Cultura

13/03/2020 | domtotal.com

SOS

Vem, poesia, traz acalento e transforma esses tristes dias da avistada (constatada) pandemia

Soldados sul-coreanos com roupa de proteção
Soldados sul-coreanos com roupa de proteção (Yonhap/ AFP)

Eleonora Santa Rosa*

Não há como escapar ao coronavírus, em termos de reflexão, não de infecção.

Assunto que assola todos os veículos de comunicação, da manhã à madrugada, em bombardeio sem trégua sobre o que se espalha em escala abissal, inaugurando período prolongado de afastamentos e adoção de novos modelos de comportamento, convivência e envolvimento.

Tristeza pela Itália (não só) fechada, pela discriminação generalizada, filha dileta de situações-limite, em forma de banimento, segregação, isolamento e solidão. Coração em suspense quanto ao próximo boletim, trazendo a evolução da nova peste, o acirramento das medidas de prevenção, em restrição sem precedente, agravada situação que afeta, em predileção, pobres/ricos anciãos.

Melancolia crescente pelos museus, escolas, teatros, cinemas, espaços cerrados, transmutados em territórios de cultura deserdada.

Deprimente constatação da mais absoluta falta de noção expressa em recente declaração ecoada para além dos quatro cantos da nação – absurdo surto de alienada siderada consideração do virulento vírus em propagação.

Batendo às portas do paraíso tropical, a preocupante realidade que já se avizinha com efeito letal, trazendo quarentena infernal.

Vem, poesia, traz acalento e transforma esses tristes dias da avistada (constatada) pandemia:

tristia
minicâmaras térmicas
para inativação do vírus da
tristeza
em borbulhas de
citros

(Poema de Haroldo de Campos - A educação dos cinco sentidos –1985).

*Eleonora Santa Rosa é jornalista



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