Meio Ambiente

19/05/2020 | domtotal.com

Denunciado 'genocídio' de indígenas isolados na Amazônia

O governo Jair Bolsonaro defende o uso comercial e se opõe à ampliação da demarcação de territórios indígenas

O governo de Jair Bolsonaro e a pandemia de Covid-19 contribuem para as invasões
O governo de Jair Bolsonaro e a pandemia de Covid-19 contribuem para as invasões (SURVIVAL INTERNATIONAL/AFP/Arquivos)

A ONG Survival International divulgou um comunicado no qual denuncia que indígenas da comunidade awá guajá isolados na Amazônia estão "sofrendo um genocídio". A denúncia foi feita pelo chamados Guardiões da Selva, grupo de indígenas que lutam contra a invasão de seus territórios  e reservas. "Impeçam as invasões de nosso território ou nossos parentes awá guajá morrerão. Estamos avisando mais uma vez ao Estado brasileiro e a comunidade internacional, que está ocorrendo um genocídio do povo awá guajá", afirma o comunicado escrito por Olimpio Guajajara, coordenador dos Guardiões da Selva.

Formada em 2012, no Maranhão, essa frente indígena foi criada para tentar impedir a entrada de madeireiros e garimpeiros em seus territórios. Nos últimos meses, vários guardiões foram mortos. O grupo afirma que seu trabalho permite proteger povos como os awá guajá que, com uma população de aproximadamente 400 pessoas, vivem isolados em três terras indígenas do Maranhão, segundo informações da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Os Guardiões informaram que os awá guajá estão se aproximando das aldeias Guajajara com mais freqüência, devido à "perda de território por atividades de exploração ilegal de madeira que estão devastando as últimas áreas da floresta preservada".

No sábado, um indígena Guajajara foi atingido por uma flecha enquanto caçava na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, informaram os Guardiões. O homem foi resgatado, no entanto, sem vincular diretamente a ação aos awá guajá. Os Guardiões disseram que se tratou de um evento inédito, que pode refletir um aumento nas invasões de territórios indígenas.

No Vale do Javari (AM), lar de mais povos indígenas isolados do que qualquer outro lugar do planeta, garimpeiros invadiram a região do Rio Jutaí. Essa região é território de indígenas isolados do povo korubo. A Terra Indígena Ituna Itatá (PA) está sendo intensamente invadida e configurou como o território mais desmatado de 2019.

O território dos uru eu wau wau (RO) está sendo atacado por invasores ilegais. Existem três grupos de indígenas isolados no local. Um guardião da floresta, Ari Uru Eu Wau Wau, foi assassinado no mês passado. 

Segundo o Censo de 2010, mais de 300 povos indígenas vivem no Brasil, muitos deles isolados. Mais da metade vive na Amazônia, ameaçada pela exploração ilegal e em larga escala dos recursos da região. O governo Jair Bolsonaro defende o uso comercial dessas áreas e se opõe à ampliação da demarcação de territórios indígenas.

Junto de muitas organizações e povos indígenas, a Survival International vem pressionando deputados federais e o presidente da Câmara contra a votação da MP da Grilagem - que, se aprovada, possibilitaria um dos maiores roubos de terras indígenas do país.

A Univaja, União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, disse: “Estamos vivendo um momento de muita angústia por causa dessa pandemia causada pelo coronavírus e trabalhamos sem parar na tentativa de proteger nossas aldeias e nossos jovens. É nesse momento tão delicado para nossas famílias e toda a sociedade brasileira que oportunistas criminosos insistem em invadir sorrateiramente nosso território, com a possibilidade de atingir os índios isolados no interior da Terra Indígena Vale do Javari.”

A diretora de pesquisa e campanhas da Survival, Fiona Watson, disse: “O que está acontecendo com os povos indígenas no Brasil constitui nada menos que um ataque genocida. Inúmeras terras indígenas estão sendo invadidas, com o apoio de um governo que, abertamente, deseja destruir os primeiros povos do país. Nos próximos meses, durante a estação seca da Amazônia, provavelmente haverá outra onda devastadora de incêndios e veremos também os próximos passos do “genocídio legislado” do governo Bolsonaro.”

A chegada da Covid-19 representa uma ameaça adicional. Um balanço da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) mostra que até o momento o vírus já se espalhou por 40 povos indígenas, contaminando 537 pessoas e deixando 102 vítimas fatais. 


AFP/Survival Brasi/Dom Total



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