Brasil

24/03/2020 | domtotal.com

Bolsonaro contraria ministro, OMS, infectologistas e pede volta à normalidade

'Sem pânico e sem histeria, venceremos o vírus, e nos orgulharemos de estar vivendo nesse novo Brasil'

'Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos. Devemos, sim, voltar à normalidade', disse Bolsonaro em seu pronunciamento
'Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos. Devemos, sim, voltar à normalidade', disse Bolsonaro em seu pronunciamento (Reprodução Youtube)

Contra todas as medidas já tomadas e contra todas as informações dadas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento na noite desta terça-feira (24) em cadeia nacional pedindo que a população volte à normalidade.  Várias capitais registraram panelaços durante a fala do presidente.

Segundo ele, o resgate dos brasileiros de Wuhan apareceu como uma espécie de "sinal amarelo" para o governo. "Começamos a nos preparar para enfrentar o Coronavírus, pois sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele chegaria ao Brasil", explicou. Para iniciar esse enfrentamento, Bolsonaro disse que o ministro da Saúde se reuniu com as secretárias da pasta em todos os estados "para que o planejamento estratégico de enfrentamento ao vírus fosse construído".

O novo coronavírus provocou mais de 18 mil mortes no mundo desde dezembro de 2019, quando foram registrados os primeiros casos na China. No Brasil, onde ainda não atingiu o pico, a doença matou 46 pessoas.

O trabalho de Luiz Henrique Mandetta, atual ministro da Saúde, foi elogiado pelo presidente. Mas em seguida, Bolsonaro mudou o tom. Mais uma vez ele atacou os meios de comunicação que teriam, em sua opinião, espalhado a "sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália. Um país com um grande número de idosos e com clima totalmente diferente do nosso".

"O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade. 90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine", disse o presidente, indo na contramão mundial. Em seguida, voltou a classificar a doença como 'gripezinha'.

"No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão".

Panelaço

Mais uma vez, Bolsonaro foi alvo de panelaços. Durante o terceiro pronunciamento de Bolsonaro em cadeia nacional de rádio e televisão em 20 dias, moradores de vários bairros de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília voltaram a usar as panelas para protestar contra ele.

Na capital mineira, manifestações ocorreram em bairros da zona leste, centro-Sul, Pampulha, entre outras.

Na zona sul da capital paulista, moradores do Panamby fizeram protesto contra Bolsonaro e o panelaço, além dos gritos de "Fora Bolsonaro", continuou mesmo depois do fim do pronunciamento. Ainda na zona sul, moradores do Paraíso e da Saúde também bateram panelas.

Na Lapa, zona oeste da capital, além do panelaço, os manifestantes usaram vuvuzela e gritaram "Fora, Bolsonaro". Também houve manifestações na Vila Madalena e Perdizes (na zona oeste) e Bela Vista e Santa Cecília (centro).

No litoral de São Paulo, moradores de Santos se manifestaram contra o governo. No Vale do Paraíba, houve manifestação ao menos em São José dos Campos.

Em Brasília, vizinhos do presidente também aderiram aos atos. Barulhos de panelas foram ouvidos na Asa Norte, com "Fora, Bolsonaro", e na Asa Sul.

Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que está com a Covid-19,  afirmou nesta terça-feira, dia 24, que o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, foi grave e cobrou uma liderança "séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Ele se pronunciou em nota divulgada pela assessoria de imprensa.

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