Religião

03/03/2020 | domtotal.com

Bispo de BH denuncia governo brasileiro na ONU em relação à mineração

Dom Vicente contestou relatório das ONU que considera boas as práticas do Brasil na preservação ambiental

Frei Rodrigo Peret, OFM e dom Vicente Ferreira, CSsR
Frei Rodrigo Peret, OFM e dom Vicente Ferreira, CSsR (Arquidiocese de BH)

Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, partilhou, nesta segunda-feira, dia 3 de março, na  43ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre Meio Ambiente,  a situação das comunidades de Brumadinho, amparadas pela Igreja, em decorrência do rompimento da barragem de rejeitos de mineração no Córrego do Feijão, e os desafios na defesa da Ecologia Integral.

Em pronunciamento perante os representantes dos países que integram o Conselho, o bispo contestou o relatório das Nações Unidas que considera boas as práticas do Brasil na preservação do meio ambiente. Destacou que as populações não são consultadas no processo de licenciamento para a implantação de megaprojetos e pediu que o governo do Brasil ratifique o Acordo de Escazú, fornecendo informações, consultas e participação suficientes das comunidades e da sociedade nos processos de licenciamento. Dom Vicente ressaltou também que os rompimentos das barragens em Brumadinho – há um ano – e em Mariana, há cinco anos – continuam produzindo efeitos nocivos nas comunidades e no meio ambiente, nada tendo sido feito para impedir outros eventos semelhantes.

Dom Vicente, que integra a Comissão Episcopal de Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),  cumpre uma intensa agenda de compromissos na Europa, ao lado do frei franciscano Rodrigo Peret , da Rede Igrejas e Mineração da Arquidiocese de Belo Horizonte. Segundo o bispo, orações, debates, encontros, anúncios e denúncias fazem parte dessa busca por novos caminhos.

Após a reunião na ONU, o bispo concedeu entrevista coletiva à imprensa internacional, e participou de reunião no Escritório da Franciscans International, que atua na proteção da dignidade humana e da justiça ambiental, nas Nações Unidas.

Em defesa dos atingidos pela mineração

Com uma intensa agenda, até o dia 7 de março, dom Vicente Ferreira participa de debates e encontros, concede entrevistas a jornalistas e reúne-se com parlamentares em outros quatro países da Europa, além da Itália: Áustria, Suíça, Bélgica e Alemanha, partilhando iniciativas de defesa da Ecologia Integral, desenvolvidas pela Comissão Especial sobre Mineração e Ecologia Integral da CNBB e pela Rede Igrejas e Mineração.

Dom Vicente Ferreira iniciou a viagem pela cidade de Roma, Itália. Em seu primeiro compromisso, participou de evento sobre impactos da mineração e acompanhamento dos atingidos por parte da Igreja, promovido pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG) – Centro per la Vita Religiosa Regina Mundi . O bispo falou sobre questões relacionadas às consequências da atividade mineradora e a ação da Igreja junto à população e ao poder público. No mesmo dia, participou  de reunião com a equipe do Escritório Geral da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Ordem dos Frades Menores – Franciscanos.

O bispo atende ao convite de organizações de defesa do meio ambiente, após coordenar importante trabalho da Arquidiocese de Belo Horizonte no amparo às vítimas do rompimento barragem de rejeitos de mineração no Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, em janeiro de 2019.

Hoje, a Arquidiocese de Belo Horizonte se tornou referência no apoio da Igreja às comunidades atingidas, em suas necessidades de reparação e respeito à cidadania.

Encontro com o papa

Na  sexta-feira, dia 28 de fevereiro, dom Vicente concelebrou Missa  presidida pelo papa Francisco, na Casa Santa Marta,  no Vaticano, junto com o frei Rodrigo Peret e o padre Dario Bossi, missionário italiano provincial dos combonianos no Brasil.

No sábado, dia 29, o bispo e frei Rodrigo foram recebidos pelo  prefeito e pelo secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Peter Turkson e monsenhor Bruno Marrie Duffé.

Passado um ano do rompimento da barragem em Brumadinho, depois de inúmeras lágrimas, Missas e de tantas caminhadas, dom Vicente compara esse momento com o de Maria ao pé da Cruz, afirmando que “o amor existe, é Deus, mas o amor que resiste até o fim é feminino, é de mulher, é de Maria. A resistência de um amor que não desiste é mariano” – afirmou.

Brumadinho nunca mais

Dom Vicente inspirou-se na Exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia e nos quatro sonhos do papa Francisco (cultural, social, ecológico e eclesial), presentes no documento  para revelar seu sonho em relação a Brumadinho:

“O meu sonho é que Brumadinho pudesse ser para humanidade um caso especial, que a gente tem que se debruçar sobre isso para aprender alguma coisa, porque o meu medo é que Brumadinho seja mais um caso e passe. Eu sei que pode ser uma coisa meio utópica, mas eu peço a Deus que seja assim, que a gente aprenda e diga: nunca mais queremos isso para a humanidade. Nós honraríamos pelo menos o sangue dessas 272 pessoas que, inocentemente, morreram em frações de segundo por esse mar de lamas. Inclusive é por isso que nós estamos aqui.”

Arquidiocese de BH



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