Coronavírus

27/05/2020 | domtotal.com

Mulher tem parto antecipado devido à Covid-19 e só encontra a filha quase um mês depois

'Foi tudo muito difícil', diz Rusia Gois, que chegou a ser entubada durante nascimento da criança

Rusia Gois posa para foto com filha no colo na porta de maternidade no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 2020
Rusia Gois posa para foto com filha no colo na porta de maternidade no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 2020 (Ricardo Moraes/Reuters)

Quando Luísa veio ao mundo em um hospital do Rio de Janeiro, sua mãe, a enfermeira Rusia Gois, estava desacordada e entubada devido à Covid-19, doença respiratória provocada pelo novo coronavírus.

O parto precisou ser antecipado devido ao avanço da doença na mãe, que deu à luz em 26 de abril, no início do 8º mês de gestação, e só conseguiu encontrar a filha quase um mês depois, quando ambas, saudáveis, puderam "ir para casa seguir a vida", nas palavras de uma mãe emocionada.

"Muito difícil, muito angustiante, eu ainda me emociono com tudo, tudo me faz chorar", disse Rusia, de 43 anos, em entrevista na maternidade onde Luísa nasceu.

"Foi tudo muito difícil, do início, de quando eu entrei aqui na maternidade com os sintomas, que eram muito sofridos, até o dia da minha alta. A minha recuperação no hospital também foi muito difícil, tudo muito doloroso. No momento em que eu estava em coma, não tenho essa noção, mas o antes de ela nascer e depois que eu fiquei lúcida, foi tudo muito difícil."

Rusia deu entrada no Hospital e Maternidade Santa Lúcia devido aos sintomas da Covid-19, em especial a falta de ar. Ela ficou internada por dois dias antes de a equipe médica decidir pela antecipação do parto para o tratamento da doença. A bebê teve resultado negativo nos testes realizados para a Covid-19.

Depois do nascimento, Luísa ficou na maternidade enquanto a mãe enfrentava o coronavírus no Hospital Pró-Cardíaco, para onde fora transferida devido à gravidade de seu quadro. Recuperada da pior fase da doença, mas ainda hospitalizada, Rusia pôde conhecer a filha virtualmente, através de um tablet, com o pai Ednaldo Gois como intermediário segurando a bebê no colo do outro lado da tela. "A parte mais difícil já passou", disse ele à esposa da maternidade.

Recuperada, Rusia teve alta do hospital após 14 dias internada e finalmente pôde encontrar a filha no dia 20 de maio, quase um mês depois do nascimento. Cinco dias depois, Luísa recebeu uma festa com balões e um músico tocando violino ao deixar o hospital a caminho de casa ao lado dos pais e da irmã mais velha, Júlia, de 8 anos.

"Para uma mãe, só Deus sabe quanta falta me fez aquela pequenininha, que estava dentro da minha barriga, e que de repente tiraram por conta disso tudo, e depois poder pegar ela no colo é muito emocionante", afirmou Rusia.

Após ter sobrevivido a uma doença que tem provocado milhares de mortes pelo país, a enfermeira fez um alerta para que a população tome todas as medidas de precaução para evitar a Covid-19.

"Eu peço para que as pessoas se cuidem. Nós estávamos nos cuidando, mas é uma doença muito fácil de pegar. Por mais que você tenha cuidado, então quanto mais cuidado melhor", disse Rusia, acrescentando que o marido e a filha Júlia também foram infectados.

"Para as grávidas é mais difícil. Eu estava grávida, eu estava com 34 semanas. Então, assim, resguardem as grávidas, guardem as grávidas dentro de casa, cuidem das grávidas, porque só Deus sabe o quanto foi difícil isso tudo por eu estar grávida... eu quase morri."


Reuters



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