Religião

01/05/2020 | domtotal.com

A religiosidade espírita kardecista no período de isolamento social

Neste período de isolamento social, não há impeditivo de que o indivíduo realize a sua missão de ajudar ao seu próximo

O médium Divaldo Franco em lançamento de sua biografia em 2015
O médium Divaldo Franco em lançamento de sua biografia em 2015 (Kevin David/ Brazil Photo Press via AFP)

Antonio Carlos Coelho*

O momento atual pelo qual atravessa a humanidade pode nos levar a questionarmos: qual seria a essência desta pandemia? Seria, inicialmente, apenas voltarmos a nossa atenção para a questão da saúde e dos cuidados? Criaria possibilidades de revermos nossas ações como seres em evolução? Permite-nos refletir sobre o real sentido da vida e o futuro, desta dentro de um macrocosmo? Seria capaz de alterar uma visão míope e de superioridade diante do incontestável poder de extinção da vida revelado por esta doença?

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Nesse contexto, através de uma leitura de mundo voltada para o seu eu interior, buscando uma sapiência que possibilite o crescimento educacional e espiritual, ao se aglomerar recursos interpretativos de fé, objetivando a regeneração humana a fim de dias melhores, apresenta-se como uma possibilidade de resposta para este período de tantos confrontos.

No livro Renovando atitudes, do espírito Hammed, psicografado pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, sintetiza que a fé, como força instintiva da alma, guarda em si possibilidades transcendentes e poderes infinitos. Ao ampliá-la, o ser humano se potencializa vigorosamente, fluindo e contribuindo como o próprio ritmo da vida como um todo. Dessa forma, de acordo com o autor, a fé não é uma muleta ou moeda de troca para momentos difíceis, mas, acima de tudo, um auscultar das verdadeiras intenções da ação divina em nosso meio.

Ao tratar de recursos interpretativos de fé fala-se de uma presença contemplativa recíproca dentro das tradições religiosas, em caminhos de duplo sentido, assinalada pela busca humana de Deus e outra pelos caminhos diversos abertos por este para que a humanidade o encontre, apontando uma transcendência de Deus e do seu plano de salvação. Portanto, fé não se conquista, mas se desenvolve durante o tempo de sua existência, e é esta força instintiva que neste momento se busca edificar.

Por ocasião do encerramento da 22ª Conferência Espírita, Bezerra de Menezes, por meio da psicofonia de Divaldo Franco, abordou-se o tema atual da humanidade trazendo palavras de consolo e orientando para que “não vos preocupais demasiadamente com a presença pandêmica do vírus [...]. Vós, que conheceis Jesus, mantende o respeito às leis, buscando a precaução recomendada pelas autoridades sanitárias, mas não oculteis a mão socorrista aos padecentes, não negueis a palavra libertadora aos que se preparam para enfrentar a imortalidade [...]. Buscai a pureza íntima e, sobretudo, alimentai-vos da fé dinâmica, corajosa e gentil amando a todos, evitando as paixões que dividem, e as experiências que desunem”.

Este grande irmão nos convida para que nesse momento de dificuldade seja realizada uma reflexão de uma fé racionalizada e prática, propondo serenidade, prudência, conforme preconizado na Lei de justiça, de amor e de caridade, constante no Livro dos Espíritos.

Tal isolamento não impede o ser humano de manter o seu convívio familiar e social, mas o incentiva a buscar outros dispositivos para desenvolver este contato a partir da capacidade fecunda da humanidade de cooperar e fluir por meio das tecnologias de comunicação virtual.

Isolamento não pode ser traduzido por inércia, comodismo, pois a busca para alcançar anseios de progresso impele o ser humano na busca de leituras edificantes, que neste momento de solidão, proporcionam benefícios aos sedentos de iluminação. Neste período de isolamento social, não há impeditivo de que o indivíduo realize a sua missão de ajudar ao seu próximo, atuando por meio de passes a distância, aconselhamentos e variadas atividades assistenciais.

A religiosidade espírita kardecista, portanto, com base na sua fé racionalizada, compreende a necessidade e o valor das medidas de cuidado e prevenção em instância pública, como sendo o palco da ação de combate a esta patologia que agride a humanidade sem distinção, atingindo tanto o menos como o mais favorecido econômica e socialmente. Tais medidas de isolamento social devem ser interpretadas como meio necessário e preventivo para a não propagação da doença, mas sem excluir da esfera kardecista a sua práxis cotidiana do bem servir.

Este período também marca um momento de autorreflexão e de ajuda coletiva, onde por certo a humanidade aprenderá com esta adversidade, segundo Hammed, “que aquilo que lhe parecia negativo era apenas um caminho preparatório para alcançar posteriormente um bem maior e definitivo para si mesma” e para a sociedade como um todo.

Este momento, que para muitos se apresenta e é visto como punição ou castigo pelos resultantes dos equívocos humanos, é visto pela religiosidade espirita como uma associação infundada, pois estes acontecimentos devem ser encarados como possibilidades para obtenção de uma evolução do espírito auxiliando-o à plenitude existencial, pois no universo nada existe que não tenha sua razão.

Referências

HAMMED (Espírito). Renovando atitudes. [Psicografado por] Francisco do Espírito Santo Neto. Catanduva: Boa Nova, 2008.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile. Araras: IDE, 2009.


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*Antonio Carlos Coelho é Mestre em Ciências da Religião – PUC/Minas



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