Economia

30/05/2020 | domtotal.com

Governo da Espanha aprova renda mínima para combater fome e pobreza da população

A expectativa é de atingir 850 mil lares onde vivem 2,3 milhões de pessoas

Uma mulher sai depois de fazer um exame de sangue em um ponto de teste temporário em Torrejon de Ardoz
Uma mulher sai depois de fazer um exame de sangue em um ponto de teste temporário em Torrejon de Ardoz (AFP)

O governo espanhol aprovou, na sexta-feira (29), a criação de uma renda social mínima, para combater a pobreza exacerbada pela crise do coronavírus e que levou muitas famílias a pedirem comida para sobreviver.

"Hoje nasce um novo direito social na Espanha", proclamou o vice-presidente do governo e líder da esquerda radical do Podemos, Pablo Iglesias, depois que a medida foi aprovada no conselho de ministros.

Como explicou, essa renda mínima garantirá 462 euros por mês (R$ 2784) a um adulto que mora sozinho. No caso das famílias, a este mínimo serão adicionados 139 euros (R$ 837,61) por mês para cada pessoa adicional, adulto, ou criança, com um máximo de 1.015 euros por família (R$ 6116,37).

A renda mínima será compatível com outras rendas, de modo que, se alguém tiver um emprego mal remunerado, receberá um complemento até atingir os limites estabelecidos no dispositivo aprovado. O Ministério da Inclusão e da Seguridade Social detalhou que, com esse dispositivo, "a renda média garantida é de 10.070 euros (R$ 60.681,60) por ano por família".

O governo explicou que espera atingir 850 mil lares onde vivem 2,3 milhões de pessoas, 30% das quais são menores. Em junho, cerca de 100 mil famílias deverão se beneficiadas da medida.

A renda mínima foi uma promessa do Executivo de coalizão formado pelos socialistas e pelo Podemos, que se viu "forçado a acelerar a implementação" diante da crise do coronavírus, disse Iglesias.

A desaceleração econômica deixou milhares de pessoas desempregadas no país e fez a pobreza disparar mais acentuadamente do que na crise de 2008, ano em que a bolha imobiliária estourou na Espanha.

Pela primeira vez em suas vidas, muitas famílias, especialmente em Madri, precisam pedir comida a paróquias e associações de bairro.

O governo enfatizou que, com a medida, orçada em 3 bilhões de euros por ano (R$ 18 bilhões), deseja eliminar a pobreza extrema. De acordo com cálculos oficiais, hoje essa condição afeta 600 mil famílias e 1,6 milhão de pessoas.

Em fevereiro, o relator especial da ONU para a pobreza extrema, Philip Alston, afirmou, ao final de uma missão, que a Espanha estava "falhando completamente com as pessoas que vivem na pobreza, cuja situação está agora entre as piores da União Europeia".

O ministro espanhol da Inclusão e da Seguridade Social, José Luis Escrivá, explicou que, no caso da Espanha, a taxa de pobreza extrema se reduz "muito menos" do que em outros países vizinhos após transferências públicas, situando-se em 9%, em comparação com uma média europeia de 5,4%.


AFP



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