Economia

22/05/2020 | domtotal.com

Pandemia deixará mais 11,5 milhões desempregados na América Latina em 2020

Estimativa é que 37,7 milhões de pessoas fiquem desocupadas, segundo OIT e Cepal

Pessoas fazem fila nas proximidades de agência da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro para receber ajuda do governo durante a pandemia do novo coronavírus, em 29 de abril de 2020
Pessoas fazem fila nas proximidades de agência da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro para receber ajuda do governo durante a pandemia do novo coronavírus, em 29 de abril de 2020 (AFP)

A crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus deixará 11,5 milhões de novos desempregados em 2020 na América Latina, o que aumentará o total de desocupados para 37,7 milhões de pessoas, estimaram nesta quinta-feira (21) a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em um relatório.

A contração econômica estimada na América Latina pela Cepal será de 5,3% este ano (a pior desde 1930) e terá "efeitos negativos" na taxa de desocupação na região, que passará de 8,1% em 2019 para 11,5% este ano, segundo as projeções apresentadas pelas duas instituições em sua sede regional em Santiago.

"Projeta-se um aumento da taxa de desocupação de pelo menos 3,4 pontos percentuais, o que equivale a mais de 11,5 milhões de novos desempregados", indicou o informe, intitulado Coyuntura Laboral en América Latina y el Caribe. El trabajo en tiempos de pandemia: desafíos frente a la enfermedad por coronavirus (Covid-19) (Conjuntura trabalhista na América Latina e no Caribe. O trabalho em tempos de pandemia: desafios frente à doença do coronavírus - COVID-19, em tradução livre).

Juntamente com o aumento da desocupação, as duas organizações esperam uma deterioração marcante da qualidade do emprego na região, onde a taxa média de trabalho informal já alcança 54%, afetando principalmente os setores mais vulneráveis.

A OIT estima em 10,3% a redução nas horas de trabalho, o que afetará 32 milhões de pessoas, devido à crise sanitária e às medidas de confinamento adotadas pelos países latino-americanos.

As cifras do desemprego afetarão duramente os mais vulneráveis da região, provocando o aumento da pobreza em 4,4 pontos percentuais e a extrema pobreza em 2,6 pontos percentuais com relação a 2019.

"Isto implica em que a pobreza atingiria, então, 34,7% da população latino-americana (214,7 milhões de pessoas) e a pobreza extrema, 13% (83,4 milhões de pessoas)", alertou a Cepal.

As duas instituições veem um futuro incerto para o mercado de trabalho regional e antecipam uma recuperação bastante lenta dos empregos perdidos, o que exigirá uma profunda formação e educação dos trabalhadores em segurança sanitária, protocolos de saúde e horários defasados de entrada e saída para evitar aglomerações e focos de contágio.

"Para isso, são necessários recursos institucionais e orçamentários reforçados que garantam seu cumprimento", destacou o informe.

O coronavírus provocou mais de 600 mil contágios e mais de 33 mil mortes em toda a América Latina, segundo o último balanço realizado.


AFP/Dom Total



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