Religião

15/05/2020 | domtotal.com

Papa publica mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Com tema 'Forçados, como Jesus Cristo, a fugir', mensagem encoraja a 'acolher, proteger, promover e integrar' pessoas deslocadas internamente

Pessoas fugindo do avanço das forças do governo sírio, que são apoiadas por ataques aéreos russos, na província de Aleppo, no norte do país, em fevereiro de 2020
Pessoas fugindo do avanço das forças do governo sírio, que são apoiadas por ataques aéreos russos, na província de Aleppo, no norte do país, em fevereiro de 2020 (Rami al Sayed / AFP)

“Este ano, quis dedicar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado ao cuidado pastoral das pessoas deslocadas internamente.”

Assim o papa Francisco começa o vídeo divulgado nesta sexta-feira (15) ao anunciar a mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 27 de setembro. Para o ano de 2020, Francisco escolhe o tema “Forçados, como Jesus Cristo, a fugir”, colocando no centro da reflexão a experiência de Jesus de quando era menino, deslocado e refugiado, junto aos pais.

O vídeo, produzido em colaboração entre Vatican Media e Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, do Vaticano, foi apresentado em coletiva de imprensa de apresentação da mensagem. Um dos protagonistas é Inácio, que conta a sua história e representa os mais de 40 milhões de deslocados atualmente no mundo.

No texto da mensagem, também divulgada nesta sexta-feira (15), reforça que “o drama dos deslocados dentro da própria nação”, principalmente daqueles “que já vivem em grave estado de pobreza”, é um dos desafios do mundo contemporâneo. Um drama, salienta ele, “muitas vezes invisível, que a crise mundial causada pela pandemia da Covid-19 exacerbou”, devido à “gravidade e extensão geográfica”.

As próprias agendas políticas acabaram “relegando para um plano secundário”, emergências humanitárias como essa, comenta o papa. A mensagem, assim, é dedicada a todas as pessoas deslocadas internamente, mas também a quem “vive experiências de precariedade, abandono, marginalização e rejeição por causa do vírus da Covid-19”.

Francisco explica, então, que o ponto de partida para a mensagem deste ano foi inspirado na constituição apostólica Exsul Familia (1/8/1952), do 9apa Pio XII: “na sua fuga para o Egito, o menino Jesus experimenta, juntamente com seus pais, a dramática condição de deslocado e refugiado ‘marcada por medo, incerteza e dificuldades’ (cf. Mt 2, 13-15.19-23)”. Milhões de famílias se reconhecem nessa triste realidade, diz o papa, “em cada um deles, está presente Jesus, forçado – como no tempo de Herodes – a fugir para se salvar”.

A importância, então, de reconhecermos Jesus dentro dessa emergência humanitária, afirma Francisco, porque “as pessoas deslocadas nos proporcionam essa oportunidade de encontrar o Senhor, ‘mesmo que os nossos olhos sintam dificuldade em o reconhecer: com as vestes rasgadas, com os pés sujos, com o rosto desfigurado, o corpo chagado, incapaz de falar a nossa língua’ (Francisco, Homilia, 15/2/2019)”.

Esse desafio pastoral pode ser abraçado nas realidades do mundo inteiro ao responder os quatro verbos já indicados pelo Papa em 2018: acolher, proteger, promover e integrar. Junto a eles, então, Francisco acrescenta “seis pares de verbos que traduzem ações muito concretas, interligadas numa relação de causa-efeito”.

É preciso conhecer para compreender, sobretudo para compreender migrantes e deslocados, diz o papa, que não se resume a números:

“Mas não se trata de números; trata-se de pessoas! Se as encontrarmos, chegaremos a conhecê-las. E conhecendo as suas histórias, conseguiremos compreender. Poderemos compreender, por exemplo, que a precariedade, que estamos dolorosamente experimentando por causa da pandemia, é um elemento constante na vida dos deslocados.”

É necessário aproximar-se para servir, sem receios e preconceitos, adianta o papa, que acabam nos mantendo afastados dos outros e até impedindo a aproximação. Francisco explica da importância de “estar disposto a correr riscos, como muitos médicos e enfermeiros nos ensinaram nos últimos meses. Aproximar-se para servir vai além do puro sentido do dever”.

Para reconciliar-se é preciso escutar, naquele que já é um ensinamento de Deus, “que quis escutar o gemido da humanidade com ouvidos humanos, enviando o seu Filho ao mundo”. O papa, então, clama pelo dom da escuta e o clamor dos mais vulneráveis:

“O amor, que reconcilia e salva, começa pela escuta. No mundo de hoje, multiplicam-se as mensagens, mas vai se perdendo a atitude de escutar. É somente através da escuta humilde e atenta que podemos chegar verdadeiramente a nos reconciliar.”

Para crescer é necessário partilhar, um dos seus elementos basilares da comunidade cristã. Francisco incentiva sobre o dever de “aprender a partilhar para crescermos juntos, sem deixar ninguém de fora”, sobretudo num período de emergência como o da pandemia. 

É preciso coenvolver para promover, como fez Jesus com a mulher samaritana (cf. Jo 4, 1-30). E o papa explica:

“Se queremos verdadeiramente promover as pessoas a quem oferecemos ajuda, devemos coenvolvê-las e torná-las protagonistas da sua promoção. A pandemia nos recordou como é essencial a corresponsabilidade, pois só foi possível enfrentar a crise com a contribuição de todos, mesmo de categorias frequentemente subestimadas.”

É necessário colaborar para construir, o que se torna, inclusive, compromisso comum dos cristãos, sem egoísmos e “sem nos deixarmos tentar por invejas, discórdias e divisões”, acrescenta o papa, que finaliza:

“Para salvaguardar a Casa Comum e torná-la cada vez mais parecida com o plano original de Deus, devemos nos empenhar em garantir a cooperação internacional, a solidariedade global e o compromisso local, sem deixar ninguém de fora.”

Oração

O Papa Francisco conclui a mensagem com uma oração inspirada no exemplo de São José, “particularmente quando foi forçado a fugir para o Egito a fim de salvar o Menino”:

"Pai, confiastes a São José o que tínheis de mais precioso: o Menino Jesus e sua mãe, para os proteger de perigos e ameaças dos malvados.

Concedei-nos, também a nós, a graça de experimentar a sua proteção e ajuda. Tendo ele provado o sofrimento de quem foge por causa do ódio dos poderosos, fazei que possa confortar e proteger todos os irmãos e irmãs que, forçados por guerras, pobreza e carências, deixam a sua casa e a sua terra a fim de se lançarem ao caminho como refugiados rumo a lugares mais seguros.

Ajudai-os, pela sua intercessão, a terem força para prosseguir, conforto na tristeza, coragem na provação.

Dai a quem os recebe um pouco da ternura deste pai justo e sábio, que amou Jesus como um verdadeiro filho e amparou Maria ao longo do caminho.

Ele, que ganhou o pão com o trabalho das suas mãos, possa prover àqueles a quem a vida tudo levou, dando-lhes a dignidade dum trabalho e a serenidade duma casa.

Nós Vo-lo pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho, que São José salvou fugindo para o Egito, e por intercessão da Virgem Maria, a quem ele amou como esposo fiel segundo a vossa vontade. Amém."


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