Religião

07/04/2020 | domtotal.com

Como celebrar a ressurreição em meio ao sofrimento da pandemia?

'Celebrar a ressurreição com as igrejas fechadas e sem poder participar presencialmente do sacrifício da Missa não deve ser para nós motivo de dor'

'Não existe pandemia ou doença capaz de afastar Jesus Cristo de sua igreja'
'Não existe pandemia ou doença capaz de afastar Jesus Cristo de sua igreja' (Pixabay)

*João Eduardo S. Mariana

Na noite do próximo sábado (11), a igreja se unirá em todo o mundo para anunciar a ressurreição de Cristo. Com o fogo bento e o Círio aceso, os fiéis reunidos não presencialmente, mas pela força da fé, vão erguer louvores a Deus pela vitória do filho sobre o pecado e a morte. Agora, como celebrar a Páscoa neste tempo de tamanha tristeza? É possível vivenciar este tempo novo, mesmo nas incertezas de uma pandemia? Perguntas que fazem a emoção tomar conta de nós.

Creio que nos cabe uma reflexão acerca de um episódio do Evangelho de Lucas, quando dois discípulos tristes por causa do que havia acontecido a Jesus se colocaram em direção a uma pequena aldeia, conhecida como Emaús. Uma distância razoável, percorrida a pé por aqueles dois homens que, no caminho, iam partilhando tudo o que havia acontecido. Na metade da estrada surge do meio do nada um homem. Em uma partilha, o andarilho se junta aos dois discípulos, e os três começam o percurso.

E, como em muitas das surpresas que a vida nos reserva, surge daquele homem desconhecido as respostas que aqueles dois discípulos tanto procuravam. O evangelista nos afirma que aquele homem começou a ensiná-los, passando pelas escrituras, revelando aos sofridos seguidores do mestre o que estava acontecendo e os motivos pelos quais o sacrifício do Messias era necessário. Após uma refeição, na fração do pão, os olhos daqueles dois se abriram, reconhecendo o mestre “no partir do pão”.

Naquele momento, como que numa necessidade ardente de carinho e presença do mestre em suas vidas, os discípulos emitem uma frase que se tornou ao longo da história uma oração, principalmente para quem se sente longe de Deus e de sua proteção de pai: “Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia”. Ouvindo o apelo dos discípulos, o mestre que se tornou andarilho entrou e ficou com eles.

Esta, irmãos, é a nossa Páscoa. O Cristo vem ao nosso encontro mais uma vez, vencendo o inimigo mortal, que até então escravizava o gênero humano por causa do pecado. A humanidade humilhada por escolhas erradas volta ao seio de Deus, redimida pelo suplício de Cristo na Cruz. Celebrar a ressurreição com as igrejas fechadas e sem poder participar presencialmente do sacrifício da Missa não deve ser para nós motivo de dor, mas de esperança. Celebrar a vitória da Páscoa com Cristo é ter a certeza de que, assim como nos diz São Paulo, somos mais do que vencedores pela virtude daquele que nos amou primeiro.

Não existe pandemia ou doença capaz de afastar Jesus Cristo de sua igreja. Nem o amor de Cristo de perto de você, meu irmão. Neste ano teremos a Páscoa, como em todos os anos. Celebre com a força da sua Fé, na presença de sua família se possível, na alegria de saber que somos um povo que venceu através da Cruz do Senhor. E um apelo: na noite do Sábado, rezando a Vigília Pascal na sua casa, reze por quem ainda precisa encontrar um sentido para tanto sofrimento. Assim como em Emaús, Jesus está disposto a caminhar com outros discípulos. Seja você o próximo.


*João Eduardo S. Mariana, Jornalista e colaborador da Arquidiocese de BH.



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