Brasil Política

04/03/2020 | domtotal.com

Regina Duarte é nomeada, demite bolsonaristas terraplanistas e enfrenta críticas de apoiadores do presidente

Atriz assume no lugar do dramaturgo Roberto Alvim, demitido em 17 de janeiro após parafrasear o nazista Joseph Goebbels em discurso

Regina Duarte será empossada no cargo em solenidade no Palácio do Planalto
Regina Duarte será empossada no cargo em solenidade no Palácio do Planalto (Marcos Corrêa/PR)

Depois de um mês e meio de "noivado" com o governo e "teste" no cargo, a atriz Regina Blois Duarte foi nomeada secretária especial da Cultura da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). O decreto que formaliza a atriz na função está publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, dia 4.

Regina Duarte será empossada no cargo em solenidade no Palácio do Planalto marcada para começar as 11 horas desta quarta. A atriz assume o lugar do dramaturgo Roberto Alvim, demitido em 17 de janeiro após parafrasear o nazista Joseph Goebbels em discurso, o que provocou forte repercussão negativa em diferentes setores da sociedade.

O mesmo Diário Oficial da União que traz nesta quarta-feira, 4, a nomeação da atriz Regina Duarte como secretária Especial da Cultura publica as primeiras demissões feitas por orientação da nova titular da pasta.  A maioria dos demitidos faz parte da 'ala ideológica' do bolsonarismo, ligado à pauta dos costumes. Por conta disso, a secretária já enfrenta a tag #ForaRegina no trending topics do Twitter na manhã desta quarta.

Entre os profissionais de diversos órgãos ligados à Secretaria Especial da Cultura exonerados estão Dante Mantovani, até então presidente da Funarte - e que disse que o rock induz às drogas e ao satanismo; Camilo Calandreli, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura; e Paulo Cesar Brasil do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Museus.

A posse tem previsão de cerca de 600 pessoas no Palácio do Planalto. Muitos dos aliados de Roberto Alvim ainda ocupando cargos na Secretaria Especial da Cultura não foram convidados. E alguns dos nomes exonerados hoje foram avisados na terça-feira, por telefone.

Sérgio Camargo, o polêmico presidente da Fundação Palmares - que disse que a escravidão foi benéfica aos descendentes e que não existe racismo no Brasil -, está confiante que fica. Ele chegou a ser afastado momentaneamente do cargo pela Justiça.

Na semana passada, Camargo já se movimentava para formar uma nova equipe alinhada às suas ideias. Em post publicado no Facebook nesta terça-feira, 3, ele diz que tem o "respaldo do presidente Jair Bolsonaro e do secretário do Turismo Marcelo Álvaro Antonio". A Fundação Palmares é ligada à Secretaria Especial da Cultura que, por sua vez, é subordinada ao Ministério do Turismo.

Veja a lista dos demitidos por Regina Duarte e os cargos que ocupavam:

- Paulo Cesar Brasil do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM);

- Reynaldo Campanatti Pereira, secretário da Economia Criativa;

- Rodrigo Maximiniano Junqueira, secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural;

- Camilo Calandreli, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura;

- Marcos de Almeida Villaça Azevedo, secretário de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual;

- Dante Henrique Mantovani, presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte);

- Mauricio Noblar Waissman, coordenador-geral da Política Nacional de Cultura Viva, do Departamento do Sistema Nacional de Cultura;

- Gislaine Targa Neves Simoncelli, chefe de gabinete da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura;

- Ricardo Freire Vasconcellos, diretor do Departamento do Sistema Nacional de Cultura;

- Raquel Cristina Brugnera, chefe de gabinete da Secretaria da Economia Criativa;

- Ednangela dos Santos Barroso dos Santos, diretora do Departamento de Promoção da Diversidade Cultural.


Agência Estado



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