Religião

22/05/2020 | domtotal.com

Fazer coisas ainda maiores que as que Jesus fez: uma meditação sobre não ficar olhando para o céu

Na Ascensão vislumbramos que nossa humanidade tem lugar no coração da própria Trindade

Nossa humanidade foi assumida, em definitivo, por Deus mesmo na Ascensão de Jesus.
Nossa humanidade foi assumida, em definitivo, por Deus mesmo na Ascensão de Jesus. (Lumo Project/ Free Bible Images)

Felipe Magalhães Francisco*

“Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai” (João 14,12). Essa frase, atribuída a Jesus pelo evangelista João, exprime muitíssimo bem o significado do que os anjos disseram aos discípulos, logo após Jesus ascender aos céus, segundo a narrativa de Lucas, nos Atos dos Apóstolos: era preciso não ficar parados, olhando atônitos e admirados para o céu, pois é o no chão da vida que a missão e a realização do ser-com-Jesus acontece.

Há muito o que se refletir, teologicamente, a respeito da Ascensão do Senhor que, no calendário litúrgico católico, é celebrada como uma solenidade. Essa é uma solenidade que integra as celebrações pascais, antecedendo a festa de Pentecostes. No Brasil, essa solenidade é, liturgicamente, celebrada no domingo anterior a Pentecostes. Ela é uma boa oportunidade – nem sempre aproveitada – de uma catequese que ajude os fiéis a perceber, profundamente, qual a radicalidade da encarnação do Filho de Deus, e suas consequências para a vivência cotidiana dos cristãos e cristãs.

A ascensão do Senhor, teologicamente, metaforiza a nossa relação que, em Jesus Cristo morto-ressuscitado, se dá de maneira incontornável, com Deus: nossa humanidade tem um lugar no coração da própria Trindade. A imagem da ascensão de Jesus Ressuscitado aos céus traz plasticidade àquilo que se realiza com a encarnação-cruz-ressurreição de Jesus: nossa humanidade foi assumida, em definitivo, por Deus mesmo. Eis, aqui, um caminho de esperança que se abre para nós: mesmo que sejamos, muitas vezes, tentados a nos frustrar profundamente com os fracassos desumanos de nossa humanidade, a vida do Filho de Deus nos revela que é possível realizar a nossa humanidade.

Essa esperança, de uma vida humanizada, à qual chamamos santidade, que se desembocará na eternidade da comunhão trinitária, deve ser vivida de maneira operosa em nossa história. Isso significa dizer que a esperança cristã não se inscreve no ficar parados, olhando para o céu, à espera que Jesus volte; mas, que cabe a cada cristão e cristã atuar no mundo, aos modos de Jesus, aquele que nos ensina, verdadeiramente, o que é ser humano. E, como somos muitos, em todos os cantos e lugares, temos a feliz oportunidade de fazer coisas ainda maiores que aquelas que Jesus fez, tal como ele próprio assinalou que deveria ser feito.

A essa reflexão, com seus teológicos desdobramentos, dedicam-se os colaboradores do Dom Especial desta semana. No primeiro artigo, Ascensão do Senhor: elevação da humanidade que se rebaixa por humildade, Daniel Reis nos conduz numa catequese mistagógica, a partir dos textos litúrgicos dessa solenidade. A partir do que rezamos na liturgia devemos nutrir e pautar nossa vida cristã: é o que nos ajuda refletir César Thiago Alves, no artigo Ascensão do Senhor e humanidade, no qual lança um olhar sobre como a humanidade ascendida de Jesus se revela verdadeiro dom para a humanidade. Diante desse dom, é preciso assumir uma postura existencial, tal como nos exorta Gustavo Ribeiro, no artigo Por que estais a olhar para o céu?, em que traz o elemento ético da fé, para a reflexão.

Boa leitura!


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*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com



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