Brasil

25/06/2020 | domtotal.com

Ventura e aventura em lua de mel

Em todo o trajeto, as pessoas olhavam curiosas para os ocupantes do TL, recém-casados

Supimpa o nosso enlace, se me permitem usar esses termos meio antigórios
Supimpa o nosso enlace, se me permitem usar esses termos meio antigórios (Samantha Gades / Unsplash)

Afonso Barroso*

Você teria coragem encarar uma viagem de Belo Horizonte a Salvador dirigindo um TL já bastante rodado? (TL, como você deve saber, foi o pior automóvel já fabricado pela Volkswagen). Pois acredite, eu fui. E o pior: eu e a Sônia, desde então minha dona, no dia seguinte ao nosso casamento. Era, portanto, uma viagem de lua-de-mel.

Tudo bem, sei que foi uma irresponsabilidade da minha parte viajar mais de 1,5 mil quilômetros num TL usado, mas era o carro que eu tinha, e havíamos reservado hotel na capital baiana pelo Motel Clube de Minas Gerais. (Mais uma explicação entre parênteses: essa organização chamada Motel Clube, antiga como o Código de Hamurabi, tinha convênio com hotéis em diversas partes do Brasil. Você se tornava sócio pagando uma mensalidade e podia hospedar-se com acompanhante, por uma semana, no que escolhesse). Fecho parênteses e passo a contar como foi a aventureira e venturosa viagem.

Mas antes, já que estou a fim de conversar neste espaço de mais de um milhão de leitores que o Dom Total me oferece, conto primeiro como foi o casamento. A cerimônia realizou-se na capela do Colégio Sacré Coeur de Marie, uma igrejinha simpática na Vila Paris, bairro da Zona Sul de Belo Horizonte. O colégio, anos depois, virou Pitágoras. O casamento, que se realizaria às oito da noite, atrasou nada menos de uma hora. É que eu tinha combinado com meu irmão sacerdote, o padre Luiz Barroso, que ele seria o celebrante. 

Só que ele era vigário em Santa Maria do Suaçuí, lá nos começos do Vale do Rio Doce, e veio num carro alugado, uma viagem de 300 e tantos quilômetros em estrada de terra. Além disso, o motorista não conhecia bem Belo Horizonte e acabou custando a acertar o caminho da igreja. Resultado: padre Luiz não celebrou, porque o pároco da igrejinha não pôde mais esperar, no que lhe demos toda razão, e fez ele o casamento. Meu irmão chegou, trazendo minha mãe, quando os convidados já saboreavam bombom com champanhe no salão da igrejinha, destinado a recepções pós-núpcias.

Não posso deixar de mencionar a trilha sonora do nosso casamento. Esteve a cargo de dois músicos jovens, uma dupla de sonoridade esplêndida, Marcelo e Paulinho, que eu descobri não sei como. Um na flauta, o outro no violão, fizeram um som que torcia o pescoço dos convidados durante a cerimônia, tentados a olhar para o coro onde tocavam, lá atrás. Entre outras belas composições, executaram Green leaves e uma Ave Maria lindíssima, execuções valorizadas pela acústica perfeita da igrejinha. Supimpa o nosso enlace, se me permitem usar esses termos meio antigórios, enlace e supimpa, que eu enfio aqui por achá-los muito elegantes.

Depois de um tempo recebendo cumprimentos nós nos despedimos dos convidados, pedimos a bênção da minha santa mãe e do meu irmão religioso e fomos para o nosso apartamento no bairro Renascença, que eu havia comprado pelo BHN. Em todo o trajeto pela cidade, especialmente nos sinais (ou semáforos), as pessoas olhavam curiosas para o conteúdo do TL e acho que também invejosas um casal com roupa de núpcias, a Sônia vestida de organdi branco e véu e tal, bonita como ela só, e eu em elegante terno cinza, confeccionado pelo meu sogro, seu Manoel Ignácio, exímio alfaiate. Inveja de mim os moços, inveja dela as moçoilas.

Interrompo aqui esse relato, porque já estou passando das 600 palavras, o que acho mais do que suficiente para uma crônica. A cativante história da viagem até o hotel da praia da Pituba fica pra outra oportunidade, quem sabe a próxima.

Receba notícias do DomTotal em seu WhatsApp. Entre agora:
https://chat.whatsapp.com/GuYloPXyzPk0X1WODbGtZU

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!