Religião

06/03/2020 | domtotal.com

Papa aceita renúncia do cardeal francês absolvido de acobertar pedofilia

O prelado de 69 anos foi acusado de não ter denunciado à Justiça as agressões cometidas por um padre de sua diocese

Cardeal Philippe Barbarin, com gesto pensativo após chegar a um tribunal de Lyon para seu julgamento, em 7 de janeiro de 2019 na cidade francesa
Cardeal Philippe Barbarin, com gesto pensativo após chegar a um tribunal de Lyon para seu julgamento, em 7 de janeiro de 2019 na cidade francesa (AFP/Arquivos)

O papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Lyon, o cardeal Philippe Barbarin, questionado por seu silêncio diante dos abusos sexuais de um ex-sacerdote de sua diocese, acusação da qual foi absolvido na Justiça – anunciou a Igreja Católica nesta sexta-feira (6).

"Essa renúncia não é uma surpresa. Ele anunciou, renunciou. De todo modo, sentimos que vivemos um momento muito importante para a diocese", declarou o dom Michel Dubost, administrador apostólico que se ocupa da gestão diária da diocese de Lyon, no centro-oeste da França, desde que Barbarin se afastou.

Em uma declaração divulgada ao mesmo tempo no canal católico KTO, Barbarin enfatizou que "esses quatro anos foram anos de grande, grande sofrimento".

"Acho que há um grande sofrimento que as vítimas sofreram primeiro, e é realmente por elas que precisamos rezar. Foram atos horríveis, e é importante que a página seja virada e que venha alguém que percorra um novo caminho com toda diocese de Lyon", afirmou.

Pouco depois de ser absolvido pelo Tribunal de Apelações de Lyon em 30 de janeiro, Barbarin disse estar colocando sua sua renúncia mais uma vez à disposição do papa, para permitir "virar a página" neste caso muito simbólico sobre pedofilia e seu acobertamento por parte da Igreja.

O papa Francisco havia se dado um tempo de reflexão para responder à nova demanda por demissão. Argumentando a presunção de inocência, o pontífice rejeitou sua renúncia em março. A renúncia de Francisco se deu após a sentença de seis meses em primeira instância, enquanto se aguardava a decisão da Corte de Apelação, que finalmente o absolveu.

O prelado de 69 anos foi acusado de não ter denunciado à Justiça as agressões cometidas por Bernard Preynat, um padre de sua diocese, contra jovens escoteiros, entre 1971 e 1991.

"Adeus e obrigado"

A designação do sucessor de Monsenhor Barbarin pode acontecer dentro de um período de "dois a quatro meses".

Por enquanto, Monsenhor Dubost continuará interino. No dia 15 de maio, uma assembleia solene será realizada em Lyon, na presença de Monsenhor Barbarin, para "dizer adeus e obrigado", anunciou o prelado.

Em entrevista à revista "Le Point" publicada em 5 de fevereiro, o cardeal Barbarin declarou que, apesar da absolvição que o "consolou", ele "mudou".

Assim como fez em seu julgamento, o cardeal repetiu que ignorou as ações do padre antes de encontrar uma vítima em 2014. Na origem do caso, o destino de Preynat, despojado de seu status de clérigo em julho passado, será definido em 16 de março.

Suas vítimas relataram os abusos sofridos, entre eles toque, beijos na boca e masturbações impostos pelo religioso.


AFP



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