Brasil

23/03/2020 | domtotal.com

Domingo é dia de clássicos

Segundo um velho aforismo, só existem dois tipos de música: a boa e a ruim

Lucas Bernarde é um gênio como o são todos os grandes instrumentistas
Lucas Bernarde é um gênio como o são todos os grandes instrumentistas (Julio Rionaldo/ Unsplash)

Afonso Barroso*

Chama-se Lucas Bernardes o violinista que ouvi em um dos programas Concertos Matinais, da TV Cultura . Ele executou uma peça de Mendelsson para violino e orquestra. Meu queixo só não caiu porque o segurei o tempo todo. É uma obra dificílima, de alto nível e alto risco, que explora as possibilidades infinitas do violino e obriga o instrumentista a recorrer a toda sua habilidade com o arco e os dedos. Lucas, mulato dos seus vinte e poucos anos, é solista da Orquestra Jovem de São Paulo. Ao final da apresentação, o maestro Cláudio Cruz cumprimentou-o com o mesmo entusiasmo com que a plateia o aplaudia, de pé. Do lado de cá da tela, minha admiração não era menor. É um gênio o rapaz, como gênios são todos os grandes instrumentistas, e não apenas os compositores.

Ouvir os Concertos Matinais da Cultura é um dos meus hábitos nas manhãs de domingo. Antes do jovem Lucas eu tinha visto e ouvido dois jovens tocando magnificamente uma peça de Mozart para clarineta e harpa. Nunca soubera que Mozart compunha também para harpa. É impressionante como os grandes gênios da música daquela época compunham para todo tipo de instrumento. Acho que Mozart teria composto uma sinfonia para berimbau e pífano se houvesse esses instrumentos no seu tempo. Quem me encantou nessa apresentação foi uma jovem harpista cujo nome não guardei. Linda, linda, ela toca sorrindo para as cordas da harpa, e de vez em quando para algum ponto infinito da sua sensibilidade. No concerto, tocava mais enlevada do que eu, dedilhando o elegante e pesado instrumento como se estivesse subindo aos Céus.

Minhas filhas, quando pequenas, não entendiam bem a variedade dos meus gostos musicais. Antes de se mudarem para suas próprias casas, me viam assistindo ao programa Viola Minha Viola, com a Inezita Barroso, que apresentava os melhores violeiros, cantores e duplas da música caipira. Me viam assistindo ao programa Sr. Brasil, do Rolando Boldrin, de música popular, no qual se apresentam artistas conhecidos e semidesconhecidos, de todos os cantos e talentos. Me viam assistindo ao programa Samba na Gamboa, apresentado pelo cantor Diogo Nogueira, o filho do João. Me viam assistindo ao Prelúdio, único programa de calouros de música clássica do País, ou aos Concertos Matinais, em que se apresentam orquestras executando as mais belas obras dos grandes compositores clássicos.

Acontece, meus caros amigos e amantíssimas amigas, que sou adepto daquele aforismo segundo o qual só existem dois tipos de música, a boa e a ruim. Gosto da boa, que pode ser tanto de Mozart, Mendelsson ou Tchaicovsky quanto de Tom Jobim ou Luiz Gonzaga ou Elomar ou Pereira da Viola.

E mais não digo, porque estamos chegando às nove desta manhã de domingo e vou migrar agorinha do computador para a TV, onde o Boldrin me espera.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
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