Brasil

24/05/2020 | domtotal.com

Contrariando isolamento, Bolsonaro participa de mais um ato pró-governo

Atos acontecem após decisão do STF pela divulgação do vídeo da reunião ministerial

Bolsonaro foi cumprimentar apoiadores em nova manifestação em Brasília
Bolsonaro foi cumprimentar apoiadores em nova manifestação em Brasília (Evaristo Sa / AFP)

Dois dias após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro foi ao encontro de apoiadores nesse domingo (24), em um ato esvaziado em frente ao Palácio do Planalto. Com a direito a chegada de helicóptero e caminhada pela via em frente à Praça dos Três Poderes, Bolsonaro ficou meia hora no local e por seis vezes percorreu a grade de segurança para cumprimentar os manifestantes.

O chefe do Executivo optou por ir voando da residência oficial até o Palácio do Planalto, um trajeto que de carro dura cerca de cinco minutos. Antes de pousar em uma aérea próxima a vice-presidência, o presidente sobrevoou três vezes a área onde os manifestantes estavam. Imagens aéreas publicadas nas redes sociais do próprio presidente mostram um público reduzido.


Acompanhado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) Bolsonaro foi andando até a grade que cercava os manifestantes. O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) também acompanharam a aparição no ato.

Bolsonaro apareceu, sem máscara, em um vídeo publicado ao vivo em rede social cumprimentando apoiadores, que agitavam bandeiras do Brasil e o chamavam de "mito", dias depois de o Brasil ultrapassar a Rússia e se tornar segundo país mundo em casos de Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

"Mais uma manifestação espontânea do povo pela democracia e pela liberdade...Pessoas querendo realmente que o Brasil vá pra frente", disse o presidente.

Os apoiadores seguravam cartazes com frases como "Supremo é o Povo" e "o Poder emana do povo" e "o povo é Bolsonaro". De forma isolada, alguns manifestantes exibiram cartazes contra o Supremo Tribunal Federal e a imprensa. "Abaixo a ditadura do STF", dizia um dos cartazes. Em outro, frase classificava a imprensa como "inimiga". A presença de frases de tom antidemocrático contraria orientação da semana passada, em que em outro ato Bolsonaro fez chegar a lideranças do protesto pedido para não exibir faixas contra o STF e o Congresso.


Manifestantes puxaram coros de apoio e foram acompanhados por Bolsonaro quando cantaram "Eu sou brasileiro com muito orgulho". Uma caixa de som segurada por um apoiador reproduziu o hino nacional e também trechos da fala de Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril.

A manifestação, uma das várias que Bolsonaro tem participado nas últimas semanas, ocorreu quando o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, um aliado próximo de Bolsonaro, avalia uma possível proibição à entrada naquele país de viajantes do Brasil por causa do agravamento da pandemia no país.

Dados do Ministério da Saúde divulgados na noite de sábado mostraram que 16.508 novos casos haviam sido registrados nas últimas 24 horas, elevando o total para 347.398 , enquanto o número de mortos aumentou em 965 para 22.013.

Bolsonaro, sem máscara, posou para fotografias e cumprimentou algumas pessoas, provocando aglomerações, parte de um padrão contrário a orientações de profissionais de saúde para conter a pandemia. Uma manifestação a favor de Bolsonaro também ocorria em São Paulo, epicentro da pandemia do Covid-19 no país.

Os atos acontecem após decisão na sexta-feira do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de divulgar um vídeo de uma reunião ministerial de 22 de abril, no âmbito de investigação sobre suposta tentativa de interferência do presidente na Polícia Federal.

Além de comparecer à manifestação, Bolsonaro ainda publicou em sua conta no Twitter um trecho da lei de abuso de autoridade, no que parecia uma crítica à decisão do ministro Celso de Mello, do STF, de divulgar o vídeo.


Reuters



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