Religião

01/05/2020 | domtotal.com

As religiões e o isolamento social: religiosidade em tempos de pandemia

Diferentes credos têm se repensado a partir do isolamento social e mantido o ânimo de seus fieis

Autoridades têm pedido isolamento social para conter o vírus
Autoridades têm pedido isolamento social para conter o vírus (Suamy Beydoun/ AGIF via AFP)

Felipe Magalhães Francisco*

A editoria de religião deste portal é um serviço, que busca mostrar como o aspecto religioso, tão presente em nosso cotidiano, de alguma maneira contribui para a nossa sociedade. Esse é um serviço crítico, como os leitores e leitoras que nos acompanham possivelmente já repararam. Ler o aspecto religioso que permeia nossa sociedade é fundamental para que, juntos com as outras ciências que se dedicam ao humano, compreendamos nossas relações, nosso jeito de ver o mundo e de ler a realidade.

Para além disso, acreditamos que as religiões têm um papel importante para o desenvolvimento do humano. Cada vez que um fiel de determinada religião, vive de maneira verdadeira os princípios que movem sua fé, nossa humanidade está dando um passo bonito, rumo à sua realização. As instituições religiosas também têm um papel importante: é por isso que não nos furtamos a um olhar crítico sobre elas, a fim de que possamos, nós e nossos colaboradores, ajudar a despertá-las, de algum modo, para que bem cumpram sua missão.

Estamos vivendo a maior crise de nosso jovem século, com esta pandemia de Covid-19. Em nosso país, temos visto, a cada dia, o dramático crescimento no número de pessoas infectadas e o aterrador e crescente número de mortos. Isso sem falar nos casos subnotificados, já que não há testes suficientes para que todos os que precisam sejam testados. Governos estaduais e prefeituras têm prestado, em geral, um importante papel de enfrentamento à pandemia, mesmo com todas as limitações, à revelia do Governo Federal, que desdenha os impactos da crise, já que se vangloria de sua necropolítica.

É absolutamente asqueroso que conhecidos líderes evangélicos bradavam a continuidade dos cultos religiosos, quando o mais sensato é o isolamento social, e que igrejas nas muitas periferias, continuassem cheias. No catolicismo, um movimento de caráter fetichista – não há outra palavra possível! – tem insurgido contra a fundamental decisão de dioceses de interromper as missas com a presença dos fiéis. É um duro golpe à fé cristã, que se pretende defensora da vida. Em contrapartida, nosso editorial já se dedicou, mais de uma vez, a refletir sobre alternativas de religiosidade e de nutrição da espiritualidade, que possam manter viva a fé e a esperança de cristãos e cristãs, nesse tempo de exceção.

Agora, dedicamo-nos a refletir para além do cristianismo. Outras religiões, igualmente importantes em nossa sociedade, também têm se dedicado a se repensar neste tempo tão difícil pelo qual estamos passamos. Essas religiões, bem como grande parte de setores do cristianismo, têm contribuído, a partir de sua própria fé, no sustento espiritual de nossa gente, além dos efetivos trabalhos de socorro àqueles e àquelas que mais precisam. Três dessas religiões compõem nosso Dom Especial desta semana: o Espiritismo, as religiões afro-brasileiras e o Islã.

O primeiro artigo, A religiosidade espírita kardecista no período de isolamento social, é proposto por Antônio Coelho. No texto, partindo de algumas questões que, por vezes, acabamos por levantar, o autor reflete sobre o papel da fé em nosso processo de ausculta de Deus, em nosso meio, para aprendermos como bem-viver, mesmo em tempos de dificuldades. Além disso, o autor exorta sobre a importância da fé que se mostra prudente, quando inspira a que vivamos com responsabilidade, segundo as leis e ordenamentos sociais.

Arthur Mendonça e Rejiane Mendes propõem o artigo Religiões afro-brasileiras bantu em tempos de covid-19, no qual nos faz verdadeiro “passeio” nas ritualidades do candomblé, umbanda, quimbanda e outros. A religiosidade dessas religiões afro-brasileiras é permeada de preceitos de reverência cotidiana e semanal. Dentro dessas ritualidades, há aquelas destinadas à aspiração da saúde e da cura de doenças, que têm sido um importante modo religioso de essas religiões darem um suporte espiritual para nossa sociedade. Não se excluem, disso, os cuidados pessoais importantes que os membros dessas religiões têm tomado, como cidadãos e cidadãs de responsabilidade pessoal e comunitária.

Encerra nosso Dom Especial, Francirosy Campos Barbosa, com o artigo Como viver o mês Ramadan em tempo de isolamento social? A autora nos insere na importante vivência do Ramadan, para os mulçumanos e mulçumanas, recém-iniciado. Ela aponta para o caráter social e comunitário dessa experiência religiosa, e seus desdobramentos no modo como mulçumanos e mulçumanas trazem para a vida, como fruto de uma vivência autêntica de fé. No artigo, ainda, a autora destaca as importantes contribuições que líderes mulçumanos e fiéis têm desempenhado socialmente, para amenizar o sofrimento dos mais vulneráveis.

Boa leitura!


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*Felipe Magalhães Francisco é é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com



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