Ciência e Tecnologia

12/05/2020 | domtotal.com

Sem campanha tradicional, Biden amplia presença digital mas segue atrás de Trump

Início tardio do ex-vice presidente em campanha on-line é preocupante, diz estrategista digital

Com a tradicional campanha pausada pela pandemia de coronavírus, o candidato à Casa Branca Joe Biden tem tentado impulsionar suas operações digitais.
Com a tradicional campanha pausada pela pandemia de coronavírus, o candidato à Casa Branca Joe Biden tem tentado impulsionar suas operações digitais. (AFP)

Joe Biden acelera sua campanha digital para poder competir com a formidável operação on-line do presidente americano, Donald Trump. No entanto, democratas dizem que, se ele pretende vencer o presidente republicano em novembro, terá que ir além dos discursos monótonos gravados no porão de sua casa.

O político, que praticamente tem a candidatura do Partido Democrata na mão, está dobrando o tamanho de sua equipe digital, atualmente com 25 pessoas, e sua campanha lançou uma extensa estratégia por meio de múltiplas plataformas digitais.

Biden está em uma situação difícil: as eleições de novembro estão a menos de seis meses e a campanha tradicional interrompida pela pandemia de coronavírus. Enquanto ele fala com uma câmera em um estúdio vazio no porão de sua casa em Delaware, onde está confinado, Trump está sob os holofotes, agindo – com ou sem sucesso – para dirigir a crise do coronavírus e retomar a economia.

O contraste ficou claro na semana passada, quando um comício virtual de Biden na Flórida foi marcado por problemas técnicos. Gravações do porão de Biden foram descritas por alguns especialistas em campanhas democratas como muito estáticas e engessadas.

Os estrategistas estão preocupados com o fato de Biden já estar atrás de Trump em métricas importantes de plataformas como Twitter, Facebook, YouTube e Instagram. O ex-vice-presidente de 77 anos terá que se adaptar rapidamente à nova realidade política se quiser competir com um presidente com uma enorme operação online.

Biden tem dito que as eleições de 2020 são "uma batalha pela alma desta nação". "Mas também é uma batalha pela alma da internet. E é uma batalha que estamos tentando vencer", disse Rob Flaherty, diretor digital da campanha de Biden, no Twitter no sábado, anunciando várias novas contratações.

Entre elas está a da assessora digital Caitlin Mitchell, membro importante da equipe de campanha presidencial de Elizabeth Warren.

A artilharia on-line de Trump tem sido pesada desde o primeiro dia. Na semana passada, o chefe de campanha Brad Parscale comparou a campanha digital organizada de Trump aos ataques da "Estrela da Morte" de Star Wars.

O argumento da campanha de Biden é que os americanos querem um líder com habilidades e experiência para governar. A mensagem? "Ele está pronto para liderar um momento de crise como esse e tem a compaixão e a empatia que Trump carece", disse Mike Gwin, diretor de resposta rápida da campanha de Biden.

Como Biden espalha essa mensagem pode ser o problema que define a campanha. "Discursos do porão não serão suficientes", alertaram os veteranos da equipe de campanha de Barack Obama, David Axelrod e David Plouffe, em um artigo recente no The New York Times.

"Para avançar e ser ouvido, (Biden) terá que aumentar o ritmo de sua campanha e adotar um novo conjunto de ferramentas virtuais orientadas a dados e táticas criativas".

Gravações no porão

Segundo a equipe da campanha, anúncios ou eventos de Biden foram vistos on-line 112 milhões de vezes desde meados de março. A estrategista democrata Lis Smith disse que Biden deve dominar o gênero digital.

"Houve uma ideia convencional durante muito tempo de que Joe Biden está ferrado porque está preso em seu porão" durante a crise do coronavírus, disse Smith em um webcast do Politico na segunda-feira (11). No entanto, com o colapso da campanha tradicional, ter sido forçado a se tornar digital "pode ser a melhor coisa que aconteceu com Joe Biden", avalia.

Pesquisas recentes mostram Biden na frente de Trump. "Mas não podemos cantar vitória antes da hora aqui", alertou Smith. Uma operação eficiente pode divulgar o discurso de Biden para os eleitores de várias maneiras: reuniões virtuais, entrevistas na televisão local em estados-chave como Wisconsin, comícios on-line.

No entanto, a enorme projeção de Trump no meio digital ofusca Biden, que precisa se apropriar do Instagram, do YouTube, do TikTok e do Snapchat, se quiser competir.

A estrategista digital Lori Coleman, do grupo DemCast, diz estar "extremamente preocupada" com o início tardio de Biden, mas acredita que ele ainda pode se recuperar.

"Antes do coronavírus, a campanha tradicional seria muito boa para Joe e não acho que eles estivessem muito bem posicionados para mudar para uma campanha mais digital", disse Coleman. "Eu sei que eles têm trabalhado diligentemente no desenvolvimento disso. Definitivamente será necessário".

O grupo de infraestrutura digital Acronym diz que a campanha de Trump gastou US$ 55,9 milhões (cerca de R$ 328 milhões) em propaganda no Facebook e no Google desde 2018, enquanto a Biden gastou US$ 19,6 milhões (cerca de R$ 115 milhões) nessas plataformas desde o ano passado.

Biden, no entanto, recebeu grandes doações, incluindo a quantia impressionante de US$ 60,5 milhões (R$ 320 milhões) em abril, segundo sua campanha.


AFP



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