Brasil Política

31/05/2020 | domtotal.com

Bolsonaro vai a manifestação e cumprimenta apoiadores, que fazem críticas a STF

O STF tem sido alvo de ataques por parte de Bolsonaro e seus apoiadores após a Corte ter autorizado o cumprimento de mandados de busca e apreensão tendo como alvo bolsonaristas

Em Brasília, bolsonaristas protestam contra o STF
Em Brasília, bolsonaristas protestam contra o STF (Twitter/Roberto Jefferson/Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro desembarcou na Esplanada dos Ministérios e, sem usar máscara, cumprimentou apoiadores que estão em frente ao Palácio do Planalto participando de manifestação. Ele estava acompanhado pelo filho Flávio Bolsonaro senador pelo Rio de Janeiro.

Na manifestação, prevalecem as críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns manifestantes empunharam uma faixa pedindo "intervenção militar". Há ainda uma bandeira que pede !intervenção no STF".

O STF tem sido alvo de ataques por parte de Bolsonaro e seus apoiadores após a Corte ter autorizado o cumprimento de mandados de busca e apreensão tendo como alvo bolsonaristas. Eles são investigados no inquérito das fake news.

Em frente ao Planalto, Bolsonaro trocou apertos de mão com os manifestantes, que estão aglomerados em uma grade de proteção montada em frente ao Palácio. Ele percorreu a extensão da grade, posou para fotos e pegou crianças no colo.

O uso de máscaras é obrigatório em locais públicos no Distrito Federal desde 30 de abril. Grande parte dos manifestantes utilizam a máscara, mas há também pessoas que, assim como o presidente, dispensaram a proteção.

Além disso, autoridades sanitárias recomendam o distanciamento social como forma de conter o avanço do novo coronavírus no País. Isso inclui evitar abraços, apertos de mão e aglomerações.

Um dia após ultrapassar a Espanha, o Brasil superou ontem a França em número de mortes pelo novo coronavírus e agora é o quarto país no mundo com a maior quantidade de óbitos pela doença. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os franceses registram 28.774 mortes. Já o Brasil acumula o saldo total de 28.834, já incluídos os 956 óbitos registrados nas últimas 24 horas. A taxa de letalidade é de 5,8%, ou 13,7 mortes a cada 100 mil habitantes.

Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada a bordo de um helicóptero e sobrevoou a Esplanada por cerca de 15 minutos. Depois, o helicóptero pousou próximo ao Palácio do Planalto, e o presidente seguiu a pé até onde estavam os manifestantes.

Após cumprimentar os apoiadores que se aglomeravam ao longo da grade, ele montou em um cavalo da cavalaria da Polícia Militar e percorreu novamente o local antes de retornar à residência oficial.

Antes da chegada de Bolsonaro à manifestação. Um grupo entoou gritos de ordem contra o STF em frente à Corte. "STF, preste atenção, sua toga vai virar pano de chão", diziam. Também há faixas dizendo "abaixo à ditadura do STF".

Na última quarta-feira (27), a Polícia Federal cumpriu uma série de mandados de busca e apreensão contra bolsonaristas por divulgação de fake news. A ordem foi dada pelo STF no âmbito do inquérito que investiga a divulgação dessas notícias falsas.

Um dos investigados, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) participa do ato na capital federal. Ele e um grupo de apoiadores vestindo camiseta do "movimento conservador" entoaram um grito de ordem contra o STF. "Supremo é o povo", bradaram.

'300 pelo Brasil'

O grupo bolsonarista "300 pelo Brasil", liderado pela ativista Sara Winter, fez um protesto no sábado à noite em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O grupo carregava tochas acesas, e algumas pessoas usavam máscaras de personagens de filmes de terror cobrindo todo o rosto.

Os manifestantes carregavam uma faixa onde se lia "300" e também tochas acesas e marcharam em frente ao STF gritando palavras de ordem contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news.

O ato ocorre depois de Sara e empresários bolsonaristas terem sido alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação que apura ameaças, ofensas e fake news contra ministros da Corte e seus familiares.

"Viemos cobrar, viemos cobrar, o STF não vai nos calar", "careca togado, Alexandre descarado", "ministro covarde, queremos liberdade" e "inconstitucional, Alexandre imoral" foram alguns dos gritos de ordem entoados pelo grupo, segundo vídeos divulgados nas redes sociais dos próprios integrantes da manifestação.

Integrantes do STF ouvidos reservadamente pelo Estadão/Broadcast apontaram semelhanças entre o protesto de Sara Winter e a manifestação de neonazistas e membros da Ku Klux Klan que ocorreu em 2017 na cidade de Charlottesville, nos Estados Unidos. A "KKK" é organização racista dos Estados Unidos que prega a supremacia branca e já praticou inúmeros atos violentos contra negros.

A reportagem procurou a Polícia Federal e o STF para comentar o protesto em Brasília, mas eles não se pronunciaram até a publicação deste texto. O Planalto informou que não vai comentar.

"Sobre nosso protesto de ontem: a ideia foi de um apoiador que é judeu e quem comprou as tochas e máscaras foi um organizador dos 300 que é negro. Pra esquerda, tocha: símbolo nazista. Sempre tentarão emplacar essa narrativa. Aqui não cola mais", escreveu Sara no Twitter na manhã deste domingo (31).

Vídeo

Após a operação da última quarta-feira (27), Sara divulgou nas redes sociais um vídeo com ofensas a Moraes e aos demais ministros da Corte. Ela chegou a desafiar Moraes a "trocar socos".

"Eles não vão me calar, de maneira nenhuma. Pelo contrário, eu sou uma pessoa extremamente resiliente. Pois agora, meu e não é que ele mora em São Paulo? Porque se estivesse aqui eu já estaria na porta da casa dele convidando ele para 'trocar soco' comigo. Juro por Deus, essa é a minha vontade. Eu queria trocar soco com esse 'filha da puta' desse 'arrombado'! Infelizmente não posso, mas eu queria. Ele mora lá em São Paulo, né? Pois você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor!", esbravejou a ativista.

O vídeo foi encaminhado por Moraes ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que o enviou ao Ministério Público Federal do DF. O caso está agora com o procurador Frederick Lustosa de Melo, que vem sendo pressionado por colegas para pedir logo à Justiça Federal a imposição de medidas cautelares contra a ativista.


Agência Estado/Dom Total



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