Coronavírus

01/06/2020 | domtotal.com

Com mais de meio milhão de infectados, Brasil ainda não chegou ao pico da epidemia

Número pode ser muito maior, já que o país tem uma baixa testagem populacional

Em números absolutos, o Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de contaminações
Em números absolutos, o Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de contaminações (ABr/Lindsey Wasson/Reuters)

O Brasil atingiu ontem a marca de meio milhão de pessoas infectadas pelo coronavírus com os 16.409 novos casos registrados nas últimas 24 horas. São exatamente 514.849 pessoas contaminadas no total desde que a pandemia chegou ao Brasil. 

"Mas é preciso ter em mente que esse número é uma subestimação, pois o país tem uma baixa taxa de teste", afirmou o infectologista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Marco Aurélio Safadi. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de contaminações. Está atrás dos Estados Unidos, que têm 1,7 milhão, e à frente da terceira colocada, a Rússia, que registra 405,8 mil casos, de acordo com dados compilados diariamente pela Universidade Johns Hopkins.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesse domingo (31), 480 pessoas tiveram suas mortes registradas nas últimas 24 horas elevando o total de óbitos para 29.314. No sábado, o Brasil teve recorde de infecções em um dia. Foram 33.274 novos casos registrados de sexta para sábado. Além disso, o país superou a França em número de mortalidades.

Conforma a escalada da doença, para Safadi, entretanto, ainda não é possível dizer se o país atingiu ou não o pico da epidemia. Mas, para o especialista, é certo que o Brasil se encontra em um platô que se arrasta há tempos por falta de medidas mais assertivas de testagem e distanciamento social. Os próprios políticos, diz ele, se veem fragilizados ao utilizar a retórica de lockdown (bloqueio total) por falta de apoio popular.

"O desgaste político é tão grande que não há mais clima para solicitar o lockdown, porque ninguém mais suporta. Eles percebem que não é uma medida popular e acabam se acanhando em fazer aquilo que deveria ter sido feito lá atrás. Nossa população não é como a da Europa. Temos uma população carente muito grande que em momentos como esse, sofre muito mais. Nossas desigualdades se escancaram em momentos assim", analisou.

Números por estado

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de mortes: 7.615;  seguido pelo Rio de Janeiro (5.344), Ceará (3.010), Pará (2.923) e Pernambuco (2.807).

Na sequência, aparecem Amazonas (2.052), Maranhão (955), Bahia (667), Espírito Santo (604), Alagoas (443), Paraíba (360), Rio Grande do Norte (305), Minas Gerais (271), Rio Grande do Sul (224), Amapá (222), Paraná (182), Distrito Federal (170), Piauí (161), Sergipe (158), Rondônia (156), Santa Catarina (136), Acre (148), Goiás (124), Roraima (116), Tocantins (73), Mato Grosso (61) e Mato Grosso do Sul (20).

Já em número de casos confirmados, aparecem nas primeiras posições do ranking São Paulo (109.698), Rio de Janeiro (53.388), Ceará (48.489), Amazonas (41.378) e Pará (37.961). Entre as unidades da federação com mais pessoas infectadas estão ainda Maranhão (34.639), Pernambuco (34.450), Bahia (18.392), Espírito Santo (13.690) e Paraíba (13.162).

Na comparação internacional, o Brasil figura em segundo lugar no número de pessoas infectadas (514 mil), atrás dos Estados Unidos, com mais de 1,7 milhão de casos, de acordo com balanço divulgado pela Universidade Johns Hopkins, que reúne os números oficiais dos países. Em número de óbitos, o Brasil ocupa a quarta colocação, atrás de Estados Unidos (104.319), Reino Unido (38.571) e Itália (33.415).

Perto de registrar a triste marca de 30 mil mortos pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde informa que o tratamento já recuperou 206 mil pacientes e acompanha a situação de quase 279 mil pessoas.

Epicentro do país

Na véspera de iniciar a reabertura, o estado de São Paulo, que desde o início é o epicentro da doença, teve 2,5 mil novos casos de contaminação e 83 mortes no domingo, elevando o total para 109,6 mil e 7,6 mil, respectivamente. Algumas cidades paulistas poderão, a partir desta segunda (1º), retomar gradualmente a economia.

É possível que haja uma recrudescência dos casos, na opinião do infectologista. "Uma das condições inequívocas para que se faça o relaxamento é que haja um cenário consistente de redução de casos e de mortes. E quando eu falo 'consistente', não são dois ou três dias, que podem ser fruto do feriado ou fim de semana. São pelo menos de 10 a 15 dias de queda de casos. E os números não estão mostrando isso", analisou.


Agência Estado/Agência Brasil/Dom Total



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