Religião

12/05/2020 | domtotal.com

Dia do Enfermeiro: papa destaca o 'testemunho de coragem e sacrifício dos profissionais'

Francisco alerta para importância fundamental dos enfermeiros no combate à Covid-19

Papa Francisco saudando as enfermeiras durante sua visita ao Hospital Menino Jesus de Roma, em 2013
Papa Francisco saudando as enfermeiras durante sua visita ao Hospital Menino Jesus de Roma, em 2013 (L'Osservatore Romano)

Foi divulgada, nesta terça-feira (12/05), a mensagem do Papa Francisco para o Dia Internacional do Enfermeiro. Também na missa, na Casa Santa Marta, no Vaticano, o papa pediu a Deus para abençoar os enfermeiros, que neste tempo da pandemia têm sido exemplo de heroísmo e em alguns casos deram a vida.

O pontífice escreve a enfermeiros e obstetras “no contexto do Ano Internacional dos Profissionais da Enfermagem e Obstetrícia” celebrado em 2020, proclamado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Papa recorda também “o bicentenário do nascimento de Florence Nightingale, que deu início à enfermagem moderna”.

“Neste momento histórico, marcado pela emergência sanitária mundial provocada pela pandemia do vírus Covid-19, redescobrimos o papel de importância fundamental desempenhado pelo enfermeiro, como também pelo obstetra.

“Diariamente assistimos ao testemunho de coragem e sacrifício dos profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiras e enfermeiros, que, com profissionalismo, abnegação, sentido de responsabilidade e amor ao próximo, prestam assistência às pessoas afetadas pelo vírus, com risco da própria saúde. Prova disso é o alto número de profissionais de saúde que, infelizmente, morreram no fiel cumprimento do seu serviço.”

Rezo por eles, o Senhor os conhece por nome um a um, e por todas as vítimas desta epidemia. O Senhor ressuscitado conceda a cada um a luz do Paraíso e, às suas famílias, o conforto da fé”, ressalta o Papa na mensagem.

Guardiões e servidores da vida

Francisco destaca que “os enfermeiros sempre tiveram um papel central na assistência sanitária. No contato diário com os doentes, fazem experiência do trauma que o sofrimento provoca na vida duma pessoa. São homens e mulheres que optaram por dizer «sim» a uma vocação específica: ser bons samaritanos que se ocupam da vida e das feridas do próximo. Guardiões e servidores da vida, ao mesmo tempo que ministram as terapias necessárias, infundem coragem, esperança e confiança”.

“Queridas enfermeiras, queridos enfermeiros, a responsabilidade moral guia o seu profissionalismo, que não se limita a conhecimentos técnico-científicos, mas é constantemente iluminada pela relação humana e humanizadora com o doente. «Ocupando de mulheres e homens, crianças e idosos, em cada fase da sua vida, do nascimento à morte, vocês estão comprometidos numa escuta contínua, destinada a compreender as exigências daquele doente, na fase que está atravessando. Com efeito, diante da singularidade de cada situação, nunca é suficiente seguir um protocolo, mas é exigido um contínuo, e cansativo!, esforço de discernimento e atenção a cada pessoa»”, frisa ainda o Papa.

Investir no bem comum

Assim como os obstetras, os enfermeiros “estão junto da pessoa nos momentos cruciais da sua existência, o nascimento e a morte, a doença e a cura, para ajudá-la a superar as situações mais traumáticas. Às vezes vocês se encontram ao lado dela quando está para morrer, oferecendo-lhe conforto e alívio nos últimos momentos. Por esta sua dedicação, vocês estão entre «os santos da porta ao lado». São imagem daquela Igreja «hospital de campo» que dá continuidade à missão de Jesus Cristo: Ele aproximou-se e curou pessoas que sofriam de todo o gênero de males e ajoelhou-se para lavar os pés dos seus discípulos. Obrigado por este seu serviço à humanidade!”

A seguir, Francisco recorda que “em vários países, a pandemia fez vir à luz também muitas carências a nível de assistência sanitária”, e fez um “apelo aos Responsáveis das nações de todo o mundo para que invistam neste bem comum primário que é a saúde, reforçando as estruturas e empregando mais enfermeiros, para se garantir a todos um atendimento adequado, no respeito pela dignidade de cada pessoa. É importante reconhecer, com fatos, o papel essencial que desempenha esta profissão no cuidado dos pacientes, nas atividades territoriais de emergência, na prevenção das doenças, na promoção da saúde, na assistência aos setores familiar, comunitário e escolar”.

Os enfermeiros merecem ser melhor valorizados

“Os enfermeiros e as enfermeiras, bem como os obstetras, têm direito e merecem ser melhor valorizados e envolvidos nos processos que dizem respeito à saúde das pessoas e da comunidade”, ressalta o Papa, sublinhando que “está comprovado que investir neles melhora os resultados em termos de assistência e saúde geral."

“Portanto, é necessário elevar o seu perfil profissional, fornecendo instrumentos adequados para a sua formação a nível científico, humano, psicológico e espiritual, bem como melhorar as suas condições de trabalho e garantir os seus direitos, para que possam desempenhar com toda a dignidade o seu serviço.”

Segundo o Pontífice, “neste sentido, cabe uma função importante às Associações dos profissionais de saúde, que, além de oferecer uma formação orgânica, acompanham individualmente os respectivos aderentes, fazendo-os sentir-se parte de um único corpo e não os deixando jamais perdidos e sozinhos perante os desafios éticos, econômicos e humanos que a profissão comporta”.

Trabalho ao serviço da vida e da maternidade

O Papa dirige-se “de forma particular às obstetras, que prestam assistência às mulheres grávidas e as ajudam a dar à luz a seus filhos”, dizendo: “O seu trabalho está entre os mais nobres que existem, dedicado ao serviço da vida e da maternidade. Na Bíblia, quase no início do Livro do Êxodo, ficaram imortalizados os nomes de duas parteiras heroicas: Sefra e Fua. Também hoje o Pai celeste olha vocês com gratidão.”

Francisco conclui a mensagem, dizendo aos enfermeiros, enfermeiras e obstetras, “que esta ocorrência coloque no centro a dignidade do seu trabalho, em benefício da saúde de toda a sociedade”, e assegurando suas orações por eles, suas famílias e pelas pessoas assistidas por eles.

Missa

Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta terça-feira (12/05) da V Semana da Páscoa. Na introdução, dirigiu seu pensamento aos enfermeiros:

Hoje é o Dia do Enfermeiro. Ontem enviei uma mensagem. Rezemos hoje pelos enfermeiros e enfermeiras, homens, mulheres, rapazes e moças que têm essa profissão, que é mais que uma profissão, é uma vocação, uma dedicação. Que o Senhor os abençoe. Neste tempo da pandemia deram exemplo de heroísmo e alguns deram a vida. Rezemos pelos enfermeiros e enfermeiras.

Na homilia, o Papa comentou o Evangelho do dia (Jo 14,27-31) em que Jesus diz a seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo”.

“O Senhor, antes de os deixar, saúda os seus e dá o dom da paz, a paz do Senhor”, disse o Papa. “Não se trata da paz universal, aquela paz sem guerras que todos nós gostaríamos que sempre existisse, mas a paz do coração, a paz da alma, a paz que cada um de nós tem dentro de si. E o Senhor a dá, mas – ressalta –, não como a dá o mundo.” Trata-se de pazes diferentes.

“O mundo – observou Francisco – dá a você paz interior”, a paz da sua vida, este viver com o coração em paz, “uma posse sua, como uma coisa que é sua e isola você dos outros” e “é uma aquisição sua: tenho a paz. E você, sem se dar conta, se fecha naquela paz, é uma paz um pouco para você” e o torna tranquilo e mesmo feliz, mas “o adormenta um pouco”, o anestesia e o faz permanecer consigo mesmo”: é “um pouco egoísta”. O mundo dá a paz desse modo. E é “uma paz cara porque você deve mudar continuamente os instrumentos de paz: quando uma coisa o entusiasma, uma coisa lhe dá a paz, depois acaba e você deve encontrar outra… É cara porque é provisória e estéril”.

“Ao invés, a paz que Jesus dá é outra coisa. É uma paz que coloca você em movimento, não o isola, o coloca em movimento, faz você ir ao encontro dos outros, cria comunidade, cria comunicação. A paz do mundo é dispendiosa, a de Jesus é gratuita, é grátis: a paz do Senhor é um dom do Senhor . É fecunda, leva você sempre avante. Um exemplo do Evangelho que me faz pensar como é a paz do mundo é aquele senhor que tinha os celeiros repletos” e pensou construir outros armazéns para depois viver finalmente tranquilo. “Insensato, diz Deus, esta noite tu morrerás”. “É uma paz imanente, que não lhe abre a porta para o além. Ao invés, a paz do Senhor” é “aberta ao Céu, é aberta ao Paraíso. É uma paz fecunda que se abre e leva também outros com você ao Paraíso”.

O Papa convidou a ver dentro de nós qual é a nossa paz: encontramos a paz no bem-estar, na posse e em tantas outras coisas ou encontro a paz como dom do Senhor? “Devo pagar a paz ou a recebo grátis do Senhor? Como é a minha paz? Quando me falta algo, fico furioso? Esta não é a paz do Senhor. Esta é uma das provas. Estou tranquilo na minha paz, me adormento? Não é do Senhor. Estou em paz e quero comunicá-la aos outros e levar algo avante? Essa é a paz do Senhor. Mesmo nos momentos ruins, difíceis, permanece em mim aquela paz? É do Senhor. E a paz do Senhor é fecunda também para mim porque é repleta de esperança, isto é, olha para o Céu.”

O Papa Francisco contou ter recebido ontem uma carta de um bom sacerdote que lhe disse que ele fala pouco do Céu, que deveria falar mais do Céu: “E tem razão, tem razão. Por isso hoje eu quis ressaltar isto: que a paz, esta que nos dá Jesus, é uma paz para agora e para o futuro. É começar a viver o Céu, com a fecundidade do Céu. Não é anestesia. A outra, sim: você se anestesia com as coisas do mundo e quando a dose dessa anestesia acaba, toma outra, depois outra, depois outra… Essa é uma paz definitiva, também fecunda e contagiosa. Não é narcisista, porque sempre olha para o Senhor. A outra olha para si, é um pouco narcisista”.

“Que o Senhor – concluiu o Papa – nos dê esta paz repleta de esperança, que nos torna fecundos, nos torna comunicativos com os outros, que cria comunidade e que sempre olha a paz definitiva do Paraíso.”

A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

O Senhor antes de os deixar saúda os seus e dá o dom da paz (conf. Jo 14,27-31), a paz do Senhor: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo” (vers. 27). Não se trata da paz universal, aquela paz sem guerras que todos nós gostaríamos que sempre existisse, mas a paz do coração, a paz da alma, a paz que cada um de nós tem dentro de si. E o Senhor a dá, mas, ressalta: “não como a dá o mundo” (vers. 27). Como o mundo dá a paz e como o Senhor a dá? São pazes diferentes? Sim. O mundo lhe dá a “paz interior”, estamos falando desta paz, a paz da sua vida, este viver com o “coração em paz”. Dá a você a paz interior como uma posse sua, como uma coisa que é sua e o isola dos outros, mantém você em você, é uma aquisição sua: tenho a paz. E você, sem se dar conta, se fecha naquela paz, é uma paz um pouco para você, para alguém, para cada um; é uma paz sozinha, é uma paz que o torna tranquilo, também feliz. E nessa tranquilidade, nessa felicidade o adormenta um pouco, o anestesia e o faz permanecer consigo mesmo numa certa tranquilidade. É um pouco egoísta: a paz para mim, encerrada em mim. O mundo dá a paz desse modo (conf. vers. 27). É uma paz cara porque você deve mudar continuamente os “instrumentos de paz”: quando uma coisa o entusiasma, uma coisa lhe dá a paz, depois acaba e você deve encontrar outra… É cara porque é provisória e estéril.

Ao invés, a paz que Jesus dá é outra coisa. É uma paz que coloca você em movimento: não o isola, o coloca em movimento, faz você ir ao encontro dos outros, cria comunidade, cria comunicação. A paz do mundo é dispendiosa, a de Jesus é gratuita, é grátis; é um dom do Senhor: a paz do Senhor. É fecunda, leva você sempre avante. Um exemplo do Evangelho que me faz pensar como é a paz do mundo é aquele senhor que tinha os celeiros repletos e a colheita daquele ano parecia ser muito abundante e ele pensou: “Terei que construir outros armazéns, outros celeiros para colocar isso e depois estarei tranquilo... é a minha tranquilidade, com isso posso viver tranquilo”. “Insensato, diz Deus, esta noite tu morrerás” (conf. Lc 12,13-21). É uma paz imanente, que não lhe abre a porta para o além. Ao invés, a paz do Senhor é aberta, aonde Ele foi, é aberta ao Céu, é aberta ao Paraíso. É uma paz fecunda que se abre e leva também outros com você ao Paraíso.

Creio que nos ajudará pensar um pouco: qual é a minha paz, onde eu encontro paz? Nas coisas, no bem-estar, nas viagens – mas agora, hoje não se pode viajar –, nas posses, em tantas coisas ou encontro a paz como dom do Senhor? Devo pagar a paz ou a recebo grátis do Senhor? Como é a minha paz? Quando me falta algo, fico furioso? Esta não é a paz do Senhor. Esta é uma das provas. Estou tranquilo na minha paz, “me adormento?” Não é do Senhor. Estou em paz e quero comunicá-la aos outros e levar algo avante? Essa é a paz do Senhor! Mesmo nos momentos ruins, difíceis, permanece em mim aquela paz? É do Senhor. E a paz do Senhor é fecunda também para mim porque é repleta de esperança, isto é, olha para o Céu.



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