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12/05/2020 | domtotal.com

'Ou se investe em ciência ou se condena o futuro da nação', alerta presidente do CNPq

Em entrevista exclusiva ao Dom Total, Evaldo Ferreira Vilela disse que pandemia reforça importância da ciência

Evaldo Ferreira Vilela falou com exclusividade ao Dom Total
Evaldo Ferreira Vilela falou com exclusividade ao Dom Total Foto (Nella Rocha/ MCTIC)

Rômulo Ávila

A pandemia do novo coronavírus deixa evidente a importância da ciência para humanidade. A avaliação é do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Evaldo Ferreira Vilela. Mineiro de Campo Belo, no Sul de Minas, Vilela concedeu entrevista exclusiva ao Dom Total e destacou que recuperar recurso para financiar pesquisas será um dos seus principais desafios no comando do CNPq, órgão que faz parte da estrutura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Nomeado no começo de abril, quando o Brasil e o mundo já enfrentavam a pandemia do novo coronavírus, Evaldo afirma que o problema de saúde mundial reforça a importância de se investir na ciência. Destacou ainda que os cortes recentes no Orçamento atingem todas as áreas todas as áreas.

Vilela defende a criação de um plano estratégico para o desenvolvimento do país com base na geração e aplicação de conhecimento. Além disso, vê a busca por parcerias como uma diretriz cada vez mais necessária.

O novo presidente citou a Dom Helder como exemplo de investimento em pesquisa para formação de qualidade. “Chama a atenção o compromisso institucional com o ensino e a pesquisa de qualidade, assim como a formação de profissionais atualizados." Em 2018, durante visita à instituição, Vilela já havia elogiado à administração da escola de Direito. "Se o Brasil fosse organizado como a Dom Helder é, tivesse a gestão que a Dom Helder tem, seríamos outro país", disse na ocasião.

Ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Evaldo é formado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa, mestre em Entomologia pela USP e PhD em Ecologia pela Universidade de Southampton, Inglaterra, e tem pós-doutoramentos nas Universidades: da Califórnia-Berkeley (EUA), de Nuremberg-Erlangen (Alemanha), e de Tsukuba (Japão).  

Evaldo ao lado do ministro Marcos Pontes (Nella Rocha/ MCTIC)Evaldo ao lado do ministro Marcos Pontes (Nella Rocha/ MCTIC)

Confira a entrevista

Quais os principais desafios que espera enfrentar no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)?

Um dos maiores desafios é a recuperação dos recursos para o financiamento das pesquisas no Brasil. Temos uma comunidade de pesquisadores reconhecida mundialmente, aliada a jovens talentos da pós-graduação, que precisa ser apoiada pelo bem do presente e do futuro do Brasil e do mundo.

Como a pandemia do novo coronavírus pode reforçar a importância no investimento em pesquisa?

O enfrentamento da pandemia deixou claro, para todo o mundo, que não há solução para os problemas que afetam e afetarão a humanidade sem o auxílio da ciência. E ciência não se faz sem recursos financeiros para laboratórios, insumos, salários e bolsas para gente dedicada e competente. É simples: ou se investe em ciência ou se condena o futuro da nação.

Há previsão de novas parcerias e investimentos em setores específicos?

Parcerias são cada vez mais necessárias, já que um não consegue mais desvendar as complexidades deste mundo em profunda transformação. Parceria universidade-empresa; pesquisas em colaboração com a indústria, com startups e com investimento somente em novos conhecimentos gerados, por exemplo, nas teses da pós-graduação, focadas cada vez mais em desafios reais da sociedade brasileira. Projetos assim atraem recursos, com certeza.

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Como os cortes de investimentos em pesquisas e ciência podem afetar o país? Quais as áreas mais atingidas?

Cortes e escassez de recursos afetam todas as áreas. As tecnológicas sofrem por não conseguirem construir protótipos e vencer regulamentações. As ciências básicas sofrem até para manter equipamentos e insumos imprescindíveis. As ciências sociais e humanidades sofrem por falta de bolsas e apoio a reuniões e publicações.

Como o senhor avalia a necessidade estratégica de investimento em pesquisa para uma nação como o Brasil?

É necessário um plano estratégico para o desenvolvimento do país com base na geração e aplicação de conhecimento. Cada vez mais, o conhecimento movimenta a economia em todo o mundo e não podemos ficar totalmente na dependência da indústria dos outros países, como está acontecendo no enfrentamento da Covid-19. Não se pode ignorar que ciência, conhecimento, indústria e mercado estão em cadeia para gerar prosperidade e bem-estar, em um mundo com maior igualdade social.

A Dom Helder tem na pesquisa uma das suas prioridades. Qual avaliação o senhor faz da instituição?

Tenho uma admiração muito grande pela Dom Helder. Chama a atenção o compromisso institucional com o ensino e a pesquisa de qualidade, assim como a formação de profissionais atualizados. Isto é mais claro ainda na pós-graduação. Precisamos de mais e mais instituições de ensino como a Dom Helder.

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