Brasil Política

26/05/2020 | domtotal.com

Polícia Federal faz operação na residência oficial do governador do Rio de Janeiro

Ação faz parte da Operação Placebo, desencadeada para apurar indícios de desvios de recursos públicos destinados ao enfrentamento do coronavírus no estado

Palácio das Laranjeiras, residência do governador fluminense, visto do Parque Guinle
Palácio das Laranjeiras, residência do governador fluminense, visto do Parque Guinle (Fernando Frazão/ABr)

Atualizada às 10h20

A Polícia Federal (PF) cumpre mandado de busca na manhã desta terça-feira (26), no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio, Wilson Witzel. Há equipes também em outros pontos da cidade. A ação faz parte da Operação Placebo, desencadeada para apurar indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública do coronavírus no estado do Rio de Janeiro.

Agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio. As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). "Elementos de prova, obtidos durante investigações iniciadas no Rio de Janeiro pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal no estado, foram compartilhados com a Procuradoria Geral da República no bojo de investigação em curso no Superior Tribunal de Justiça e apontam para a existência de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro", informou a PF em nota. 

Segundo investigadores, a PF também busca provas em outros três endereços: no Palácio da Guanabara, onde o chefe do Executivo fluminense despacha; em sua antiga casa, usada antes de se eleger; e em um escritório da mulher dele.

Investigação

A ação desta terça-feira foi deflagrada um dia após ser nomeado o novo superintendente da corporação no Rio, Tácio Muzzi. A representação da PF no estado está no centro de uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se o presidente busca interferir politicamente em investigações da corporação.

A investigação da PF no Rio apura fraudes na contratação da organização social Iabas para a montagem de hospitais de campanha. O inquérito contra Witzel foi aberto a partir de um depoimento de Gabriell Neves, ex-subsecretário de Saúde preso sob suspeita de fraudes na compra de respiradores. Neves mencionou o nome do governador ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

A operação se baseia em apurações iniciadas no Rio de Janeiro pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal. Os dados obtidos foram compartilhados com a Procuradoria-Geral da República, que conduz a investigação perante o STJ.

Zambelli vazou

Um dia antes de deflagrada a operação, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse que alguns governadores estão sendo investigados pela Polícia Federal. A informação foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha. Zambelli, que é apoiadora ferrenha do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que nos próximos meses iriam ocorrer operações para investigar possíveis irregularidades na Saúde.

"A gente já teve algumas operações da PF que estavam na agulha para sair, mas não saíam. A gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar de 'covidão' ou não sei qual vai ser o nome que eles vão dar. Mas já tem alguns governadores sendo investigados pela PF", comentou.

A jornalista Kelly Matos, da Rádio Gaúcha, publicou agora há pouco o áudio da deputada em sua conta no Twitter.

Agentes da PF estão no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio. A ação é comandada por agentes da Polícia Federal de Brasília. Ontem, Carla Zambelli informou na Rádio Gaúcha que viriam operações contra governadores. Áudio aqui: 👇🏼 pic.twitter.com/9GKnIL3tps

— Kelly Matos (@kellymatos) May 26, 2020

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Agência Estado/Agência Brasil/Dom Total



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