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27/05/2020 | domtotal.com

Trump ameaça 'fechar' redes sociais após questionamento de seus tuítes

Plataforma classificou duas postagens do presidente dos EUA como 'enganosas'

Trump voltou ao ataque nesta quarta-feira
Trump voltou ao ataque nesta quarta-feira (Josh Haner/The New York Times)

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (27) "regulamentar fortemente" ou "fechar" as redes sociais, depois que o Twitter classificou pela primeira vez dois de seus tuítes como "enganosos" e os tratou como disseminadores de informações não verificadas.

A medida irritou o presidente, que usou a mesma plataforma para manifestar sua indignação pela suposta censura. "Os republicanos acham que as plataformas de mídia social silenciam completamente as vozes conservadoras. Vamos regulá-las fortemente, ou vamos fechá-las, em vez de permitir que algo assim aconteça", tuitou o presidente.

O Twitter destacou dois tuítes de Trump publicados na terça-feira, nos quais o presidente dizia, sem provas, que o voto pelos correios levaria a uma eleição fraudulenta.

"Não há como o voto pelos correios ser outra coisa diferente de algo substancialmente fraudulento", escreveu.

Abaixo das postagens, o Twitter postou um "link" que diz: "Obtenha informações sobre a votação pelos correios", uma novidade para a rede social que por muito tempo resistiu aos apelos para censurar o presidente americano por postagens que desafiam a verdade.

Há muito tempo que Trump tem usado o Twitter para difundir insultos, teorias da conspiração e informações falsas para seus 80 milhões de seguidores.

E novamente Trump voltou ao ataque nesta quarta-feira contra a medida que ganha força em alguns estados em meio à pandemua: "Não podemos permitir que as cédulas por correio em larga escala ocorram em nosso país. Seria a liberdade de todos os enganos, falsificações e roubos de cédulas".

"Quem trapacear mais, ganha. Do mesmo modo que as redes sociais. Limpe o que você fez, AGORA!", disse o presidente.

Em plena campanha pelo segundo mandato nas eleições de novembro, Trump também acusou as redes sociais de interferirem nas últimas eleições: "Vimos o que tentaram fazer e fracassaram em 2016".

"Não podemos permitir que volte a acontecer uma versão mais sofisticada disso", acrescentou.

Conteúdo enganoso

A advertência do Twitter abaixo das mensagens de Trump consiste em um link, que ao ser clicado pelos usuários abre uma mensagem que destaca que as afirmações do presidente são "infundadas", citando informações de vários meios de comunicação, incluindo CNN e Washington Post.

A mensagem diz: "Trump afirmou falsamente que as cédulas de voto por correio levariam a eleições fraudulentas".

"Os verificadores, no entanto, afirmam que não há evidências de que as cédulas por correio estejam relacionada com fraude eleitoral".

Trump havia citado em seus tuítes o governador da Califórnia, alegando de modo equivocado que todos os moradores do estado receberiam uma cédula, quando na realidade os envios se dirigem apenas aos eleitores registrados, segundo a explicação dos verificadores.

As mensagens violaram uma política ampliada recentemente pelo Twitter, destacou a empresa.

"Ao servir à conversa pública, nosso objetivo é facilitar a busca de informações confiáveis no Twitter e limitar a propagação de conteúdo potencialmente prejudicial e enganoso", afirmou a empresa quando anunciou as mudanças.

Antes de ser eleito em 2016, Trump construiu sua marca política apoiando a mentira de que Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, não havia nascido no país e, portanto, não era elegível para ser presidente.

Atualmente, seu rival eleitoral é Joe Biden, que foi vice-presidente de Obama, e Trump usa o Twitter novamente para atacar o líder popular.

A alegação de Trump de que Obama fez parte de uma tentativa de "golpe de Estado" durante os primeiros dias de seu governo tem uma hashtag (#ObamaGate), que o presidente usa regularmente em suas publicações.

Teoria da conspiração

A medida do Twitter contra os tuítes do presidente americano acontece no momento em que ele, em meio à forte desaceleração econômica nos Estados Unidos e 100 mil mortes provocadas pela pandemia de coronavírus, divulgava a teoria da conspiração sobre Scarborough, um conhecido apresentador da rede MSNBC.

Os boatos sem evidências divulgados pelo presidente afirmam que o apresentador de TV matou uma mulher com a qual teve um relacionamento em 2001, quando ele era um congressista republicano e ela integrava sua equipe de assessores.

"O psicopata Joe Scarborough está desconcertado, não apenas por suas medições ruins, mas por todas as coisas e fatos que estão acontecendo na internet sobre a abertura de um caso congelado. Ele sabe o que está acontecendo!", tuitou Trump.

Nunca houve nenhuma evidência de que Scarborough estivesse relacionado à morte de Lori Klausutis. Os investigadores indicaram que ela morreu depois de bater a cabeça durante uma queda, causada por um ritmo cardíaco anormal.

No entanto, o boato é alimentado há anos e Trump é o seu mais recente promotor de destaque, mesmo depois que o viúvo de Klausutis pediu para parar a "mentira cruel" em uma carta publicada na terça-feira pelo jornal The New York Times.

O Twitter disse em comunicado que lamentava profundamente a "dor" da família, mas não tomou nenhuma atitude.


AFP



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