Religião

31/05/2020 | domtotal.com

Teóloga francesa 'candidata-se' a arcebispo de Lyon

Diferenciando sacerdócio de governo eclesial, biblista aponta falhas do episcopado na proteção de menores

Anne Soupa, co-fundadora da associação
Anne Soupa, co-fundadora da associação "O comitê da saia", que promove a igualdade entre homens e mulheres na Igreja, e da Conferência Católica dos Francofones Batizados (CCBF). (Reprodução/ La Croix)

A teóloga e biblista francesa Anne Soupa anunciou esta semana na sua conta de Twitter que irá “candidatar-se” para suceder ao cardeal Philippe Barbarin como arcebispo de Lyon, num gesto inédito e provocatório que pretende reivindicar um papel mais relevante para as mulheres na Igreja Católica.


Anne Soupa, 73 anos, salienta que “no ano 2020, na Igreja Católica, nenhuma mulher dirige uma diocese, nenhuma mulher é sacerdote, nenhuma mulher é diaconisa, nenhuma mulher vota nas decisões dos sínodos” e defende que essa exclusão “de metade da humanidade” da Igreja “não só é contrária à mensagem de Jesus Cristo, como também é prejudicial para a Igreja, que se mantém assim num ambiente que favorece os abusos”.

No caso da diocese de Lyon, os últimos quatro arcebispos “falharam na tarefa principal de proteger as suas comunidades”, acusa a biblista, referindo-se aos casos de encobrimento de abusos sexuais de crianças ocorridos na diocese, e que levaram à resignação de Barbarin.

A teóloga tem já a carta da candidatura preparada para apresentar ao núncio apostólico. “Vou enviar uma profissão de fé, um programa para Lyon, uma biografia e um comunicado de imprensa”, disse a biblista. Fundadora do Comitê da Saia, em 2008, e co-fundadora da Conferência Católica dos/das Baptizados/as Francófonos/as, já não é a primeira vez que Soupa organiza movimentações públicas para contestar a invisibilidade das mulheres nos lugares de decisão da Igreja Católica.

Anne Soupa reconhece que a sua atitude é “louca, embora o mais louco seja o fato de parecer louca, quando não o é”, afirma, explicando ainda que “ser padre é uma coisa e governar é outra” e que “o papa Francisco pediu aos teólogos para distinguir melhor o sacerdócio e a governança, de forma a criar mais espaço para as mulheres”.

A teóloga e biblista tem vários livros publicados em diversas editoras católicas, nos quais trata sobretudo temas bíblicos ou sobre as mulheres na Igreja – ou cruzando os dois, como é o caso das obras Dieu aime-t-il les femmes? (“Deus ama as mulheres?, de 2012), ou Douze femmes dans la vie de Jésus (“Doze mulheres na vida de Jesus”, de 2014).


Sete Margens



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