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09/03/2020 | domtotal.com

Morre o ator Max von Sydow, parceiro de Igmar Bergman e o padre de 'O exorcista'

Sueco trabalhou em mais de 200 produções no cinema e TV e se manteve ativo até os 80 anos

A cena antológica de 'O sétimo selo', de 1957, em que Von Sydow interpreta um cavaleiro que joga xadrez com a morte
A cena antológica de 'O sétimo selo', de 1957, em que Von Sydow interpreta um cavaleiro que joga xadrez com a morte (IMDB)

Atualizado às 14h17

Max von Sydow, ator sueco que participou do cinema de arte, filmes de terror e grandes sucessos de Hollywood, morreu na França aos 90 anos. Sua esposa, a produtora Catherine Brelet, disse à revista Paris Match: "É com o coração partido e tristeza infinita que anunciamos com dor extrema a partida de Max von Sydow em 8 de março de 2020". Desde sua estreia no cinema, no longa sueco Only a mother, Max von Sydow estrelou cerca de 200 filmes e produções para a TV, e se manteve ativo até os 80 anos.

Nascido na Suécia em 1929, o ator de quase dois metros de altura e olhos azuis penetrantes ficou conhecido por sua colaboração com o cineasta Ingmar Bergman. O rosto desolado e a voz rouca do ator eram imediatamente reconhecíveis nas telas de cinema e o tornaram um par ideal para seu compatriota Bergman, com quem colaborou em uma série de filmes aclamados.

Para muitos, o papel mais famoso de Von Sydow foi o do cavaleiro Antonius Block, que joga xadrez com a morte em O sétimo selo, fantasia de 1957 que ajudou a estabelecer a reputação de Bergman além da Escandinávia. O filme é uma alegoria do após-guerra ambientada na Idade Média. A morte pela peste ronda a humanidade, assim como o holocausto nuclear ameaçava a humanidade após os desastres quase consecutivos de duas guerras mundiais devastadoras. Von Sydow encarna o cavaleiro idealista, que tenta adiar o inevitável e, como todos, é derrotado neste jogo de xadrez com as peças marcadas pela fatalidade.

Seus traços marcantes o tornaram intérprete privilegiado da primeira fase da carreira de Bergman. Depois de O sétimo selo, Von Sydow participou de vários outros filmes do mestre sueco: Morangos silvestres (1957), O rosto (1958), No limiar da vida (1958), A fonte da donzela (1960), Luz de inverno (1963), A hora do lobo (1967), A paixão de Ana (1969), A hora do amor (1971). Grandes filmes, com algumas obras-primas entre eles.

Por que Max von Sydow se tornou intérprete tão caro a Bergman? Uma hipótese: sua forma de atuar, interiorizada, expressiva porém contida, combinava à perfeição com o estilo do cineasta e com a expectativa que este tinha em relação à sua obra e seus atores e atrizes. Von Sydow era o ator nórdico por excelência, aquele que traduzia como ninguém as angústias e a profundidade espiritual do seu povo.

Ele se destacou em Hollywood interpretando o padre Merrin no terror clássico de 1973 O exorcista, após o qual trabalhou com Woody Allen em Hannah e suas irmãs, com David Lynch em Duna e Sydney Pollack em Três dias do condor. Também trabalhou em Game of thrones, fazendo o papel do Corvo de Três Olhos. Ele continuou trabalhando até os 80 anos e atuou em Star wars: O despertar da força, de 2015.

Estranhamente, nunca recebeu muitos prêmios. Sydow foi indicado apenas duas vezes ao Oscar: um deles foi por seu papel em Pelle, o conquistador (1987), de Bille August. Pelle recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro e a Palma de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Cannes, entre outras homenagens. Também foi indicado ao Oscar por seu papel de coadjuvante no filme do inglês Stephen Daldry Tão forte e tão perto (2011). Como ele explicava a falta de reconhecimento? "Aos atores que tiveram algum sucesso sempre são oferecidos o mesmo tipo de papéis, e eu sofri com isso", declarou ao jornal sueco Aftonbladet na época do lançamento deste último filme.

Em 1997, Max von Sydow, pai de dois filhos de um primeiro casamento com a atriz sueca Christina Olin, casou-se com a documentarista francesa Catherine Brelet. "Quero morar na França. E quero morrer na França", afirmou o ator quando o casal se estabeleceu na França, onde foi elevado ao posto de Comandante das Artes e Letras em 2005 e feito Cavaleiro da Legião de Honra em 2011. Para o ex-presidente do Festival de Cinema de Cannes Gilles Jacob, "ele era um dos maiores atores do mundo. Era capaz de interpretar papéis espectrais ou perturbadores, mas Max era de uma delicadeza e humanidade comoventes".

Max von Sydow foi um ator completo. Tendo trabalhado tanto com um dos (poucos) gênios do cinema, Ingmar Bergman, podia fazer o que bem quisesse no resto de sua carreira. De pequenos papéis em filmes empenhados a participações "de luxo" em obras mais populares. A todos esses papéis, fáceis ou difíceis, Von Sydow concedia esse toque único, de personalidade, classe e profundidade.


Agência Estado/AFP/Reuters/Dom Total



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