do Ceará, o deputado Soldado Noelio (PROS), muitos policiais se manifestam com o rosto coberto. "Não temos como afirmar quem é o responsável por essas ações de vandalismo. Eles estão cobrindo os rostos, temendo punições por parte do governo", completa. Os policiais também optaram por não se pronunciar sobre os movimentos de paralisação.

Na Assembleia Legislativa, uma CPI foi protocolada para avaliar supostas irregularidades cometidas pelas associações que representam os agentes da segurança pública do Ceará e que ocasionaram essas paralisações. De acordo com o Ministério Público, 12 entidades serão investigadas. Nos últimos seis anos, elas receberam R$ 126,7 milhões de reais, mas apenas R$ 65 milhões foram movimentados.

Insensatez

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou em uma rede social que o senador Cid Gomes não teve "o mínimo de inteligência" para lidar com os policiais grevistas do Ceará. A postagem vinha acompanhada com um vídeo do momento em que Cid é baleado e foi apagada do perfil do deputado minutos depois.

Segundo Eduardo, a deputada Major Fabiana (PSL-RJ) estava no Ceará para participar das negociações. Fabiana chegou a ocupar a Secretaria Estadual de Vitimização do Rio de Janeiro no governo Wilson Witzel (PSC-RJ) mas deixou o cargo alegando ser "eternamente leal à família Bolsonaro".

"A deputada Major Fabiana foi proativamente buscar a melhor saída para a atual situação da PM do Ceará. Infelizmente ela não pode contar com o mínimo de inteligência do senador Cid Gomes", escreveu Eduardo.

O deputado foi procurado por meio de sua assessoria para explicar por que apagou a postagem mas não respondeu. Segundos depois, Eduardo fez outro comentário no qual diminui o tom da crítica ao senador e diz que Gomes cometeu uma "atitude insensata".

Resposta

Irmão de Cid, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) respondeu à segunda mensagem do deputado. Por volta das 20h30 dessa quarta-feira, Ciro publicou nas redes sociais uma notícia com as declarações de Eduardo e rebateu com acusações contra a família Bolsonaro.

"Será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o estado do Ceará como os canalhas de sua família fizeram com o Rio de Janeiro", escreveu Ciro, que concorreu contra Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018.

A resposta de Ciro faz referência à relação do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), irmão mais velho de Eduardo, com o miliciano e ex-policial Adriano Magalhães da Nóbrega, morto há onze dias na Bahia. Em 2005, Flávio propôs que Nóbrega recebesse a Medalha Tiradentes, mais alta honraria do Legislativo fluminense. À época, o miliciano estava preso por suspeita de homicídio.

Quando era deputado estadual no Rio, Flávio também empregou a ex-mulher e a mãe do miliciano em seu gabinete. Após a morte de Adriano, ele voltou a se manifestar sobre o caso no twitter e sugeriu que o ex-policial tenha sido torturado.


Agência Estado/Dom Total



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