ESDHC

14/04/2020 | domtotal.com

Professor da EMGE comenta carta para o uso de Inteligência Artificial

Apesar da assinatura do documento, as empresas ainda não sabem como acontecerá a implantação das políticas de transparência

Inteligência Artificial deve respeitar a privacidade humana e ser imparcial em seu funcionamento
Inteligência Artificial deve respeitar a privacidade humana e ser imparcial em seu funcionamento (Pixabay)

Devido ao grande avanço tecnológico atual, o Papa Francisco viabilizou, neste ano, um congresso internacional sobre a Inteligência Artificial (IA) e os seus desafios. O evento “O bom algoritmo? Inteligência Artificial: ética, lei, saúde” propôs discussões sobre o tema, que culminaram na assinatura de uma carta com recomendações para a conscientização de empresas, governos, religiões e sociedade.

A Microsoft, a IBM e a Pontifícia Academia para a Vida foram as primeiras a assinar a carta, intitulada “Chamada para a Ética”. Ela pede que tecnologias de IA sejam desenvolvidas a favor da evolução dos seres humanos. Participaram, entre outros, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, e o diretor geral da FAO, Qu Dongyu.

O objetivo da carta é propor que a tecnologia seja desenvolvida de maneira a respeitar a privacidade humana, trabalhar de forma confiável e constante e, principalmente, ser imparcial em seu funcionamento. O documento é visto como um primeiro passo dentro de uma crescente preocupação com o uso da IA no dia a dia da sociedade.

Apesar da assinatura da carta de recomendações, as empresas ainda não sabem como acontecerá a implantação das políticas de transparência. Além do acordo, o Vaticano avalia a emissão de um documento papal de princípios éticos da Inteligência Artificial.

O professor da EMGE Escola de Engenharia, Jacques Fux, teve acesso à carta e analisou os principais pontos. Confira abaixo:

A carta do Vaticano sobre as recomendações de uso da Inteligência Artificial tem como objetivo chamar a atenção para os perigos iminentes dessa tecnologia. Apesar de já nos trazer benefícios – e a promessa é que traga ainda mais – é fundamental legislar e criar uma consciência global de que essa ferramenta, usada de forma errada, pode (e vai) colocar em risco a própria espécie humana como conhecemos hoje.

O Vaticano está atento que essa tecnologia pode criar diferenças sociais ainda mais gigantescas e até, como conjectura Yuval Harari, distintas espécies humanas. Para que isso não ocorra, há uma recomendação explícita: “o desenvolvimento da IA a serviço da humanidade e do planeta deve refletir-se em regulamentos e princípios que protegem as pessoas – particularmente os fracos e os menos privilegiados – e os ambientes naturais”.

Outro ponto alto das recomendações do uso de IA são os princípios, que, apesar de muito difíceis de serem seguidos – controlar todos que trabalham com essa tecnologia é impossível – seria importante tê-los como norte e foco: “1. Transparência: em princípio, os sistemas de IA devem ser explicáveis; 2. Inclusão: as necessidades de todos os seres humanos devem ser levadas em consideração para que todos possam se beneficiar e todos os indivíduos possam oferecer as melhores condições possíveis para se expressar e se desenvolver; 3. Responsabilidade: aqueles que projetam e implantam o uso da IA devem proceder com responsabilidade e transparência; 4. Imparcialidade: não crie ou atue de acordo com vieses, lute pela justiça e a dignidade humana; 5. Confiabilidade: os sistemas de IA devem poder trabalhar de maneira confiável; 6. Segurança e privacidade: os sistemas de IA devem funcionar com segurança e respeitar a privacidade dos usuários”.

Porém, outra diretriz recomendada, já vem sendo corrompida. Quando o Vaticano diz: “a tecnologia baseada em IA nunca deve ser usada para explorar as pessoas de forma alguma, especialmente as mais vulneráveis” sabemos que as redes sociais têm manipulado massas e foi até responsável por mudanças políticas. Por isso, temos que ficar ainda mais atentos.


Necom Dom Helder e EMGE/Com Vatican News e Em Companhia



Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.
EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC.
Saiba mais!