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27/02/2020 | domtotal.com

Número de novos casos de COVID-19 já é maior fora da China do que dentro do país

Segundo a OMS, total de infectados foi de 411 no país e mais de 500 no resto do mundo

Tenda médica montada em frente a hospital de Florença para receber pessoas suspeitas de portar o novo coronavírus
Tenda médica montada em frente a hospital de Florença para receber pessoas suspeitas de portar o novo coronavírus (Carlo Bressan/AFP)

Atualizado às 22h32

Pela primeira vez, o número de novos casos do novo coronavírus anteontem foi maior fora da China, epicentro do surto, do que dentro do país asiático. A Comissão Nacional de Saúde da China informou que o número de infectados subiu para 78.824 e o total de mortes aumentou para 2.788 no país. Em relação à atualização de quarta-feira (26), foram 327 novos infectados e 44 novos óbitos. O documento informou, ainda, que há 10 casos da doença confirmados em Macau, 32 em Taiwan, com uma morte; e 93 em Hong Kong, com dois óbitos.

O avanço tem ocorrido em países vizinhos, como a Coreia do Sul, no Oriente Médio, e na Europa, sobretudo na Itália. No mundo, o total de infectados ultrapassa 80 mil e o de mortes é de cerca de 3 mil. Na Ásia, autoridades de saúde trabalham ainda com a possibilidade de que a queda no registro de infectados seja temporária.

O diretor-geral da (OMS) Tedros Adhanom Ghebreyesus declarou nesta quinta-feira que o surto do nova coronavírus atingiu um "ponto decisivo", pedindo aos países que redobrem os esforços para conter a disseminação de maneira eficaz. "Este vírus tem potencial pandêmico", disse Tedros. "Não é hora de temer. É hora de tomar medidas para prevenir infecções e salvar vidas agora".

O governo japonês informou ontem que cerca de 45 passageiros que receberam autorização na semana passada para desembarcar de um cruzeiro em quarentena desenvolveram sintomas do novo coronavírus, incluindo febre, e devem fazer novos exames para detectar o vírus. Ao todo, o Ministério da Saúde local entrou em contato com 813 passageiros do navio Diamond Princess. O Japão enfrenta críticas pela maneira como administrou a crise de saúde gerada pelo cruzeiro, em especial depois desse informe.

Cientistas já têm pesquisado também a possibilidade de que o período de incubação do novo coronavírus seja superior a 14 dias - o que pode mudar os protocolos para isolamento e quarentena. Como a doença foi registrada pela primeira vez em dezembro, ainda não se sabe exatamente qual o comportamento do vírus. O mundo "simplesmente não está preparado" para combater a epidemia de coronavírus, disse, anteontem, o especialista que coordena a missão conjunta da Organização Mundial da Saúde e da China, Bruce Aylward.

Para conter a expansão da doença, vários países do Golfo anunciaram medidas para limitar os deslocamentos com o Irã, que já registrou 19 mortes. O governo local tem sido acusado de esconder a real dimensão do surto, mas Teerã garante que tem havido transparência.

Na Europa, os países vizinhos à Itália decidiram manter abertas suas fronteiras. Centenas de turistas permanecem confinados por precaução em um hotel de Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde foram detectados casos. Enquanto isso, as autoridades sanitárias espanholas anunciaram novas medidas como desaconselhar viagens às regiões da Itália infectadas e outras áreas de risco, e a necessidade de realizar teste em todo viajante que chegue desses lugares e apresente sintomas da doença.

A União Europeia, cujas fronteiras são abertas, já manifestou a preocupação de que os países trabalhem de forma coordenada para conter a epidemia.

Organização Pan Americana da Saúde

O médico Jarbas Barbosa, vice-diretor da Organização Pan Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou que a classificação de pandemia é feita quando há "transmissão sustentável" em vários países da doença. Por enquanto, a entidade classifica o surto como emergência internacional. Mas ele advertiu que, independentemente da nova posição da OMS, países têm de estar preparados para reagir rapidamente à chegada do novo coronavírus.

"A OMS está avaliando (se é pandemia ou não), mas mesmo sem uma denominação formal de pandemia, é certo que pode-se transmitir para outros países com relativa velocidade como está ocorrendo", disse Barbosa. "É um aprendizado que tivemos na pandemia de 2009 (vírus H1N1). Alguns países da América Latina, quando já era perceptível que havia transmissão na comunidade, gastavam esforço para contenção. Analisavam a ponta do iceberg, em vez de já tomar decisões de mitigação, como adiar uma cirurgia eletiva para deixar um leito de UTI disponível", completou o brasileiro, que atua na Opas em Washington.

Barbosa observou que o cenário é de redução de novos casos na China, epicentro do surto, mas há avanço em outros países. "Neste momento a gente tem boas e más notícias." Segundo ele, medidas restritivas, como isolar cidades, têm de ser avaliadas com extrema cautela. "No caso da China, dados que se têm até agora parecem ser favoráveis. Aquelas medidas de redução do contato social podem ter reduzido a transmissão", disse.

O médico destacou que o "estigma e a discriminação", além de "inaceitável", podem dificultar que um paciente busque um serviço de saúde por receio de sofrer represália. Ele também afirmou que impedir a circulação de mercadorias acabaria, em muitos casos, atrapalhando o tratamento de pacientes. A China, por exemplo, é grande exportadora de produtos para saúde e medicamentos.

Segundo Barbosa, a maior preocupação da Opas é com países das Américas que têm sistemas "frágeis" de saúde, como o Haiti, ou são pequenos e dependem do turismo como principal fonte de renda como ilhas do Caribe. "Se chegar lá um cruzeiro com infectados, pode ser uma sobrecarga no sistema de saúde. Essas são as duas preocupações maiores."

O vice-diretor da Opas disse que o Brasil tem bom sistema de vigilância e que medidas que o Ministério da Saúde têm tomado são "adequadas". "Mas nenhum país está protegido de receber uma pessoa infectada", lembrou.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, autoridades disseram prever propagação da epidemia de coronavírus e pediram que escolas, empresas e os governos locais tomem medidas de precaução, como a suspender eventos públicos. O presidente Donald Trump afirmou ontem que poderá considerar novas restrições de viagem - idas à China e à Coreia já são desaconselhadas pelo governo americano.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos informou que um paciente sem histórico de viagens recentes foi diagnosticado com coronavírus. O caso pode ser o primeiro registro de transmissão da doença dentro do território americano. 

De acordo com o órgão, ainda não é possível definir a origem do contágio, que pode ter ocorrido por meio do contato com uma pessoa que tenha viajado recentemente.

Reino Unido

Autoridades de saúde do Reino Unido divulgaram nesta quinta-feira mais dois novos de casos de coronavírus no país, que elevam o total acumulado para 15.
Uma das vítimas contraiu a doença na Itália e a outra foi infectada na Ilha de Tenerife, na Espanha.

Itália

A Defesa Civil da Itália informou nesta quinta-feira (27), que 650 pessoas foram diagnosticadas com o coronavírus no país, um salto de 250 em relação à última atualização, divulgada na quarta. Já o número de mortes pela doença subiu de 14 para 17. Segundo o órgão, 42 pessoas foram curadas. 

Outras 159 estão internadas com sintomas e 37 estão sob cuidados intensivos, enquanto 278 pacientes estão em quarentena em casa. A maior parte dos casos está concentrada na região da Lombardia, no norte do país, onde 305 pessoas foram infectadas.

Israel e Irã

Israel anunciou hoje um novo caso de coronavírus, que eleva para sete o total de cidadãos israelenses infectados. A vítima testou positivo para a doença depois de retornar de uma viagem à Itália.

O Ministério de Saúde do Irã relatou a morte de mais sete pessoas infectadas pelo coronavírus, o que eleva o total de óbitos no país a 26. Já o número de casos confirmados da doença no Irã atingiu 245.

Japão

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse nesta quinta-feira que o governo está buscando fechar todas as escolas em escala nacional, numa tentativa de limitar a disseminação do coronavírus no país.

Segundo Abe, o fechamento vai começar na segunda-feira (02) e se estenderá até o início de abril, quando as escolas normalmente reabrem para iniciar o novo ano letivo, após um recesso no fim de março. Ontem, Abe determinou o cancelamento ou adiamento de grandes eventos públicos por duas semanas.


Agência Estado

EMGE

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