Religião

11/06/2020 | domtotal.com

Partir o pão e cuidar do irmão

Mística e esperança na festa do Corpo de Cristo

Com as igrejas novamente abertas em breve, se Deus quiser, nos inspiremos e adoremos Jesus, sem nos esquecer que cuidar dos irmãos também é uma maneira de rezar
Com as igrejas novamente abertas em breve, se Deus quiser, nos inspiremos e adoremos Jesus, sem nos esquecer que cuidar dos irmãos também é uma maneira de rezar (AFP)

João Eduardo S. Mariana*

A Igreja se reúne para celebrar a festa de Corpus Christi, a memória viva de Cristo que se faz pão no altar e se imola pela nossa salvação. Instituída já há muitos séculos, a devoção à Santíssima Eucaristia está arraigada na alma da nossa gente, principalmente a das pessoas mais simples. Não é à toa que o primeiro canto que nos vem à mente quando pensamos nas igrejas da roça é ?Bendito, louvado seja, o Santíssimo Sacramento?. Nas quintas-feiras, os templos costumam ficar cheios para a Benção Eucarística. A piedade do povo aliada à tradição da Santa Igreja enche o nosso coração de esperança neste tempo de pandemia.

Falar da Eucaristia é falar do próprio Jesus. Nas palavras ditas pelo mestre na última ceia, é instituído o Sacramento da Comunhão. Algo importante que todo católico deve ter em mente que a comunhão no pão e no vinho não é simbologia, nem apenas uma lembrança de algo feito por Jesus. Na Missa, se atualiza o sacrifício do Messias pelo povo escravizado pelo pecado. O altar é o calvário; o padre, o representante de Cristo; pão e vinho, oferendas que, após da consagração, se tornam o próprio Jesus imolado por nós. Como crer que Jesus está presente realmente na Eucaristia? Simples: a Fé nos leva a reconhecer Jesus no pão consagrado.

Muitos são os milagres Eucarísticos espalhados pelo mundo. Um dos mais conhecidos aconteceu em uma pequena cidade da Itália, chamada Lanciano, em meados do século 8. Um padre que não acreditava na presença real de Jesus na comunhão vivenciou algo inexplicável durante a celebração de uma missa. A hóstia se converteu em carne, mais precisamente em um tecido que recobre o coração humano. O vinho se tornou sangue, e coagulou. As relíquias deste milagre existem até hoje, e intrigam especialistas e até mesmo pessoas que não acreditam em Jesus.

Agora, como diz uma canção muito cantada em nossas comunidades, ?comungar é tornar-se um perigo?. Receber Jesus na Eucaristia deve ser para nós incentivo na caminhada deste mundo, que precisa de muitas transformações. Cuidar dos irmãos que mais precisam deve ser para nós uma espécie de comunhão com Cristo. Afinal de contas, o próprio mestre disse que o bem que fizéssemos a estes, estaríamos fazendo a ele. Com as igrejas fechadas, seja esta a nossa comunhão com Jesus.

O Congresso Eucarístico de Belo Horizonte, realizado nestas terras em 1936, revelam o amor que o nosso povo tem pela Eucaristia. No hino, composto para data tão importante, o povo de Deus cantou que assim como o sol nasce entre as montanhas de Minas, dos vales destas gerais também se levanta a hóstia consagrada. Nesse estado tão querido, de um povo tão valoroso, a mística que envolve o Culto Eucarístico é de emocionar. Com as igrejas novamente abertas em breve, se Deus quiser, nos inspiremos e adoremos Jesus, sem nos esquecer que cuidar dos irmãos também é uma maneira de rezar.

Por fim, uma oração, também extraída do hino do Congresso Eucarístico de Belo Horizonte: ?Tu que és rei e aos povos dominas, firma aqui teu trono, Jesus. E das plagas formosas de Minas, o Brasil para a glória conduz?. Graças e louvores se deem a todo momento, ao Santíssimo e Digníssimo Sacramento.

*João Eduardo S. Mariana, Jornalista e colaborador da Arquidiocese de BH



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