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23/06/2020 | domtotal.com

Projetos de Parcerias em Infraestrutura: É muito dinheiro

Muito dinheiro poderá e deverá ser investido e muito dinheiro retornará a sociedade quando isso for feito

Muito dinheiro poderá e deverá ser investido e muito dinheiro retornará a sociedade quando isso for feito
Muito dinheiro poderá e deverá ser investido e muito dinheiro retornará a sociedade quando isso for feito (IDB Invest)

Jose Antonio de Sousa Neto*

Temos comentado aqui em vários textos recentes sobre a importância do setor de infraestrutura na retomada do crescimento econômico brasileiro. Vale a pena dar uma olhada nos números para se ter uma melhor noção do que está sendo feito e do que está previsto até o final de 2022. Aqui neste breve texto estamos fazendo referência apenas a projetos de parcerias entre o poder público e o setor privado nos setores de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. Os dados são todos do Ministério da Infraestrutura:

Carteira de Projetos 2019 - 2022

R$ 233,50 bi

Realizado 2019 – Contratos mais leilões

R$ 16,75 bi

Aeroportos  R$ 3,52 bi

Portos           R$ 1,11 bi

Rodovias      R$ 9,40 bi

ferrovias       R$ 2,72 bi

Planejado 2020-2022

R$ 216,75 bi

Aeroportos R$ 12,00 bi

Portos          R$ 6,71 bi

Rodovias     R$146,75 bi

Ferrovias     R$ 51,29 bi

Em Live recente da EMGE, quando falei um pouco sobre as inúmeras perspectivas para o setor de infraestrutura no Brasil e em particular para os profissionais da engenharia, um participante me perguntou se estas oportunidades estariam mais concentradas em alguma parte do país. Na verdade, e isto fica claro nos exemplos abaixo, as oportunidades estão distribuídas por todas as regiões. Convido o leitor a combinar estas oportunidades, por exemplo, ao nosso extraordinário agronegócio e também ao fato de que nosso país, como já havia feito referência em textos anteriores e fiz referência durante a Live que mencionei acima, tem o potencial de produzir sozinho quase a metade dos alimentos do planeta. Toda a produção precisa ser armazenada e devidamente escoada. A infraestrutura desempenha, evidentemente, um fator absolutamente chave para a competitividade e prosperidade do setor. Seguem alguns exemplos mais detalhados:

Concessões de rodovias em 2020:

BRs 101/SC(220,4 km) , 153/080/414/GO/TO (850,7 km) 163/230/MT/PA (970km) Total 2.041,1 km | Total R$ 13,75 Bi

Concessões de Rodovias em 2021:

116/SP/RJ (Dutra) (598,5 km), 381/262/MG/ES(672km), 040/495/MG/RJ (Concer) (211 km), BR-116/493/RJ/MG (CRT) (711km), 470/282/153/SC (502,10 km); Rodovias do Paraná (4.114 km) Total: 6.808,6 km| Pelo menos R$ 79,40 Bi

Concessões de Rodovias em 2022:

7.213 km Estudos (BNDES); BR-040/DF/GO/MG (936,8); BR-158/155/MT/PA (1.135 km); BR-135/316/MA(438 km) Total 9.722,8 km | Pelo menos R$ 53,6 Bi

Aqui neste ponto e antes de continuar com os exemplos gostaria de chamar a atenção para a importância do setor ferroviário para a infraestrutura de qualquer país. Infelizmente, sobretudo nas últimas décadas este setor foi praticamente abandonado no contexto das escolhas políticas feitas por nossos dirigentes.

Concessões de ferrovias em 2020:

BRs 101/SC (220,4 km), 153/080/414/GO/TO (850,7 km) 163/230/MT/PA (970km) Total 2.041,1 km | Total R$ 13,75 Bi

Concessões de ferrovias em 2021:

116/SP/RJ (Dutra) (598,5 km), 381/262/MG/ES(672km),040/495/MG/RJ (Concer) (211 km), BR-116/493/RJ/MG (CRT) (711km), 470/282/153/SC (502,10 km); Rodovias do Paraná (4.114 km) Total: 6.808,6 km| Pelo menos R$ 79,40 Bi

Concessões de ferrovias em 2022:

7.213 km Estudos (BNDES); BR-040/DF/GO/MG (936,8); BR-158/155/MT/PA (1.135 km); BR-135/316/MA(438 km) Total 9.722,8 km | Pelo menos R$ 53,6 Bi

Finalmente, para completar nossa sequencia de exemplos mais detalhados, passemos por algumas oportunidades relacionadas ao setor portuário. Não consigo deixar de me lembrar da primeira vez que estive em Hong Kong, há quase vinte anos, e contemplei a baia e o porto por onde transitavam dezenas de vezes mais navios do que vemos, mesmo hoje, nos maiores portos de nosso país. Reféns que fomos, por décadas, de ideologias e grupos de interesses, nosso tempo perdido custou riquezas ao Brasil até mesmo difíceis de quantificar.

Arrendamentos de portos em 2020:

Aratu/BA (2), Itaqui/MA (4), Santos/SP (2), Maceió (1), Paranaguá/PR(1),Santana/AP(1)

Total 11 terminais | Pelo menos R$ 1,35 Bi

Arrendamentos de portos e desestatização em 2021:

Santos/SP (2), Maceió (3), Paranaguá/PR (2), Vila do Conde (1), Areia Branca/RN (1), Mucuripe/CE(1) + Desestatização de Portos : CODESA Total: 1 Porto e 10 terminais / Pelo menos: R$ 3,28 Bi

Desestatização de portos em 2022:

São Sebastião/SP, Portos Organizados de Santos/SP e Itajaí/SC Total 3 Portos | Total R$ 2,07 Bi

Vejam, caros leitores, que como mencionei no início deste texto, eu me ative a oportunidades em apenas alguns setores poucos setores. Mesmo assim ainda exclui, por exemplo, obras viárias e ferroviárias em contextos metropolitanos. Neste último caso parece que nossos dirigentes não se interessam por história e não se deram ao trabalho de entender, por exemplo, qual teria sido um dos fatores determinantes (se não o principal em alguns aspectos) para que metrópoles como Nova Iorque e Londres se tornassem tão atrativas para trabalhadores e investidores: a priorização de redes de trens urbanos e de suburbanos. Este tipo de infraestrutura é crucial não somente pelo desenvolvimento em si, mas para que este desenvolvimento seja fundamentado em uma visão de sustentabilidade e qualidade de vida. Também não fizemos referencia às inúmeras oportunidades no setor energético e no setor de saneamento. Neste último caso o marco regulatório do saneamento, tema e setor que por sinal está inexoravelmente ligado à saúde, se arrasta há anos pelo congresso nacional. Na verdade, o tema, de uma forma mais ampla, se arrasta há décadas pelos nossos legislativos.

Muito dinheiro poderá e deverá ser investido em todos estes setores e muito dinheiro retornará a sociedade quando isso for feito. A ordem de grandeza vai superar com folga as centenas de bilhões de reais que o governo brasileiro tem investido para vencer o desafio que a pandemia nos trouxe.

(wilsoncenter.org)(wilsoncenter.org)

*Professor da EMGE (Escola de Engenharia e Computação)

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