Cultura

20/03/2020 | domtotal.com

Delirante

O Brasil mergulha em situação de imprevisibilidade política, econômica, social

Presidente Jair Bolsonaro, o timoneiro na travessia da pandemia, com sua inabilidade em colocar uma máscara durante coletiva
Presidente Jair Bolsonaro, o timoneiro na travessia da pandemia, com sua inabilidade em colocar uma máscara durante coletiva (Adriano Machado/ Reuters)

Eleonora Santa Rosa*

Semana de revoltas, reviravoltas, reações surpreendentes, panelaços em profusão, indicando que a pressão vai subir cada vez mais e que não há limite para o despreparo presidencial. Inacreditável o desenrolar dos últimos acontecimentos. Não sabemos o desfecho dessa crise, o tempo de duração, o número real de vidas comprometidas pela pandemia e o tamanho da alienação da nossa sociedade e do alto escalão governamental.

O Brasil mergulha em situação de imprevisibilidade política, econômica, social, com o alerta máximo na Saúde, informações desencontradas e números subestimados em relação ao alastramento do coronavírus e suas seríssimas consequências, que radicalizam e agravam a já precária situação do sistema hospitalar nacional.

Em momento tão delicado e complexo, constrangimento absoluto pela postura de um presidente cujo comportamento é oposto à sobriedade e lucidez que o momento presente exige e requer. Na direção contrária aos demais chefes de estado em todo mundo, adota uma rota biruta, lunática, desencontrada, compartilhada e autenticada por gente tão irresponsável quanto, que também não faz a menor ideia da magnitude e seriedade da avalanche que se alastra com força descomunal e que levará indiscriminadamente faroleiros, oportunistas, puxa-sacos, falsos profetas e partidários da mitomania, além de milhares de cidadãos, sobretudo os anciãos.

Patética coletiva de primeiro escalão, em que a maior parte das autoridades sequer conseguiu colocar, corretamente, a máscara no rosto, aliás, adereço equivocado em cenário para “inglês” ver, onde o único interlocutor de bom senso, preparado e ciente do que se passa, era o titular da Saúde. Provavelmente, em muito pouco tempo, o veremos defenestrado de suas funções pelo ciúme e inveja do apequenado núcleo familiar do nano mandatário.

Nunca se viu tamanha inconsequência, agravada pelo delírio de uma infundada imunidade pessoal posta à prova em patriotada de eleitores dispostos ao risco de contaminação indiscriminada. Timoneiro do atraso, capitão à deriva, basta, “acabou”, como muito bem disse, em nome de muitos, o nobre calmo íntegro imigrante haitiano frente a frente com o mito-salvador, “você não é presidente mais”.

Acorde com o barulho das panelas, delirante, retire-se para o bem da nação!

Eleonora Santa Rosa é jornalista



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