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13/06/2020 | domtotal.com

EUA quer driblar pacto de armas da Guerra Fria para vender drones

A reinterpretação do tratado é um esforço de Trump para vender mais armas no exterior

A mudança de diretriz  poderia possibilitar vendas de drones armados a governos menos estáveis, como a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, que antes estavam proibidos de comprá-las
A mudança de diretriz poderia possibilitar vendas de drones armados a governos menos estáveis, como a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, que antes estavam proibidos de comprá-las (Reuters)

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja reinterpretar um tratado de armas dos tempos da Guerra Fria firmado entre 34 países com o objetivo de permitir que prestadores de serviço de defesa dos Estados Unidos vendam mais drones de fabricação norte-americana a uma vasta gama de nações. As informações são de três executivos da indústria de defesa e uma autoridade dos EUA.

A mudança de diretriz, que não foi noticiada anteriormente, poderia possibilitar vendas de drones armados a governos menos estáveis, como a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, que antes estavam proibidos de comprá-las por causa do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MTCR) de 33 anos de existência, disseram a autoridade dos EUA, um ex-funcionário e um dos executivos. Ela também poderia desestimular países como a Rússia, que cumprem o MTCR há tempos, a mantê-lo, disse a autoridade do governo, que tem conhecimento direto da mudança.

Reinterpretar o MTCR é parte de um esforço mais amplo do governo Trump para vender mais armas no exterior. A administração já reformou uma grande variedade de regulamentos de exportação de armas e retirou os EUA de tratados de armas internacionais, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e o Tratado Céus Abertos.

Driblar o acordo permitiria que empresas do setor de defesa General Atomics Aeronautical Systems Inc e Northrop Grumman Corp desbravassem novos mercados atualmente dominados por produtos menos sofisticados de China e Israel, que não participam do MTCR.

Heidi Grant, diretora da Agência de Segurança de Tecnologia de Defesa do Pentágono, não quis comentar a mudança de diretriz iminente do MTCR, mas disse que os militares dos EUA estão ansiosos para ver a venda de drones se expandir para mais países. Tais vendas fortaleceriam os militares de aliados e substituiria a venda de drones para outras nações, explicou.

O Departamento de Estado, que tem a palavra final sobre tais negócios, e a Casa Branca tampouco quiseram comentar a mudança de diretriz.

Segundo a interpretação atual do Departamento de Estado sobre o MTCR, todas as vendas de drones de grande porte estão sujeitas ao que se conhece como "forte presunção de negação", o que tornou as aprovações raras. Mas o nível alto de exigência para um acordo prosseguir será descartado, o que indica a clientes antes proibidos que seus pedidos têm uma chance muito maior de aprovação, de acordo com a autoridade dos EUA, o ex-funcionário e um dos executivos de defesa.

O MTCR, assinado originalmente em 1987 por EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, se concentrou em deter a proliferação de armas nucleares, e se acredita que ele desacelerou ou deteve programas de mísseis em países como Egito, Argentina e Iraque.


Reuters



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