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10/03/2020 | domtotal.com

Em Michigan, democratas debatem quem será melhor para vencer Trump

Situação é difícil para o senador de esquerda, porque ele foi ofuscado depois que Biden ganhou de forma decisiva na Carolina do Sul

Bernie Sanders está na retaguarda depois que seu rival Joe Biden acelerou na corrida presidencial democrata
Bernie Sanders está na retaguarda depois que seu rival Joe Biden acelerou na corrida presidencial democrata (AFP)

Atualizado às 12h34

Seis estados americanos realizam primárias nesta terça-feira (10). De todos, o mais importante é Michigan, de perfil industrial que foi chave para a vitória de Donald Trump, em 2016. Após uma temporada abarrotada de candidaturas, a escolha democrata ficou restrita ao senador Bernie Sanders e ao ex-vice-presidente Joe Biden. A vitória em Michigan reforça o status - reivindicado por ambos - de melhor nome para derrotar o presidente em novembro.

O lugar ocupado por Sanders na disputa é complicado, porque os eleitores avaliam seriamente se devem votar nele ou em Biden para vencer Trump em novembro. A situação é difícil para o senador de esquerda, porque ele foi ofuscado depois que Biden ganhou de forma decisiva na Carolina do Sul e foi apoiado por outros rivais que abandonaram a disputa pela presidência.

Na segunda (9), Biden repetiu o script da semana passada e colecionou apoios formais de antigos adversários. Em Michigan, o senador Cory Booker, que havia abandonado a disputa democrata em janeiro, subiu ao palco ao lado do ex-vice-presidente americano. "São óbvios os motivos do apoio a Biden. Ele é o único capaz de unir um país maltratado", disse.

No domingo (8), a senadora Kamala Harris já havia anunciado seu apoio a Biden. "Ele serviu nosso país com dignidade e precisamos dele mais do que nunca", anunciou. "Farei tudo em meu poder para ajudar sua eleição como próximo presidente dos EUA."

Com os anúncios de Booker e Harris, Biden consegue o apoio de dois importantes políticos negros dos EUA, um setor do eleitorado considerado crucial para qualquer candidato democrata. A movimentação não passou desapercebida pela campanha de Sanders, que ficou durante a semana em Michigan tentado reverter a situação.

Na noite de sábado,  Sanders tentou cortejar os eleitores negros. Em discurso na cidade de Flint, Biden foi chamado de "centrista neoliberal" e o establishment do partido foi criticado por ter "falhado com a comunidade negra".

Os últimos eventos de campanha em Michigan têm sido um reconhecimento de que a campanha de Sanders luta para melhorar sua avaliação entre os eleitores negros, quatro anos depois de perder para Hillary Clinton, em 2016, a candidatura democrata à presidência, em parte por sua incapacidade de obter apoio dessas comunidades.

Reta final

Na Superterça, na semana passada, Biden superou Sanders em 40 pontos porcentuais ou mais entre os eleitores negros no Texas, Carolina do Norte e Virgínia. Em vários estados, o senador democrata ficou em terceiro lugar entre os negros, atrás não apenas de Biden, mas também de Michael Bloomberg.

Assessores dizem que Sanders ainda trabalha para melhorar sua posição com os eleitores negros, admitindo que vencer em Michigan - um estado em que eles compõem uma parcela significativa do eleitorado do Partido Democrata - será muito difícil.

Liderança


Os números das pesquisas, no entanto, são ruins para o senador de maneira geral. Segundo as últimas sondagens, Sanders vem perdendo apoio também entre sua base histórica, de eleitores brancos da classe operária, outro naco importante do voto em estados-chave, como Michigan, Ohio, Wisconsin e Pensilvânia. E a campanha de Biden vem conseguindo avançar sobre essa fatia do eleitorado, principalmente evocando a lembrança de Barack Obama, de quem Biden era vice.

Domingo, em Detroit, maior cidade do estado, a governadora de Michigan, a democrata Gretchen Whitmer, disse que Biden era o único candidato que poderia melhorar a vida dos operários do setor automotivo, lembrando o pacote de estímulos dado em 2008 para evitar o colapso da indústria.

"Qualquer pessoa que esteja dentro ou se veja afetada por essa indústria, ou seja, todos no nosso Estado, devem pensar para onde estamos indo e quem nos ajudou no passado, especialmente durante a o resgate das montadoras", disse Whitmer. "Eles foram Barack Obama e Joe Biden", disse.

Em fevereiro, Sanders liderava as pesquisas em Michigan. O senador, que vinha de boas votações nas primeiras prévias, tinha cerca de 30% das intenções de voto. Biden estava empatado com Bloomberg na segunda posição, com 17%. Mas, em duas semanas, a eleição virou. Hoje, após o abandono dos adversários, Biden tem quase 55% das intenções de voto no Estado, bem à frente de Sanders, com 31%.

Além de Michigan, os democratas realizam prévias hoje também nos Estados de Idaho, Mississippi, Missouri, Dakota do Norte e Washington. Vence a candidatura do partido quem obtiver 1.990 delegados, maioria simples de um total de 3.979, na convenção nacional do partido em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho.

No placar de delegados, Biden mantém uma vantagem sobre Sanders. O ex-presidente americano tem 664 delegados, enquanto o senador obteve 573, de acordo com projeção da Associated Press. A diferença de 91 pode não parecer significativa, mas como as primárias estaduais democratas distribuem proporcionalmente seus delegados, está cada vez mais difícil evitar uma candidatura de Biden.

Momento decisivo


O momento será decisivo para Sanders caso consiga reverter o cenário, como forma de fortalecer e demonstrar sua força entre os eleitores brancos da classe trabalhadora como mostrou em 2016, quando obteve uma impressionante vitória nas primárias democratas em Michigan, que lhe deu forças para seguir até o final da corrida presidencial, quando acabou sendo ultrapassado por Hillary Clinton.

Porém, se o socialista democrata, de 78 anos, não conseguir ganhar nesse estado do centro oeste e conseguir se aproximar de Biden, isso poderá acabar com as suas chances. Em 2016, Sanders ganhou espaço entre os eleitores brancos e a classe trabalhadora que se sentia ignorada por Washington e os democratas que estavam no poder. 

O senador descartou os discursos de campanha programados para o Mississipi e Illinois, aumentando compromissos eleitorais em Michigan, incluindo uma manifestação no domingo na Universidade de Michingan, onde convidou os eleitores jovens a se posicionar. "Apoio o Bernie porque sinto que conseguirá muitos eleitores que Trump ganhou em 2016", disse Alvin Hermans, estudante de informática, de 19 anos.

Mas o apoio de Sanders entre os eleitores brancos nas zonas rurais, socialmente conservadores, tem mostrado diminuição. Agora está buscando aumentar o apoio entre os sindicatos como o United Auto Workers, cujos membros chegaram a um acordo com a General Motors no último ano, depois de uma paralisação decisiva ocasionada por motivos como os gastos médicos exorbitantes.

Tony Totty, de 44 anos e membro desse sindicato, acredita que as propostas em relação ao cuidado médico levou muitos colegas de trabalho a trocar a escolha de Trump para Sanders. O fechamento de uma importante fábrica da GM, em 2019, também frustrou a promessa de Trump de gerar empregos na região.

"Em nossas fábricas, tenho muitos companheiros que se sentem traídos, e no momento das eleições suas vozes serão escutadas", disse Totty, do estado de Ohio. Totty esteve em Monroe, em Michigan, para apoiar os membros do sindicato Teamsters no domingo durante uma greve por causa de motivos similares.

Um dos caminhoneiros participantes da greve, James Focht, disse acreditar que um candidato de centro poderia ser mais viável do que alguém como Sanders. "Acredito que haja um meio termo a ser levado em conta", disse. "Talvez Joe Biden possa fazer isso", opinou.

E o moderados?

Eric Read, um profissional de serviço social clínico, assistiu o comício de Sanders no último sábado em Flint, considera que ser moderado pode ser um erro. "Quando os democratas se mostram mais moderados não conseguem obter a participação como quando tem um candidato mais inclinado à esquerda", argumentou Read.

Sanders é "quem pode vencer Trump", disse o homem de 34 anos. O caminhoneiro Craig Walker de Dundee, Michigan, disse que apoia Trump e que a nomeação de Sanders facilitaria a reeleição do republicano, porque seria muito fácil categorizá-lo de socialista.

Pesquisa

Uma pesquisa de opinião Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (9) indicou que a saída de Elizabeth Warren da corrida presidencial democrata parece ter beneficiado mais Biden do que Sanders. A pesquisa realizada de sexta a segunda mostrou que 47% dos democratas e independentes registrados disseram que votariam em Biden se as disputas em seu estado fossem realizadas agora, um aumento de 7 pontos em comparação com uma pesquisa semelhante realizada pouco antes de Warren suspender sua campanha, na quinta-feira. O apoio ao senador Sanders ficou em 30%, sem alteração em relação à pesquisa anterior.

A pesquisa foi realizada on-line, em inglês, nos Estados Unidos. O levantamento reuniu respostas de 1.114 adultos norte-americanos, incluindo 541 que se identificaram como democratas ou independentes registrados. A pesquisa tem margem de erro de 5 pontos percentuais.


Reuters, DomTotal e Agência Estado



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