Esporte

05/03/2020 | domtotal.com

Ronaldinho e Assis são impedidos de deixar o Paraguai por tempo indeterminado, diz promotor

Astro do futebol e o irmão Assis, que gerencia sua carreira, foram detidos por uso de documentos falsos

Ronaldinho disse que documentos foram presentes dados pelo contratante
Ronaldinho disse que documentos foram presentes dados pelo contratante (Divulgação/MP Paraguai)

Ronaldinho Gaúcho e Roberto de Assis Moreira ficarão à disposição da Justiça do Paraguai por tempo indeterminado, afirmou nesta quinta-feira (5) o promotor Federico Delfino, responsável pela investigação contra os dois ex-jogadores por porte de documentos falsos. O promotor foi elegante ao não afirmar que o ex-jogador brasileiro, com história no Grêmio, PSG, Atlético, Barcelona e seleção brasileira, está proibidos de deixar o país até que tudo seja esclarecido. Qualquer brasileiro pode ir ao Paraguai somente com a carteira de identidade.

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O astro do futebol e o irmão, que gerencia sua carreira há anos, foram detidos nessa quarta-feira (4) e passaram durante a noite sob custódia das autoridades paraguaias após operação policial na suíte presidencial do Hotel Resort Yacht y Golf Club, em Lambaré, vizinho a Assunção.

Nesta quinta-feira (5) pela manhã, ambos prestaram depoimento na sede do Ministério Público paraguaio, localizada em Assunção. Em seguida, o ex-jogador foi encaminhado para o Departamento de Crime Organizado do país, onde também terá de dar explicações.

"Foi checada a documentação, que chamou a nossa atenção. Para ter a nacionalidade paraguaia, ser paraguaio naturalizado, tem de estar vivendo há algum tempo no país e ter um trabalho fixo, essas coisas. Ronaldinho é uma pessoa de fama mundial... Estou igual a vocês. Já verificamos que os números de passaporte pertencem a outras pessoas. São passaportes originais, mas com dados apócrifos. Esses passaportes foram tirados em janeiro deste ano", informou o promotor Federico Delfino.

O profissional explicou que ambos saíram de São Paulo e desembarcaram no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, onde receberam o passaportes e cédulas de identidade falsas. Portanto, eles não teriam saído do Brasil com os documentos falsos. Ainda de acordo com Delfino, os documentos foram expedidos e retirados no Paraguai entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. As numerações corresponderiam a de outras pessoas, que não tiveram as identidades reveladas, assim como não foi informado se estão enquadradas como suspeitas ou vítimas.

Ronaldinho afirmou, em depoimento, segundo o promotor, que identidades e passaportes foram presentes de uma pessoa que o convidou para visitar o Paraguai, sem revelar seu nome. Na noite de quarta, o brasileiro Wilmondes Sousa foi detido no hotel onde estavam os brasileiros.

O terceiro preso é apontado como a pessoa que entregou os documentos a Ronaldinho logo depois do desembarque no aeroporto paraguaio, antes de irem para o controle de migração. Ronaldinho e Assis chegaram nessa quarta-feira (4) e passaram sem problemas por toda a fiscalização. Fontes do Ministério do Interior do Paraguai explicaram à imprensa local que o Departamento de Identificação informou ao de Migrações que os passaportes não estavam registrados no sistema.

Chocado

Um dos advogados do ex-jogador, Adolfo Marín, disse que o craque está chocado e sem entender o que ocorreu.

"Ele poderia entrar sem problemas com seu passaporte e carteira de identidade brasileira. Ele não é especialista em documentos. Ele acreditaria que eles deram a ele esses documentos de cortesia, de forma honorária. Eles desceram do avião com efervescência, lhes pediram os passaportes, eles os entregaram e aí veio o dilúvio", disse o defensor.

MP do ParaguaiMP do Paraguai

R10 x Justiça

Ronaldinho fechou acordo em setembro de 2019 com o Ministério Público do Rio Grande do Sul para liberar o seu passaporte brasileiro, que estava retido pela Justiça, o que o impedia de realizar viagens internacionais. Ele fez o pagamento, em valor que não foi revelado e acertado em acordo, que permitiu a liberação do documento. Estima-se que tenha sido R$ 6 milhões.

Anteriormente, Ronaldinho e seu irmão Assis haviam sido condenados por crime ambiental em Porto Alegre, em área protegida, no Lago Guaíba. A condenação os multou em cerca de R$ 8,5 milhões. E como não havia feito o depósito do valor, o passaporte do craque havia sido retido pela Justiça, assim como o de Assis.

No ano passado, o ex-jogador foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro como embaixador do Turismo. No fim de outubro, já com o passaporte liberado, viajou para disputar partida festiva em Israel. Desta vez, ele entrou no Paraguai com um passaporte supostamente falso, mesmo com o país vizinho aceitando o RG brasileiro como documento para entrada.


Agência Estado/Dom Total



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