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01/06/2020 | domtotal.com

Estudantes da Dom Helder vencem mais uma disputa jurídica internacional

A competição, que ocorreria em Haia, foi realizada de forma online

Bernardo Leal, professora Lorena Bastianetto e Augusto Lima durante Simulação da União Europeia, em 2019. A equipe representou a Dom Helder no The Hague Debate 2020.
Bernardo Leal, professora Lorena Bastianetto e Augusto Lima durante Simulação da União Europeia, em 2019. A equipe representou a Dom Helder no The Hague Debate 2020.

Pela terceira vez consecutiva, a delegação da Dom Helder Escola de Direito venceu o The Hague Debate, tribunal internacional simulado promovido pela Universidade de Ciências Aplicadas de Haia, na Holanda. A competição, que ocorreria presencialmente na cidade de Haia, foi realizada de forma online em razão do estado de isolamento social, sendo transmitida pelo canal da universidade holandesa no Youtube.

Nesta edição do debate, que ocorreu na última quinta-feira (14), a Dom Helder foi representada pelos alunos Augusto Lima, Bernardo Leal e Matheus Mendonça, sob a orientação da professora Lorena Bastianetto. O estudante Augusto Lima também foi agraciado com o prêmio de melhor orador do torneio. "É uma competição interinstitucional na qual a Dom Helder participa há três anos e tem tido o sucesso de ser vencedora por todo este período", conta a professora Lorena.

A preparação para o evento se iniciou ainda no ano de 2019, quando foi aberto o edital para chamada pública de estudantes interessados em participar. Eles foram submetidos à avaliação oral e entrevista individual, sendo todas as etapas realizadas em língua inglesa, nas quais os três estudantes foram selecionados. Os treinamentos se iniciaram junto com o semestre letivo, no início de 2020. "Nossas reuniões ocorriam semanalmente, e a partir do fim de abril, intensificamos os treinos que se organizavam tanto em plenárias - com todos os membros - quanto em reuniões individuais para preparação orientada e pessoal de cada membro", explica a professora Lorena.

A orientadora conta também que o maior desafio de fazer parte dessa competição é ter que disputar com uma delegação que se gradua exclusivamente em Direito Internacional por quatro anos: "Toda a matriz curricular é exclusiva de Direito Internacional. Dentro desse contexto, são alunos extremamente preparados na matéria. Por esta razão, ao adentrarmos uma competição desta envergadura, temos que ter uma dedicação intensa, pois a matriz curricular brasileira não corresponde a esta proposta oferecida em Haia", afirma Lorena.

Augusto Lima e Bernardo Leal durante a apresentação online.

Employment Network Event

O The Hague Debate integra a programação do Employment Network Event, organizado anualmente com a finalidade de reunir as melhores universidades de Direito do mundo, os pesquisadores jurídicos e as empresas que trabalham com Direito Internacional. Em razão da situação de isolamento social em todo o mundo, o evento não ocorreu, mas a simulação foi mantida e transferida para a plataforma digital, o que alterou bastante a dinâmica e moldes da competição.

A professora Lorena explica que no ambiente físico, eles possuíam contato direto com a mesa julgadora e maior capacidade de expressão corporal, enquanto que no ambiente online, tiveram que se preocupar com vários detalhes que antes não faziam parte das práticas. Uma dessas preocupações foi a qualidade da conexão junto à plataforma em que ocorreu a

simulação, que teve de ser testada incansavelmente. Além disso, por questões de conexão, a capacidade de compreensão do discurso é prejudicada, o que os fez optar por argumentações precisas, objetivas e utilizando de palavras que são mais facilmente compreendidas.

Em entrevista ao Dom Total, os alunos Augusto Lima, Bernardo Leal e Matheus Mendonça contam como foi a preparação para o tribunal simulado e a experiência online.

Como foi a preparação para o The Hague Debate? Foi a primeira vez que vocês participaram?

Augusto: A preparação foi intensa. Como a dinâmica das reuniões seria obrigatoriamente diferente dos encontros presenciais, o desenvolvimento de argumentos e de materiais de pesquisa foi mais incisivo para que o treinamento fosse otimizado. Ainda assim, cumprimos com algumas tarefas de forma muito laboriosa em função do formato online, com algumas reuniões que chegavam a duas horas e meia. Participei pela terceira vez do debate e os frutos colhidos, novamente, são resultado do esforço de toda a equipe e, fundamentalmente, da incomparável orientação da professora Lorena Bastianetto.

Bernardo: Foi uma preparação muito dura, mas muito prazerosa. Tivemos que lidar com um tema complexo e muito atual, cheio de nuances e com um tempo de fala relativamente curto. Atingir o equilíbrio entre um conteúdo rico e um texto sucinto foi uma tarefa que exigiu bastante de todo o grupo. Além disso, foi a minha primeira vez como participante do The Hague Debate em específico, o que fez da experiência ainda mais encantadora e engrandecedora. Nesse aspecto, a orientação da professora Lorena Bastianetto e o empenho incansável de todos os membros foram essenciais para a construção da coesão do grupo e para o atingimento do resultado.

Matheus: A preparação foi intensa durante o primeiro semestre de 2020, com reuniões semanais, orientada pela professora Lorena Bastianetto, com seu brilhantismo ímpar! Após o início da quarentena nos adaptamos rapidamente para dar continuidade com os encontros por videoconferência e conseguimos manter o alto nível dos debates, mesmo em uma plataforma totalmente nova e com os desafios que o distanciamento acarreta. Foi meu primeiro ano participando do The Hague Debate, e em virtude do sorteio dos posicionamentos acontecer na hora, nos preparamos para defender ambos os lados. Atuando não como orador principal, mas pronto para substituir quaisquer dos meus colegas em eventual contratempo, houve um intenso treinamento para que conseguisse realizar todos os discursos da nossa equipe de ambos os posicionamentos.


Matheus Mendonça, que integrou a equipe como pesquisador e orador suplente.

Qual o maior desafio em competir com alunos da Universidade de Haia, que possui um curso forte e voltado para o Direito Internacional?

Augusto: Acredito que o maior obstáculo é o idioma. Com toda certeza, digo que a nossa preparação não se iniciou nesse semestre. Desde o início do curso, apesar de não termos a mesma imersão no Direito Internacional como os alunos de Haia, sempre buscamos competições, seminários e estudos individuais na área. Com isso, apesar do temor de estudantes extremamente competentes, confiamos no nosso potencial e nos estudos guiados pela professora Lorena. Remeto à questão do idioma pelo fato de as aulas na Universidade de Haia serem na língua inglesa; assim, consequentemente, os alunos podem conseguir articular as ideias de uma forma mais natural; porém, esse não foi um grande empecilho nos três anos de debate.

Bernardo: Acho que a maior dificuldade foi a certeza de que enfrentaríamos adversários extremamente preparados, com acesso a um material muito amplo e profundo em Direito Internacional, bem como munidos de uma carga cultural e técnicas de oratória muito distintas das nossas. Isso se provou verdadeiro durante o debate em si, visto que eles apresentaram uma argumentação muito sólida e confirmaram um trabalho de preparação intenso. Felizmente, conseguimos superá-los, e o ponto essencial, sem dúvida, foi a preparação intensa, pois sabíamos que a competição seria duríssima.

Matheus: A Universidade de Haia é referência em Direito Internacional e seus alunos são extremamente competentes. A dedicação da equipe finalista que representou a Universidade de Haia era notória. O arcabouço teórico defendido era firme, muito centrado nas bases do Direito Internacional, com refinamento teórico acima da média.

Neste ano, a disputa ocorreu de forma online. Esse método de debate influenciou muito na apresentação?

Augusto: De certo modo, o formato do debate influenciou na maneira como nos preparamos. Havia sempre o temor inerente à toda conexão por videoconferência relativo às falhas na internet, o que nos levou a testes incessantes para verificar a solidez das conexões nas casas de cada um de nós. Além disso, acredito que um grande obstáculo foi demonstrar aos juízes uma capacidade de oratória através da câmera, seja através de gestos ou de uma maior assertividade nos pontos importantes da apresentação. Contudo, nossos treinamentos intensos foram responsáveis pela nossa exímia adaptação, o que, por mais uma vez, trouxe à Dom Helder o prêmio de melhor orador.

Bernardo: Sem dúvida foi um desafio muito surpreendente e inesperado para todos, e, certamente, inclusive para a Universidade de Haia. Penso que a realização online é uma via de mão dupla, já que dificulta muito alguns aspectos de oratória e presença, que são intrínsecos a um contato pessoal, mas também permite o desenvolvimento de novas estratégias. Procuramos fazer o trabalho mais sólido possível, levando sempre em consideração a formatação das plataformas, e no decorrer dos treinos, fomos progressivamente aprendendo as melhores formas de usá-las. Acho que, por encararmos a mudança com otimismo desde o início, conseguimos nos adaptar bem, e, no final das contas, todo o evento correu muito bem.

Matheus: Sim. A plataforma online exigiu adaptações. Foi preciso garantir uma clareza na fala e uma oratória ainda mais fluida, adequando também o gestual e a linguagem corporal para os limites da tela. O olhar para a câmera, sem conseguir visualizar diretamente os juízes é algo próprio desta plataforma que, também se distingue completamente do usual. Foi necessário um treinamento a parte para garantir que cada expressão e colocação de voz fosse acertada.

O debate completo pode ser acessado através deste link.


Guilherme Moreira/Patrícia Azevedo/Necom



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