Brasil Política

31/05/2020 | domtotal.com

Manifestação pró-democracia termina em confronto com a PM

A organização envolveu grupos antifascistas ligados a torcidas organizadas de futebol, de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, em conjunto com movimentos sociais

A organização envolve grupos antifascistas de torcidas organizadas como Palmeiras e Corinthians
A organização envolve grupos antifascistas de torcidas organizadas como Palmeiras e Corinthians (Twitter/Reprodução)

Um grupo de manifestantes pró-democracia, vestidos de pretos e usando máscaras, realizou um ato na tarde deste domingo na Avenida Paulista, em São Paulo.

Eles ocuparam a faixa sentido Consolação da via, na frente do Masp e o vão livre do museu. Antes, fizeram uma caminhada, entoando gritos em defesa da democracia. A manifestação chegou à região da Avenida Paulista por volta das 12h. A Policia Militar acompanhou o movimento.

A organização envolve grupos antifascistas ligados a torcidas organizadas de futebol, de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, em conjunto com movimentos sociais.

A maioria dos manifestantes usa máscaras, mas há alguns sem proteção, numa aglomeração de pessoas que também contraria orientações de autoridades sanitárias para manter distanciamento social como medida de contenção ao avanço do novo coronavírus.

Confronto

O governador de São Paulo João Doria (PSDB,) afirmou nas redes sociais que a ação da Polícia Militar neste domingo (31) contra manifestantes na Avenida Paulista visou a garantir a integridade "dos dois lados". Durante a tarde, a Tropa de Choque disparou bombas de gás lacrimogêneo contra grupo de pessoas que se reuniu no Museu de Arte de São Paulo (Masp) com gritos de "democracia". Um segundo grupo de manifestantes, pró-Bolsonaro, permaneceu cercado na Avenida Paulista pela tropa regular da corporação.

"A Policia Militar de São Paulo agiu hoje para manter a integridade física dos manifestantes, na Avenida Paulista. Dos dois lados. A presença da PM evitou o confronto e as prováveis vítimas deste embate. Todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito de agredir", afirmou Doria. "No processo democrático, manifestações devem ser respeitadas. Mas posições contrárias não podem ser expressadas com violência nas ruas. O Brasil precisa de paz, diálogo e respeito às instituições, para preservar sua democracia", continuou.

O confronto do grupo pró-democracia com a PM teria começado após pessoas que portavam símbolos neonazistas se infiltraram na manifestação, segundo contou ao Estadão o organizador do movimento Somos Democracia Danilo Pássaro, de 27 anos. "Até então, estava tudo calmo. Nossas faixas eram pela democracia, e eu já havia feito um discurso", afirmou.

A PM utilizou bombas de gás lacrimogêneo para separar o conflito desencadeando confronto que se estendeu por parte da Paulista em direção à estação Consolação do metrô. Um grupo passou a jogar pedras e outros objetos contra os policiais. Outros fizeram barricadas com uma caçamba de lixo. A confusão durou cerca de uma hora. Ao menos cinco manifestantes foram detidos, apurou o Estadão.

Do outro lado da avenida, em frente à sede da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), grupo de apoiadores do governo Bolsonaro realizaram uma manifestação no local. O ato continuou normalmente.

A Polícia Militar dispersou com bombas o protesto a favor da democracia e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista. Imagens da Globonews e da CNN Brasil mostravam a tropa de choque avançando contra os manifestantes, que revidavam com pedras.

Cerca de 30 minutos antes, a PM já havia usado bombas de efeito moral para impedir um conflito entre dois manifestantes antigoverno e a favor de Bolsonaro, na altura de uma das entradas da estação Trianon-Masp, na Avenida Paulista.

Panelaço

Enquanto manifestantes antigoverno Jair Bolsonaro entravam em confronto com a Polícia Militar na Avenida Paulista, panelaços e protestos contra o presidente ocorreram em alguns bairros de São Paulo.

Nas redes sociais há registros de gritos e panelaços nos bairros da Bela Vista, Santa Cecília, República, Perdizes, Vila Buarque, Pinheiros e Consolação. Críticos do presidente gritam "fora, Bolsonaro" e se referem ao presidente da República como "fascista".

'Terroristas'

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse em sua conta no Twitter que apoia a iniciativa de definir como terroristas manifestantes antifascismo, repercutindo tuíte do presidente americano Donald Trump que defende essa designação. Na postagem, Trump escreveu que "os Estados Unidos da América designarão Antifa como uma organização terrorista".

"O Brasil deveria fazer o mesmo. Aqui eles se fantasiam de torcida organizada, mas todos sabemos que querem é desordem, baderna e confronto com manifestações pacíficas", escreveu o parlamentar, em referência aos protestos que acontecem nesta tarde na Avenida Paulista, por grupos antifascistas ligados às torcidas organizadas dos principais times de São Paulo.

Antes, o presidente Jair Bolsonaro também tinha compartilhado o tuíte de Trump contra os manifestantes antifa, que participam de protestos em dezenas de cidades americanas contra a morte de George Floyd.


Agência Estado/Dom Total



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