Coronavírus

03/06/2020 | domtotal.com

Governo do RJ intervém em hospitais de campanha montados contra Covid-19

Sete hospitais eram pra ter sido entregues em abril; Fundação Estadual de Saúde vai gerir as unidades

O decreto do governador Wilson Witzel aponta o atraso na entrega e deficiência na gestão como motivos para a intervenção
O decreto do governador Wilson Witzel aponta o atraso na entrega e deficiência na gestão como motivos para a intervenção (Reuters)

O governo do estado do Rio de Janeiro decidiu intervir na gestão dos hospitais de campanha montados para combater a pandemia de Covid-19, doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, e afastar a organização social Iabas do comando das unidades.

O governo de Wilson Witzel (PSC) escolheu a Fundação Estadual de Saúde para gerir as unidades. 

Os sete hospitais de campanha estaduais deveriam ter sido entregues no fim de abril, mas até agora apenas uma unidade, a do Maracanã, está operando. A Iabas havia recebido mais de R$ 200 milhões de um total de quase R$ 800 milhões para viabilizar as unidades temporárias.

"Não podemos continuar com erros, eles precisam ser corrigidos. A Fundação Estadual de Saúde assume para concluir as obras, operar o sistema e deixar um legado. Esses hospitais de campanha serão muito importantes para a reabertura da economia, para gerar empregos e, principalmente, para ajudar no futuro com cirurgias eletivas", disse Witzel em vídeo divulgado na tarde desta quarta-feira (3), acrescentando que pedirá à Justiça o bloqueio de bens da Iabas para ressarcimento dos prejuízos ao estado.

O decreto do governador, editado na terça-feira (2), aponta o atraso na entrega e deficiência na gestão como motivos para a intervenção e ainda prevê a rescisão do contrato com a organização social e a aplicação de eventuais sanções para "resguardar e ressarcir o patrimônio público".

Em nota, a Iabas disse que comunicou à Secretaria de Saúde do Rio na semana passada que desistia do contrato para gerir os hospitais de campanha e responsabilizou a pasta por esta decisão.

"Essa decisão se deu em função das inúmeras dificuldades impostas pela Secretaria Estadual de Saúde, que desde o início do contrato demonstrou sua incapacidade de atuar com eficiência para que os hospitais fossem entregues no tempo exigido pela população", afirmou a organização social em nota.

"A construção de um hospital é uma operação complexa demais para suportar mais de 20 mudanças de concepção de projeto num prazo de 40 dias. O primeiro pagamento necessário ao início das obras se deu somente 13 dias após a assinatura do contrato. O Iabas trabalhou por 38 dias com o fluxo de caixa negativo por falta de pagamento integral."

A organização social disse ainda que colaborará na transferência da administração dos hospitais de campanha ao novo gestor e tomará providências judiciais para "assegurar os direitos de nossa instituição".

Também nesta quarta, Witzel, que na semana passada foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da operação Placebo, que apura irregularidades na área de saúde do estado, exonerou o secretário de Desenvolvimento Lucas Tristão, investigado na mesma operação.


Reuters



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