Religião

26/05/2020 | domtotal.com

Bispos e religiosos anunciam desinvestimento do carvão

Conversão ecológica proposta pelo papa Francisco começa a ganhar adesão de conferências episcopais e de religiosos

Empresa de mineração de carvão da Indonésia
Empresa de mineração de carvão da Indonésia (Unsplash/ Dominik Vanyi)

Aumenta o movimento pelo desinvestimento de combustíveis fósseis, com as Igrejas cristãs do mundo na vanguarda. Depois da declaração assinada há uma semana por 42 instituições religiosas de várias confissões em 14 países que anunciaram seu compromisso de desinvestir em fontes de energia com alto conteúdo de carbono, recentemente vários bispos e Congregações religiosas nas Filipinas declararam por sua vez a intenção de bloquear todos os seus investimentos nas indústrias de carvão.

A declaração foi divulgada durante a Semana Laudato si', celebrada nas vésperas do ano dedicado ao cuidado da Criação, iniciado no último domingo por ocasião do quinto aniversário da publicação da encíclica do papa Francisco sobre a ecologia integral.

“Acreditamos que o carvão, o combustível fóssil mais poluente e grande responsável pela emergência climática, seja contrário a todos os ensinamentos da Igreja, especialmente na defesa da vida e da dignidade da pessoa humana e no cuidado da criação de Deus”, lê na declaração. “Hoje estamos diante de duas crises globais que mostram as consequências de decisões que não colocam a saúde de nosso povo e do planeta em primeiro lugar. As duas crises são um forte apelo para a construção de um mundo melhor”, destacam os líderes religiosos filipinos católicos.

Dentre os membros da Associação dos Superiores Maiores do país estão os Missionários Agostinianos, dom Gerardo Alimane Alminaza, bispo da diocese de San Carlos, e mons. Broderick Pabillo, administrador apostólico da arquidiocese de Manila, convencido defensor da necessidade de uma mudança ecológica.

Num post recente nas mídias sociais, relata a agência Ucanews, o prelado evidenciou que o carvão não é uma fonte de energia econômica, já que os filipinos o pagam de outras maneiras. “Infelizmente, a saúde das pessoas raramente é levada em consideração nas economias em que o crescimento econômico é a prioridade”, denunciou mons. Pabillo. “Enquanto as políticas empresariais e de governo favorecerem o lucro sobre as pessoas, a dependência do petróleo continuará”, concluiu.


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