Coronavírus

29/05/2020 | domtotal.com

Casos de Covid-19 em favelas de BH deixam moradores em alerta

Falta de sanamento e impossibilidade de adotar isolamento são alguns dos desafios

BH já tem casos de Covid-19 confirmados em pelo menos seis favelas
BH já tem casos de Covid-19 confirmados em pelo menos seis favelas (Rômulo Ávila/ Arquivo)

Rômulo Ávila*

Moradores de favelas de Belo Horizonte estão em alerta após a confirmação de casos de Covid-19 entre pessoas dos aglomerados. Localizado entre bairros nobres da capital mineira, o Morro do Papagaio, Região Centro-Sul da cidade, teve a primeira infecção confirmada nesta semana pelo líder comunitário Júlio Fessô.

“Não me perguntem quem é, pois, o meu objetivo não é de causar nenhum pânico às pessoas, ou constrangimento à família; quero tão somente alertar vocês, moradores do Morro do Papagaio, sobre o perigo que é este vírus, e reforçar o pedido:  quem pode (na medida do possível) fique em casa. Quem não pode, ao sair e voltar, se cuide. Lave bem as mãos com água e sabão, evite aglomerações, use máscara e álcool em gel (se tiver). Todo cuidado ainda é pouco, e precisa ser mútuo”, escreveu em uma rede social.

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Além do Morro do Papagaio, recorte epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde aponta casos da doença no Alto Vera Cruz, Taquaril, Santana do Cafezal e Vila Marçola.

Atualmente, aproximadamente 13 milhões de pessoas vivem em favelas do Brasil, realidade bem diferente da de países europeus que perderam milhares de vida para a Covid-19.  Dados do Instituto Trata Brasil apontam que 35 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de água potável e 95 milhões não possuem coleta de esgoto em seus locais de moradia. Muitos deles estão nas favelas. Por isso, a preocupação das autoridades de saúde com a chegada do coronavírus nesses locais é enorme. 

Médico sanitarista e diretor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antonio José Leal Costa disse, em entrevista à Agência Pública, se existisse um mapa, seria possível ver que todas as vulnerabilidades estariam sobrepostas: “onde há piores condições de saneamento e acesso à água, também há maior aglomeração e maior precariedade em termos de trabalho e de renda”, diz.

Subnotificação

Minas Gerais soma  9.232 infecções e 257 óbitos, conforme dados atualizados nesta sexta-feira (29) pela Secretaria Estadual de Saúde. Belo Horizonte é a cidade do estado com o maior número de casos da doença:1.766 (com 48 mortes).

O novo coronavírus não é o único inimigo invisível enfrentado em Minas . A subnoficação dos casos no estado pode esconder a real situação da doença, inclusive nas favelas. 

Membro do comitê criado pela Prefeitura de Belo Horizonte para enfrentar a pandemia, o médico infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás reconhece o problema. "Com certeza há uma subnotificação de casos e nos óbitos em todo o Brasil. Como falei, esse diagnóstico tem impactado e nos preocupa demais no enfrentamento dessa condição, por não saber exatamente a dimensão real do problema. Há situações em que, quando a gente vê o problema chegar, já está tarde demais, quando a gente vai agir, a coisa já passou por cima. A nossa ação tem que ser muito rápida e certeira e, com essas incertezas todas, fica mais complicado", disse ao Dom Total.


Dom Total: Edição e colaboração de Pablo Pires Fernandes



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