Brasil

19/03/2020 | domtotal.com

Amor nos tempos do corona

Como receber e dar amor em tempos de doença grave e de cólera no sentido raivoso do termo

Portar álcool gel ajuda muito, mas, se não puder comprar, use sabonete, sabão, álcool comum
Portar álcool gel ajuda muito, mas, se não puder comprar, use sabonete, sabão, álcool comum (Unsplash/ Claudio Schwarz - @purzlbaum)

Ricardo Soares*

Mais uma vez ano passado percorri trechos da Colômbia que, como nós, padece com o coronavírus. Dessa vez passei por lugares onde Gabriel Garcia Márquez situou o seu lindo romance O Amor nos tempos do cólera e é inevitável que nesses tempos de pandemia eu evoque, através do autor colombiano, justamente o que propõe o título de seu livro. Como receber e dar amor em tempos de doença grave e de cólera no sentido raivoso do termo.

Em primeiro lugar já ajuda se todos nós dermos amor e esclarecimentos uns aos outros. Sem notícias falsas que disseminem o pânico, mas também sem subestimar o perigo que nos ronda. Se não puder beijar, acene. Se não puder abraçar pisque os olhos em sinal de cumplicidade. São muitas as maneiras de demonstrar açúcar e afeto ao semelhante. Começando por esclarecer aos incautos e aos que não tem maior acesso a informação que portar álcool gel ajuda muito, mas, se não puder comprar, use sabonete, sabão, álcool comum. Lavar as mãos toda hora. Mãos que acenam não se gastam pelo excesso de água de limpeza.

Amor também é só comprar o necessário porque o necessário é necessário aos outros também. Seus amigos, seus vizinhos, seus parentes. Sem essa de estocar o que não precisa. Papel higiênico por exemplo: quem me explica essa onda de estocar o produto? é uma pandemia de diarreia? não né? 

Cuidar dos nossos velhos paradoxalmente nesse momento é ficar o mais distante deles o possível. Estão vulneráveis. Então orai e vigiai quem for de oração. Cuidai quem for de cuidados ateus. Cuidados aos teus. Os velhos precisam ser assistidos. Mas que fiquemos afastados. Vai fazer compra para eles? Deixa na porta a encomenda. E não esqueça de deixar um sorriso quando o vô ou a vó espiarem pelo olho mágico da porta.

O que está acontecendo nem a maravilhosa ficção delirante e fantástica do já citado Gabriel Garcia Márquez daria conta. Mas, antena da raça que foi, Gabo antecipou com sua ficção o que precisamos aqui e agora. Amor e empatia nos tempos do corona.

*Ricardo Soares é diretor de tv, roteirista, escritor e jornalista. Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários. Em maio sai “Devo a eles um romance”.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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