Religião

17/06/2020 | domtotal.com

Igreja e entidades se mobilizam por comunidades e lideranças ameaçadas

Como resposta ao Sínodo da Amazônia, organizações eclesiais e sociais lançam campanha de autoproteção a comunidades no campo e na floresta

Campanha quer promover e fortalecer mecanismos não violentos de defesa e autoproteção de comunidades e lideranças ameaçadas
Campanha quer promover e fortalecer mecanismos não violentos de defesa e autoproteção de comunidades e lideranças ameaçadas (Reprodução/ Repam)

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) e a Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora (Cepas) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fazem, nesta quinta-feira (18) o lançamento on-line de uma campanha para a proteção de lideranças e comunidades ameaçadas pela sua atuação e militância na defesa dos Direitos Humanos, da natureza e de seus territórios cobiçados.

A Campanha de Autoproteção de Comunidades e Lideranças Ameaçadas (Cacla) surgiu do diálogo entre Repam, Cepas e entidades civis que atuam na busca da justiça socioambiental e foi aprovada por unanimidade durante um encontro de bispos brasileiros em preparação para o Sínodo da Amazônia, em agosto de 2019, em Belém (PA). Ela terá abrangência nacional, priorizando em sua primeira etapa o contexto amazônico, os conflitos e a violação de direitos no campo e na floresta.

Com o tema "A vida por um fio", a Cacla responde ao apelo registrado no documento final do sínodo que aconteceu no Vaticano em 2019: "É escandaloso que líderes e até comunidades sejam criminalizados, simplesmente pelo fato de reivindicarem seus próprios direitos" (DF, 69). De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 1985 a 2019, foram assassinadas 1.973 pessoas no campo, sendo que apenas 122 casos foram julgados, com número insignificante de condenados, ou seja, 35 mandantes e 106 executores.

O objetivo da campanha é "promover e fortalecer mecanismos não violentos de defesa e autoproteção de comunidades e lideranças ameaçadas e/ou criminalizadas por estarem afirmando seu direito à vida e ao território, e os direitos da Mãe-Terra", segundo comunicado da Repam. Além disso, ela pretende denunciar em nível nacional e internacional a "difusão da cultura do ódio, as ameaças e a impunidade em contextos de conflitos socioambientais, bem como as recentes políticas de desmonte dos direitos adquiridos pelos povos e comunidades, e de retrocessos em Direitos Humanos".

As instituições participantes do projeto querem "defender e promover eficazes políticas públicas de proteção a comunidades e lideranças ameaçadas por sua luta em defesa dos Direitos Humanos, seus territórios tradicionais e pelos direitos da Mãe-Natureza", afirmam. Tomam parte na iniciativa também o Observatório Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (Olma); a Pastoral Carcerária Nacional; o Centro Popular de Formação da Juventude ?" Vida e Juventude; Comissão Pastoral dos Pescadores (CPP); Instituto Agostin Castejon (IAC); o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep; a Cáritas Brasileira; a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP); e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional).

Participam do lançamento da campanha o presidente da Cepas, dom José Valdeci Santos Mendes, e o subprocurador-geral da República, Antônio Carlos Bigonha. Além deles, haverá a presença de representantes da CPT, do Conselho Indigenista Missionário, da Rede Eclesial Pan-Amazônica/Repam-Brasil e das organizações como o Centro Popular de Formação da Juventude - Vida e Juventude, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos/SMDH, Movimento Nacional dos Direitos Humanos/MNDH e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

O lançamento vai acontecer às 16h do dia 18 no canal da Repam-Brasil no Youtube. Participarão o presidente da Cepas, dom José Valdeci Santos Mendes, e Antônio Carlos Bigonha. Além deles, haverá a presença de representantes da CPT, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da Repam-Brasil, do Vida e Juventude, das Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

O evento aconteceria em março, mas precisou ser adiado por conta do avanço do novo coronavírus. Com a suspensão de viagens o seminário que forma os multiplicadores da campanha junto às comunidade foi transferido para uma plataforma virtual, com participação de mais de 100 lideranças. A data em junho coincide com as comemorações pelos cinco anos da Laudato si, encíclica do papa Francisco que trata da ecologia integral.


Dom Total/Repam



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