Religião

03/06/2020 | domtotal.com

Vaticano investiga bispo após documentário denunciar encobrimento de abuso

Documentarista polonês pretende produzir também filme sobre papel de João Paulo II no encobrimento de casos

Esta foto tirada e distribuída em 18 de maio de 2020 pela mídia do Vaticano mostra o papa Francisco celebrando uma missa para marcar o 100º aniversário do nascimento do falecido papa João Paulo II na Basílica de São Pedro no Vaticano
Esta foto tirada e distribuída em 18 de maio de 2020 pela mídia do Vaticano mostra o papa Francisco celebrando uma missa para marcar o 100º aniversário do nascimento do falecido papa João Paulo II na Basílica de São Pedro no Vaticano (VATICAN MEDIA/AFP)

O Vaticano deu sinal verde à investigação de um bispo polonês suspeito de encobrir atos de pedofilia, anunciou o arcebispado de Poznan (oeste), em um comunicado.

A decisão ocorre apenas quinze dias depois da saída de um documentário sobre atos pedófilos na poderosa Igreja Católica da Polônia, encobertos pelo bispo de Kalisz (centro), Henryk Janiak, citado pelo seu nome.

Imediatamente após a divulgação do documentário Hide and seek, visto desde então no Youtube por mais de sete milhões de pessoas, o primaz da Polônia, o arcebispo Wojciech Polak, pediu à Santa Sé que "inicie procedimentos" sobre os casos citados.

"Em virtude do motu próprio (uma carta apostólica) do papa Francisco (...), a Congregação dos Bispos encarregou o arcebispo de Poznán de realizar uma investigação preliminar sobre as denúncias de negligência do bispo de Kalisz na gestão dos casos de abuso sexual de menores por parte de alguns eclesiásticos", segundo um comunicado do arcebispado publicado na noite de terça-feira.

O documentário, o segundo deste tipo, realizado pelo jornalista independente Tomasz Sekielski, mostra em detalhes a história de dois irmãos, vítimas de, entre outras coisas, agressões sexuais cometidas por um padre que goza da proteção tácita mas evidente do bispo Janiak.

Financiado unicamente com dinheiro de uma doação pública, o filme censura a Promotoria por proteger sistematicamente os representantes da Igreja, acusações imediatamente rejeitadas pela Promotoria nacional.

O documentário anterior de Tomasz Sekielski, intitulado Só não conte a ninguém, publicado há um ano, foi visto quase 23,5 milhões de vezes no Youtube. Naquele momento, provocou um choque e uma série de reações no mais alto nível da hierarquia eclesiástica e do poder. Mas, desde então, a questão praticamente desapareceu do espaço público.

As indenizações pagas pela Igreja às vítimas permanecem escassas na Polônia.

Os dois documentários de Sekielski questionam a responsabilidade da hierarquia católica, sem aprofundar a ausência de reação durante o longo pontificado de São João Paulo II, sempre venerado na Polônia.

Tomasz Sekielski já anunciou um novo documentário sobre o "papel de João Paulo II no encobrimento de crimes cometidos por padres".


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AFP



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