Brasil

02/06/2020 | domtotal.com

Das redes às ruas: o ressurgimento de manifestações pró-democracia

A defesa da democracia e o combate ao racismo são as principais bandeiras dos movimentos

Foto do protesto do dia 31 de maio liderado pela Gaviões da Fiel em São Paulo
Foto do protesto do dia 31 de maio liderado pela Gaviões da Fiel em São Paulo (Reprodução/Twitter)

Movimentos da sociedade civil com o objetivo de defender os valores democráticos estão recebendo cada vez mais apoio na internet, e reunindo nomes de diferentes espectros políticos.

Mais de 225 mil pessoas já assinaram o manifesto do "Estamos Juntos", lançado no sábado passado (30). O grupo tem adesão de figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o apresentador de TV Luciano Huck, o jurista Miguel Reale Júnior, a atriz Fernanda Montenegro e o músico Caetano Veloso.

"Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia", diz o manifesto.

Declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados sobre uma eventual ruptura institucional fizeram surgir outros movimentos. A hashtag "Somos 70 por cento", em alusão ao porcentual dos que consideram o governo Bolsonaro ruim, péssimo ou regular, segundo a última pesquisa Datafolha, ganhou força no fim de semana. Idealizada pelo economista e escritor Eduardo Moreira, teve a chancela de personalidades, como a apresentadora Xuxa Meneghel.

Juristas e advogados lançaram no domingo o manifesto "Basta!", que acusa o presidente de cometer crimes de responsabilidade. Até ontem, 25 mil pessoas haviam apoiado a ação, entre elas os juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo Dallari e José Afonso da Silva, além do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, e o diretor da faculdade de Direito da USP, Floriano de Azevedo Marques. "O que se quer é a preservação da democracia", disse o criminalista Pierpaolo Bottini, um dos signatários. 

Protesto em Curitiba

Um protesto convocado por grupos antifascistas para protestar contra o racismo terminou em confronto com a Polícia Militar na região central de Curitiba na noite dessa segunda-feira (1º). Manifestantes gritavam palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro e atearam fogo em uma bandeira do Brasil. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que atearam fogo em lixeiras, quebraram fachadas de vidro de comércio e fizeram pichações em pontos de ônibus.

O protesto começou por volta das 20h na Praça Santos Andrade, em frente à Universidade Federal do Paraná. Manifestantes carregavam cartazes com frases como "Vidas negras importam" e levavam bandeiras vermelhas e pretas que simbolizam o movimento antifascista. Atos semelhantes ocorrem em todo o mundo, como resposta à morte de George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, após ser imobilizado por um policial branco.

A confusão foi registrada depois que parte dos manifestantes saiu em direção ao Centro Cívico, também no centro da cidade. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram que os manifestantes colocaram fogo em uma bandeira do Brasil que teria sido retirada do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, atearam pedras no Fórum Cível e gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro.

A PM do Paraná informou que reagiu à depredação de bens públicos. Policiais foram filmados atirando bombas de gás e balas de borracha na direção dos manifestantes para tentar dispersar o grupo. Ao se deparar com alguns grupos menores, os PMs usaram também cassetetes. Até as 23h, não havia informação de presos. A Prefeitura de Curitiba informou que foram registrados alguns danos e que um balanço completo deve ser divulgado nesta terça-feira (2).

No domingo, um ato antifascista, que também era contra o presidente Jair Bolsonaro, terminou em confusão em São Paulo. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o início de uma briga em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A confusão, que durou ao menos uma hora, tomou conta da avenida e deixou vidros quebrados, caçambas de lixo e entulho revirados e fogo ateado em objetos no meio da via. Seis pessoas foram detidas, segundo a PM.


Agência Estado/Dom Total



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