Religião

30/04/2020 | domtotal.com

Governo chinês ordena remoção de cruzes em todo país

Símbolo em evidência é tido como propaganda e ameaça de influência estrangeira por líderes religiosos não submissos ao partido

Igreja Golden Lampstand, na China, demolida pelo governo em 2018
Igreja Golden Lampstand, na China, demolida pelo governo em 2018 (Divulgação)

Não é apenas a pandemia do Covid-19 que afetou a China, também o ‘vírus’ da perseguição à religião. Continuam em todo o país a retirada de cruzes e a demolição de igrejas.

Cruzes retiradas

No dia 27 de abril uma fonte da Diocese de Anhui, "John", informou para a Ucanews que, no dia 18 do mesmo mês, funcionários do governo retiraram a cruz da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Não havia sacerdotes ou religiosas nesse momento, somente leigos realizando diversos ministérios.

Cinco dias antes de que a cruz fosse removida, líderes da paróquia se aproximaram das autoridades locais para comunicar-lhes que o edifício seria reformado, recebendo a cruel novidade de que a cruz de sua paróquia e de um lugar de culto protestante seriam retiradas.

Chaves da igreja confiscadas

Dois dias antes da remoção da cruz, no dia 16 de abril, oficiais governamentais pediram aos paroquianos as chaves da igreja. Afirmavam eles que seguiam “instruções de superiores”, ainda que não fosse apresentado nenhum documento que formaliza-se a ação.

Após os fatos, os paroquianos informaram ao bispo, dom Liu Xinhong, que se dirigiu ao departamento local da Associação Patriótica Católica Chinesa, onde não obteve nenhuma informação.

Outra cruz removida, na mesma diocese

A paróquia de Nossa Senhora do Rosário não foi a única que se viu despojada de sua cruz, na diocese de Anhui. No dia 19 de abril, uma igreja em Suzhou City também foi objeto dessa pilhagem.

A remoção do símbolo do cristianismo havia sido programada para a tarde, mas os funcionários do governo chegaram às quatro da manhã, contando com proteção policial. E, apesar do horário, as pessoas começaram a chegar, mas foram impedidas de se aglomerar do lado de fora, entrar na igreja ou tirar fotos. Uma pessoa que tentou registrar o momento teve seu celular confiscado.

Uma tática antirreligiosa que se estende por toda China

“A mesma rotina e táticas são usadas em toda a China”, afirmou uma fonte que se identificou como padre Chen, da Diocese de Anhui. “Não é o caso de uma diocese ou província, mas está acontecendo em toda a China continental. A Igreja continental, no entanto, permanece em silêncio”, afirmou o religioso, que também disse que a perseguição aumentou desde a assinatura do acordo do Vaticano com o Estado chinês na seleção de bispos, em setembro de 2018. “Se as igrejas não se unirem para resistir, muitas cruzes serão removidas”, sentencia o sacerdote.

Remoção de cruzes desde outubro de 2018

Desde o final de 2018 centenas de cruzes foram removidas, especialmente em províncias como Zhejiang, Henan, Hebei e Guizhou.

Recentemente, um alto clérigo da diocese de Handan na província de Hebei – que oculta seu nome por razões de segurança – , anunciou que em sua diocese há uma sistemática campanha de retirada de cruzes quando não de destruição de igrejas.

O religioso expressou que recentemente sua diocese recebeu a notificação das autoridades para que se removessem as cruzes exteriores de 4 igrejas em Feixiang. Muitas vezes a remoção de cruzes se opera sob a seguinte chantagem: ou se retira a cruz ou se demole o templo.


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