Brasil Política

28/05/2020 | domtotal.com

Em novo ataque ao Supremo, Bolsonaro comenta ação da PF: 'Chega, acabou, p***!'

Presidente chamou de inadmissível a operação contra fake News contra aliados

O presidente faz ameaças ao Poder Judiciário e mais um rompante de autoritarismo
O presidente faz ameaças ao Poder Judiciário e mais um rompante de autoritarismo (Sérgio Lima/AFP)

Atualizado às 12h35

O presidente Jair Bolsonaro declarou nesta quinta-feira (28) que não admitirá "decisões individuais" e "monocráticas". Bolsonaro fez um alerta velado ao Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo: "Chega". "Acabou, porra!", esbravejou. "Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoais certas ações", disse.

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"Mais um dia triste da nossa história, mas foi o último dia triste", comentou o presidente referindo-se ao dia de ontem, quando empresários, políticos e blogueiros aliados ao seu governo foram alvo de operação da Polícia Federal em inquérito que apura ataques e fake news contra ministros da Corte. As ações de busca e apreensão foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação.

Segundo o presidente, "ordens absurdas" não devem ser cumpridas pela Polícia Federal. Ele disse que a operação da véspera teve o objetivo de atingir a única mídia favorável a ele e que alguns pretendem tirá-lo da Presidência para "voltar a roubar". "Não farão que eu transgrida, me transforme em pseudo-ditador de direita", disse o presidente, afirmando ainda ser o chefe supremo das Forças Armadas e garantindo que está com "as armas da democracia na mão".

Bolsonaro afirmou que "invadir casas de pessoas inocentes" e submetê-las a humilhações é "inadmissível". O chefe do Executivo classificou a quarta-feira como dia "triste" e alertou que seria o último do tipo. "Não foi justo o que aconteceu ontem", disse.

Em sua fala, Bolsonaro, contudo, não citou Moraes nominalmente e destacou mais de uma vez que respeita os Poderes públicos - cobrando respeito também. "Respeitamos os demais poderes, mas não abrimos mão de que nos respeitem também". "Inventaram o nome 'gabinete do ódio', uns acreditaram e outros foram além e abriram processo no tocante a isso. Não pode um processo começar em cima de um factoide, em cima de uma fake news", declarou.

O presidente disse que "a historinha de querer criminalizar o ódio" é uma forma de censurar as mídias sociais, que o elegeram. Ele citou ainda é que "não existe pessoa mais humilhada" que ele nas redes sociais e nem por isso "levantou uma só palavra no sentido de controlar quem quer que seja".

Mais tarde, o presidente cobrou respeito ao Executivo e fez um apelo para que "deixem o governo trabalhar", reiterando que Legislativo e Judiciário precisam ser "independentes" – mas apelou para que "não mergulhem o Brasil em uma crise política". Declarou ainda que "a democracia é algo sagrado e admite que todos estejam preocupados com ela. Não basta apenas um ou dois Poderes se preocupar, todos devem se preocupar com ela (sic)", acrescentando que busca "paz, harmonia, independência e respeito".

Bolsonaro se dispôs a conversar com os chefes de cada Poder, citando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com o ministro Luiz Fux, do STF que responde interinamente pela Corte. Bolsonaro sugeriu ainda, sem detalhar nomes, que querem o tirá-lo da "cadeira" de presidente. "Inventar factoides e fake news contra a minha pessoa para me tirar da minha cadeira: não vão tirar", disse.

Bolsonaro não aceitou perguntas dos repórteres e encerrou a fala quando um dos jornalistas tentou questioná-lo.


Agência Estado/Reuters/Dom Total



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