Meio Ambiente

06/04/2020 | domtotal.com

Ciclone Harold atinge Vanuatu em seu avanço pelo Pacífico sul

Catástrofe provocou muitos danos nas Ilhas Salomão, com ao menos cinco pessoas mortas e 22 desaparecidas

O ciclone Harold está ganhando força e ameaça Vanuatu, que ainda se recupera da devastação provocada pelo ciclone Pam em 2015
O ciclone Harold está ganhando força e ameaça Vanuatu, que ainda se recupera da devastação provocada pelo ciclone Pam em 2015 (AFP/Arquivos)

Um ciclone ganhou intensidade nesta segunda-feira (06) ao atingir o norte das ilhas Vanuatu, no Pacífico Sul, e ameaça provocar uma catástrofe natural que, segundo especialistas, debilitaria o país pobre na luta para permanecer à margem da pandemia do novo coronavírus.

O ciclone tropical Harold, que deixou pelo menos cinco mortos e 22 desaparecidos nas Ilhas Salomão no fim da semana, se fortaleceu no domingo ao avançar para o leste, informou o serviço meteorológico de Vanuatu. Os ventos atingem os 235 km/h e as autoridades alertaram várias províncias de Vanuatu, país de 300 mil habitantes composto por 80 ilhas que se estendem por 1,3 mil km.

O ciclone tocou o solo na remota costa leste da ilha do Espírito Santo na manhã desta segunda-feira e seguia em direção à segunda maior cidade do arquipélago, Luganville, que tem população de 16,5 mil habitantes. Os moradores foram advertidos para o risco de inundações e as autoridades pediram que os barcos permaneçam no porto.

A previsão é de que o ciclone Harold alcance na manhã de terça-feira (07) o norte da capital, Port Vila. "No momento, não temos informações sobre feridos, e sim de muitos danos", afirmou a secretária-geral da Cruz Vermelha de Vanuatu, Jacqueline de Gaillande.

Outra preocupação é o impacto que um grande desastre natural poderia ter nos esforços de Vanuatu para permanecer como um dos poucos países do mundo livre da Covid-19. Vanuatu fechou virtualmente suas fronteiras para evitar o vírus, mas medidas de emergência, como a proibição de reuniões públicas, foram suspensas para permitir que as pessoas seguissem até os abrigos.

"O foco era o Covid-19 e agora mudou para a resposta ao ciclone", disse Augustine Garae, coordenadora da Cruz Vermelha de Vanuatu. "Entendemos que algumas pessoas em algumas comunidades não estão bem preparadas", completou.

Um ciclone de mesma intensidade devastou a capital de Vanuatu em 2015 e matou 11 pessoas e exigiu uma operação de ajuda internacional. Se algo semelhante for necessário agora, existe o risco de importação do vírus ao país, que carece de uma infraestrutura de saúde para enfrentar inclusive um foco moderado.

Em seu avanço, o ciclone Harold provocou muitos danos das Ilhas Salomão. Ao menos cinco pessoas morreram e 22 estão desaparecidas depois que um ferry fretado como parte da luta contra o novo coronavírus foi arrasado pelas ondas produzidas pelo ciclone, informou no domingo a polícia local.

O "MV Taimareho" zarpou na noite de quinta-feira da capital, Honiara, em direção a West Are'are, na ilha de Malaita, a mais de 120 km de distância. O trajeto fazia parte de um programa governamental para evacuar as pessoas para seus povoados de origem com a finalidade de lutar contra a pandemia do novo coronavírus.



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AFP



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