Meio Ambiente

11/03/2020 | domtotal.com

Em 50 anos a Amazônia pode entrar em colapso, afirma estudo

O recife de coral do Caribe pode desaparecer em 15 anos de devido a mudanças climáticas

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e cerca de 20% da bacia amazônica desapareceu desde 1970
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e cerca de 20% da bacia amazônica desapareceu desde 1970 (AFP/Arquivos)

A floresta amazônica está chegando a um ponto sem retorno sob o efeito das mudanças climáticas e pode se transformar em uma savana árida dentro de meio século – alertam pesquisadores em um estudo publicado na Nature Communications.

Outro importante ecossistema, o recife de coral do Caribe, pode desaparecer em 15 anos se também passar por um ponto sem retorno, disseram cientistas do mesmo estudo. Essas mudanças teriam consequências dramáticas para os seres humanos e para outras espécies que dependem desses habitats, avisam os pesquisadores.

Nos dois casos, as causas dessas modificações são as mudanças climáticas provocadas pela ação do homem, assim como pelos danos ambientais – desmatamento, no caso da Amazônia; poluição e acidificação oceânica, para os corais.

Segundo os trabalhos dos especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), 90% dos corais em águas rasas estarão condenados, se o aquecimento global atingir 1,5 grau Celsius em comparação com o período pré-industrial. Um aumento de 2 graus Celsius significará seu desaparecimento quase completo. O aquecimento já atingiu 1 grau Celsius.

Em relação à Amazônia, o ponto de inflexão é menos claro, mas os cientistas acreditam em que a perda de 35% de sua superfície provocará seu desaparecimento.

Cerca de 20% da floresta amazônica, que cobre mais de cinco milhões de quilômetros quadrados em sete países, foi arrasada desde 1970, principalmente para o cultivo de soja, madeira, óleo de palma, biocombustíveis, ou criação de gado. Só no Brasil, que abriga mais da metade da floresta, mais 19% da floresta desapareceu nos últimos 50 anos.

As áreas mais atingidas são a parte da bacia amazônica e no 

Aceleração das mudanças

"A humanidade deve se preparar para mudanças muito mais rápido do que o esperado", alertou o principal autor do estudo, Simon Willcock, da Universidade de Bangor.

O ecossistema da Amazônia pode, portanto, ruir nos próximos anos, de acordo com ele e seus colegas. Os incêndios florestais que ficaram fora de controle na Amazônia e na Austrália sugerem que muitos ecossistemas estão "à beira do abismo", acrescentou.

"Se não agirmos rapidamente, podemos estar prestes a perder uma das maiores e mais diversas florestas tropicais, que evoluiu ao longo de 58 milhões de anos, das quais dezenas de milhões de pessoas dependem", diz Alexandre Antonelli, do Royal Botanic Gardens de Kew, que não participou do estudo.

Outro estudo publicado na semana passada indicou que os bosques tropicais no mundo estão perdendo rapidamente sua capacidade de absorver o dióxido de carbono procedente dos combustíveis fósseis, principais causadores do aquecimento global.

As florestas, especialmente tropicais, absorvem entre 25% e 30% da quantidade de CO2 expulsa pelo homem para a atmosfera. Os oceanos fazem o mesmo para algo entre 20% e 25%.

Os ecossistemas podem mudar, às vezes rapidamente, sob estresse. Os pesquisadores estudaram essas mudanças em 40 regiões naturais de diferentes tamanhos. Um deles, o Sahel africano, passou de uma paisagem florestal para o deserto – embora em um período mais longo de tempo.

"Os grandes ecossistemas podem entrar em colapso mais rápido do que imaginávamos", disse o coautor do estudo, John Dearing, professor da Universidade de Southampton, na Inglaterra.

O reflorestamento de áreas recém desmatadas e que não foram usadas para a agricultura pode ser uma saída, afirma um estudo sobre restauração de florestas tropicais da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália. As árvores plantadas nesse tipo de solo absorvem carbono mais rapidamente que as árvores mais “velhas”. 

No entanto, as árvores de reflorestamento em solos que foram constantemente desmatados acumulam menos carbono e são menos ricas em biodiversidade que árvores nativas da floresta amazônica.


AFP/Dom Total

EMGE

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