Direito

28/04/2020 | domtotal.com

Pastor evangélico e idealista: saiba quem é André Mendonça, novo ministro da Justiça

Servidor público de carreira, André Mendonça é apontado como um técnico e pode ser indicado para o STF como o 'terrivelmente evangélico' prometido por Bolsonaro

Ex-advogado-geral da União destacou que continuará
Ex-advogado-geral da União destacou que continuará "desenvolvendo o trabalho técnico" que pauta sua conduta. (José Dias;PR)

Com a missão de substituir o ex-juiz Sérgio Moro, o recém-nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, agradeceu na manhã desta terça-feira, pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro pela indicação ao cargo. A nomeação de Mendonça foi oficializada no Diário Oficial da União nesta terça. Em mensagem no Twitter, o ex-advogado-geral da União destacou que continuará "desenvolvendo o trabalho técnico" que pauta sua conduta.

"Meu compromisso é continuar desenvolvendo o trabalho técnico que tem pautado minha vida. Conto com o apoio do povo brasileiro! Que Deus nos abençoe!", escreveu.

Com quase 20 anos de serviços prestados à Advocacia-Geral da União (AGU), Mendonça já havia sido indicado pelo próprio Bolsonaro à chefia do órgão, sendo cotado também para preencher a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) do ministro "terrivelmente evangélico" prometido pelo presidente.

Mendonça assumiu o lugar de Sergio Moro, que se demitiu na última sexta-feira (24). Com a mudança, Jose Levi, até então na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, fica no comando da AGU.

O primeiro cogitado ao cargo na Justiça foi o atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira. A proximidade de Oliveira com a família Bolsonaro, contudo, foi o principal entrave para a sua nomeação. Nesta terça, também pelas redes sociais, Jorge Oliveira parabenizou o presidente pela escolha de André Mendonça, a quem chamou de "amigo".

Evangélico, mas de uma igreja nova e "mais progressista" que outras vertentes, o agora ministro da Justiça foi apontado como "técnico idealista" por entrevistados ouvidos pelo Estado quando assumiu o comando da AGU, em julho de 2019.

O reverendo André Luiz de Almeida Mendonça vem de uma igreja nova, sem templo próprio e “mais progressista”. Em uma linha divergente do pensamento dominante no meio evangélico – considerado mais conservador –, a Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília evita temas políticos, manifestou reservas a iniciativas do presidente, como a defesa de armas de fogo, e discute abertamente como “apoiar, capacitar e emancipar as mulheres em espiritualidade, liderança e serviço”.

“Nosso grupo dentro da igreja cristã é um pouco mais progressista, por isso pegamos uma vertente diferente”, diz o pastor titular Valter Moura, fundador da Esperança de Brasília e amigo de Mendonça. “Trabalhamos sobre questão de gênero. Em tantas igrejas que a mulher não é nada. Qual é a participação efetiva da mulher na história?”, questiona de forma retórica

Moura, sem rodeios ao usar a expressão “gênero”, abominada pela ala mais ideológica do governo. Criada há três anos, a Esperança tem 115 integrantes, dos quais costuma reunir pelo menos 60 nos cultos dominicais, realizados de forma improvisada no auditório de uma escola pública do Distrito Federal. O AGU é um dos pastores auxiliares do colegiado que comanda a igreja. Segundo assessores, não é remunerado. Mendonça coordena a formação espiritual das crianças, em atividades como retiro e recreação em fins de semana.

“O perfil dele é de uma pessoa simples, sempre acessível e muito afável. As crianças o adoram. Ele poderia estar numa igreja enorme aí”, diz o reverendo Moura. O advogado-geral também costuma pregar nos cultos, revezando-se numa escala entre os demais pastores, e falar em encontros reservados do grupo de homens, a confraria “Homens da Esperança”, que se reúne na casa de um casal frequentador da igreja. Nos últimos bate-papos que liderou, Mendonça falou sobre “família” e algo caro à carreira que exerce: integridade.

Técnico idealista 

O AGU é um técnico idealista. Possui uma fala pausada, calma, por vezes, intercalada com o juridiquês. Nascido em Santos (SP) e torcedor do time alvinegro do litoral paulista, foi criado numa família religiosa e viveu em diferentes cidades do Estado, inclusive Miracatu, reduto da família presidencial.

O pai era funcionário do Banespa. Aos 46 anos, é casado e tem um casal de filhos. Antes de ingressar na AGU, via concurso, foi advogado da Petrobrás Distribuidora entre 1997 e 2000. Em instituições privadas, cursou Direito em Bauru (SP) e Teologia, em Londrina (PR). Fez pós-graduação em Direito Público na Universidade de Brasília (UnB), mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha.

Na AGU, foi corregedor-geral, adjunto do Procurador-geral da União e diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, por convite do ministro Dias Toffoli, atual presidente do Supremo. Indicado pelo ex-presidente Lula, Toffoli é um dos ex-AGUs atualmente no Supremo e é apontado como um interlocutor favorável a Mendonça na Corte. O outro é Gilmar Mendes, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Agência Estado e DomTotal



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