Economia

27/05/2020 | domtotal.com

Covid-19: As Américas serão região mais afetada no mercado de trabalho, diz OIT

Jovens são afetados desproporcionalmente pela pandemia; Um a cada seis perdeu o emprego

Pelo menos 267 milhões de jovens estavam desempregados, não frequentavam a escola, nem cursos profissionalizantes
Pelo menos 267 milhões de jovens estavam desempregados, não frequentavam a escola, nem cursos profissionalizantes (José Cruz/ABr)

As Américas serão as maiores vítimas mundiais dos cerca de 305 milhões de empregos perdidos durante a pandemia de Covid-19 entre abril e junho, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (27).

O surto também ameaça gestar uma "geração isolamento" de jovens forçados a correr para se atualizarem no mercado de trabalho durante ao menos 10 anos, disse a entidade sediada em Genebra.

As Américas passaram de região menos afetada em termos de mercado de trabalho no primeiro trimestre para a mais abalada, e deve sofrer uma queda de 13,1% em horas de trabalho no segundo trimestre, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, em entrevista. Isso se deve ao fato de a região ter se tornado o novo epicentro do surto.

Ryder disse estar "extremamente preocupado" com os jovens, que estão sendo afetados pela crise de forma desproporcional, alertando que isso pode levar a uma "geração isolamento". "Os jovens serão simplesmente deixados para trás, e em grande quantidade", afirmou. "O perigo é este choque inicial nos jovens durar uma década ou mais. Isso afetará a trajetória (do emprego)...no decorrer de suas vidas profissionais".

Pelo menos 267 milhões de jovens estavam desempregados, não frequentavam a escola, nem cursos profissionalizantes. Os jovens de 15 a 24 anos que trabalhavam, geralmente mantinham formas de emprego que os tornavam mais vulneráveis, porque eram empregos mal remunerados, ou informais, ou devido à sua condição de trabalhadores migrantes.

Mais de uma de cada seis pessoas empregadas de até 24 anos perdeu o emprego desde o início do surto, segundo a OIT. E aqueles que mantiveram seus empregos viram seu horário de trabalho diminuir em 23%.

"A crise econômica causada pela Covid-19 está atingindo os jovens – especialmente as mulheres – com mais força e rapidez do que outros grupos populacionais", disse Guy Ryder.

A OIT elevou sua estimativa de perda de empregos no primeiro trimestre em 7 milhões, o que totaliza 135 milhões de postos. A organização também ressaltou os problemas específicos dos Estados Unidos e do Brasil.

Política de testes

Esta quarta edição do Observatório da OIT sobre o impacto da Covid-19 também mostra que uma política rigorosa de testes em massa leva a muito menos perturbações no mercado de trabalho e em termos sociais do que as medidas de quarentena e confinamento.

Nos países que testam sua população em larga escala, a redução média no horário de trabalho é de até 50%. Segundo a OIT, há três razões para isso: testes e triagem reduzem a necessidade de medidas estritas de contenção; promovem a confiança do público, incentivando o consumo e ajudando a apoiar o emprego; e ajudam a minimizar as interrupções operacionais no local de trabalho.

Além disso, podem contribuir diretamente para a criação de novos empregos, mesmo que temporários. "Testes e triagens podem ser um componente valioso da estratégia para combater o medo, reduzir riscos e reviver nossas economias e sociedades", afirmou Ryder.

Globalmente, a crise continua a causar "uma redução sem precedentes na atividade econômica e no tempo de trabalho em todo mundo", observa a OIT, sendo a região das Américas a mais afetada, seguida pela Europa e pela Ásia Central.

Em comparação com o quarto trimestre de 2019, a organização observou uma queda de 4,8% nas horas de trabalho no primeiro trimestre de 2020 (o que equivale a 135 milhões de empregos com base em uma semana de trabalho de 48 horas).

As perspectivas para o segundo trimestre são "desastrosas": as horas trabalhadas deverão cair cerca de 10,7%, o equivalente a 305 milhões de empregos em período integral.

Preocupação com o mercado

É "preocupante" que o mercado de trabalho dos EUA continue "difícil" enquanto outros países que suavizam seus isolamentos tenham começado a ver recuperações modestas, disse Sangheon Lee, diretor do Departamento de Políticas de Emprego da entidade.

No Brasil, existem "bons motivos para estar preocupado tanto com a trajetória da pandemia quanto com sua capacidade de adotar o tipo certo de medidas (para o ambiente de trabalho) para reagir a ela", disse Ryder.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Economia informou que o Brasil fechou 763.232 vagas formais de trabalho no período de janeiro a abril de 2020.


Dom Total/Reuters/AFP



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